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BAHIA PLANEJA NOVO POLICARBONATO NO PÓLO Não está decidido, mas tudo indica que a recém anunciada segunda fábrica da Policarbonatos do Brasil – uma unidade de U$ 40 milhões e 30 mil t/ano com partida prevista para o primeiro trimestre de 2008 – será instalada mesmo na Bahia, ao lado da primeira, inaugurada em 1985 com capacidade de 5 mil t/ano, e nos 15 anos seguintes sucessivamente ampliada e desgargalada até alcançar 15 mil t/ano. Ainda hoje única produtora de policarbonato (PC) na América Latina, a Policarbonatos foi formada no âmbito de uma composição tripartite de exatos 33,33 % que uniu, além do Grupo Unigel, agora dono de 100 % das ações, os dois sócios que acabam de desfazer suas participações por valor não revelado – a Pronor Petroquímica (Grupo Mariani) e a Idemitsu Kosan, do Japão. Com a Idemitsu, a licenciadora, foi firmado contrato de assistência técnica e suporte tecnológico por dez anos. Na segunda fábrica, revela o diretor superintendente Francisco Catalan, a Policarbonatos iniciará a produção do PC óptico, o grau destinado ao exclusivo nicho das chamadas mídias de transferência, que o requer para produzir CD, CDR, DVD, etc. Os preços do grau óptico tendem a ser os mesmos dos outros dois graus, os destinados genericamente à extrusão e à injeção, embora entre dois a três anos atrás tenha ocorrido um descompasso: “O grau óptico chegou a custar menos 20% a 30%, devido a um excesso de produção, logo corrigido pela explosiva expansão da demanda”, lembra o executivo. No mercado interno, onde o consumo de policarbonato é de 21 mil t/ano, a fatia do grau óptico, a que mais cresce, é totalmente suprida por 7 mil t/ano importadas. Em função da aplicação, o grau óptico inclui entre as propriedades índices de refração e fluidez uniformes e constantes, assegurados pelo peso molecular bem mais baixo que apresenta em comparação aos outros dois graus. A fabricação exige, na finalização do processo, ambiente asséptico semelhante ao da indústria farmacêutica, totalmente isento de partículas em suspensão. “A nova fábrica terá flexibilidade para produzir os três graus”, ressalta Catalan. Uma das duas matérias-primas da resina, o gás fosgênio – reação de cloro e monóxido de carbono – é produzida na própria Policarbonatos. A outra, o bisfenol, procede, via rodovia, da fábrica da Rhodia de Paulínia-SP. Este esquema de produção será reproduzido na segunda fábrica, que ficará ao lado da primeira, no mesmo sítio onde também está a fábrica de TDI da Dow Química, a mesma ex-Pronor do Grupo Mariani, hoje a Isopol. A aquisição da Policarbonatos do Brasil vai ampliar em cerca de R$120 milhões o faturamento do Grupo Unigel na Bahia, indicador de que a holding deverá registrar no final deste ano faturamento da ordem de R$ 1 bilhão. Em 2004, o conjunto das operações das quatro empresas baianas do Grupo Unigel somou R$ 800 milhões. Mercado – As vendas da Policarbonatos no mercado interno, ainda restritas aos graus extrusão e injeção, somam 7 mil t/ano das 15 mil t/ano produzidas e equivalem a 30% da totalidade do mercado, estando nesta soma incluída a demanda do grau óptico. As restantes 8 mil t/ano são exportadas para Europa, Estados Unidos e América Latina. Desde 1996, parte da produção (2,5 mil t/ano) é transformada na própria Policarbonatos, mediante extrusão, em chapas para usos na construção civil, peças de sinalização, e equipamentos de segurança, dentre os quais o “vidro à prova de bala” tão em moda no Brasil, usado nas blindagens de carros civis e militares. Nos países de clima temperado o maior nicho de mercado, equivalente a 20% a 25%, é a construção civil, que demanda as chapas, planas ou corrugadas, em envidraçamentos, telhados e coberturas transparentes de pavilhões, instalações esportivas, green houses, etc. São apresentadas como opção 250 vezes mais resistente ao impacto do que o vidro e transparência de mais de 90% da luz. “Mas, aqui, o nicho da construção civil representa só algo em torno de 10%”. O interesse maior dos brasileiros seria reduzir a solarização, e não aumentar a luminosidade natural nos grandes interiores. “Evitamos o sol”, resume Catalan. Importante nicho é o automotivo, que responde por mais de 8 mil t/ano, algo em torno de 40% das 21 mil t/ano, e usa PC na produção de faróis, incluindo