Indústria do plástico no Estado só perde para São Paulo e avança quase 10% ao ano em produção

Texto e fotos Fernando Cibelli de Castro

A mais recente aferição aponta números surpreendentes quanto ao desempenho e à pujança da indústria de termoplásticos em solo catarinense. O menor Estado do Sul do País em espaço geográfico e em população transforma 590 mil toneladas de resinas (projeção para 2005), tem 600 empresas no ramo e faturamento de R$ 4,3 bilhões.

O crescimento médio atinge 8,5% ao ano em volume de produção e gera 22 mil empregos diretos. Nos últimos dois anos, a ocupação da atividade das empresas é próxima de 70%. Santa Catarina confirma sua posição de segundo pólo plástico brasileiro, atrás apenas de São Paulo, que processa cerca de 1,8 milhão de resinas. Deixa para trás Rio Grande do Sul e Paraná, os dois com pouco mais de 300 mil toneladas/ano cada um.

O atual presidente do Sindicato das Indústrias de Material Plástico de Santa Catarina (Simpesc) Albano Schmidt, empossado em abril último, qualifica a evolução da indústria de transformação em seu estado em três etapas. Primeiro vieram as fundições de metal, depois a cerâmica, e nos últimos 30 anos floresceu a petroquímica de terceira geração.

“A petroquímica no Brasil ganhou importância nos anos 60, primeiramente em São Paulo. Em Santa Catarina, apesar do pioneirismo da Tigre, o boom ocorreu nos anos 70, porque as resinas foram melhorando de qualidade e apareceram as soluções em plásticos de engenharia para a substituição dos materiais convencionais como o metal, vidro e a madeira”, assinala Schmidt. “A Tigre é a grande desbravadora”, elogia. Sozinha, a corporação responde por algo em torno de 35% de todo o plástico transformado no Estado, calcula o presidente do Simpesc.

De fato, os registros históricos confirmam a apreciação do presidente do Simpesc. Em 1941, o descendente de imigrantes alemães João Hansen Júnior comprou uma pequena fábrica de pentes, à época feitos em chifres de boi, em Joinville. Quatro anos mais tarde, encorajado pelo aparecimento desses artefatos em plástico, ele adquiriu uma injetora e passou a empregar resinas termoplásticas como matéria-prima. Sessenta e quatro anos depois, a pequena firma fundada por Hansen é a Tigre S.A, líder nacional em produção de tubos e conexões em PVC, com faturamento anual próximo de R$ 1,7 bilhão.

Além das fronteiras - A primeira guinada da Tigre rumo ao crescimento ocorreu na década de 50, período em que a empresa lançou as mangueiras de PVC flexível e os tubos e conexões de PVC rígido. Em 1977, promoveu sua primeira investida nos países vizinhos ao criar a Tubopar, no Paraguai, em sociedade com empresários locais. Na década de 90 apostou alto no mercado sul-americano e abocanhou fatias expressivas nos principais mercados da região. Em 1997 adquiriu o controle da Fanaplas, no Chile.

Prosseguiu entre 1998 e 99 comprando uma série de empresas em países vizinhos até ocupar 48% do mercado chileno, 27% dos negócios com tubos e conexões na Argentina, 70% do mercado da Bolívia e 80% no Paraguai. Hoje a marca Tigre atinge todo o continente latino-americano; na América Central, com Porto Rico e Guatemala; e ao norte com vendas importantes para os Estados Unidos e Canadá; além de países da África, como a Nigéria e Angola. No Brasil, a Tigre mantém unidades em Joinville-SC, Rio Claro-SP e Camaçari-BA. Em Castro-PR e Osasco-SP se concentram as operações da Pincéis Tigre. Em Indaiatuba-SP a operação é da Claris, a fábrica das janelas de PVC, um dos produtos mais recentes oferecidos ao consumidor final.

 

 
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