o corpo e as lentes, estas antes feitas de vidro e hoje totalmente convertidas para o plástico; e também de lanternas traseiras, sinalizadores, peças da iluminação interna e do painel, maçanetas e outros componentes. Na Bahia, a sistemista da Ford Bahia que produz faróis e lanternas representa de 10% a 15% das vendas da Policarbonatos no nicho automotivo. Fatia comparável ao automotivo está na indústria eletrônica, onde o policarbonato é concorrente e aliado do ABS. Em determinadas aplicações a concorrência é direta e excludente, mas em outras tantas, a alternativa que prevalece é a blenda composta de PC mais ABS. “O PC contido nesta blenda equivale entre 20% a 25% das vendas totais”, avalia Catalan. “O PC perde a transparência e assegura maiores resistências térmica e mecânica”. Há também um diversificado campo de aplicações relacionadas à segurança e à suprema resistência ao impacto, a exemplo de escudos transparentes usados por policiais para conter distúrbios sociais, capacetes para todos os usos, janelas de trens e aviões, e até mamadeira de bebês. Mais resinas – Além da Policarbonatos do Brasil, o Grupo Unigel mantém na Bahia 100% do controle de outras três fábricas: Acrilonitrila do NE (Acrinor), Proquigel Química e Resabras. Na Acrinor, está investindo R$ 250 milhões para elevar a produção de acrilonitrila de 90 mil t/ano para 200 mil t/ano – elevação que refletirá, proporcionalmente, na atual produção de 15 mil t/ano do importante subproduto ácido cianídrico (HCN). Graças à expansão, a Braskem assegura fornecimento de propeno, a matéria-prima correspondente a 70% da formulação, complementada com a amônia procedente da Fafen (Petrofertil). Segundo Catalan, cerca de metade da acrilonitrila é exportada para o Sudeste asiático, para produções de ABS e SAN, fibras para a indústria de fiação e tecelagem, tintas, e artefatos decorativos (copos, jarros, bandejas, etc.). Na Proquigel Química, (ex-Metacril), estão sendo investidos R$ 220 milhões para elevar a produção de sulfato de amônio de 150 mil t/ano para 265 mil t/ano. A empresa é produtora de sulfato de amônio, fonte de nitrogênio e enxofre que registra demanda interna de 1 milhão e 300 mil t/ano, das quais um milhão de importações. Além de entrar na composição da formulação NPK, o sulfato de amônio é usado diretamente na fertirrigação. “A uréia contém mas nitrogênio, mas não tem enxofre e é mais volátil”, ressalta o diretor superintendente desta empresa, Roberto Fiamenghi. Em julho de 2004 houve a partida do cristalizador (reator) que possibilitou o aumento da produção de sulfato de amônio, de 100 mil t/ano para as atuais 150 mil. O cristalizador de fabricação francesa, medindo 18 metros de altura e pesando 42 toneladas de ligas especiais, é um dos maiores em atividade no Brasil. A Proquigel ainda produz acetona cianidrina (40 mil t/ano), cianeto de potássio (10 mil t/ano), metacrilato de metila e polimetacrilatos (40 mil t/ano). Entre as matérias-primas destas produções estão o metanol e o HSO4, produzidos na Bahia, na Metanor e na Caraíba Metais respectivamente, e a acetona, que chega de São Paulo, da Rhodia. A Resabras é produtora de resina acrílica granulada (15 mil t/ano), usada na indústria automotiva, especificamente na fabricação de lanternas e visores internos, e de chapas acrílicas (16 mil t/ano), estas destinadas à construção civil, comunicação visual, como barreiras acústicas e em coberturas. Mais de dois terços da resina acrílica granulada que entra nos automóveis e outros veículos produzidos no Brasil procedem da Resarbras. “O restante é importação”, informa Fiamenghi. As chapas são produzidas em duas linhas, ambas de 8 mil t/ano: a baseada na extrusão – única do Hemisfério Sul – e a cast, quase um artesanato produzido sob medida (taylor made). Sinergia – Na Proquigel, as produções
de acetona cianidrina e cianeto de potássio possibilitam o aproveitamento
do HCN da Acrinor e evitam o risco potencial que seria transportar este
subproduto. O HCN chega à Proquigel por uma tubovia. Além das quatro fábricas 100% sob controle, a holding Unigel tem na Bahia participações societárias de 25% na Engepack, produtora de pré-formas de PET, e uma sociedade na Latapack, produtora de latas de alumínio para cerveja e refrigerante.
José Valverde |
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