Setor prospecta negócios na feira metal-mecânica

Plástico acirra a briga para substituir metal

Texto e fotos Fernando Cibeli Castro

A14º Feira de Subcontratação e Integração Industrial – Mercopar 2005 promete gerar negócios ao redor de R$ 57,7 milhões ao longo de 2006. Realizado nos pavilhões da Festa da Uva em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, de 18 a 21 de outubro, o evento revelou indicadores de crescimento de 15,4% em relação ao volume de negócios realizados na edição 2004. Em transações diretas, 368 expositores presentes fecharam R$ 48,1 milhões, 20,2% de aumento em
comparação com o ano passado.

Orlando Marin, presidente do Simplás (Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho), é só elogios para a Mercopar. “É sempre um evento de negócios dos mais positivos”. Embora a maioria das empresas da Mercopar seja originária do setor metal-mecânico, Marin destacou a presença de 12 ligadas à terceira geração petroquímica entre transformadores, fabricantes de moldes, ferramentas, fixadores, trocadores rápidos de moldes, desenvolvedores de polímeros de alto desempenho, máquinas e equipamentos.

Segundo Marin, a Mercopar difere das feiras setoriais porque é um evento no qual os visitantes vão para comprar ou encaminhar pedidos desde pequenas peças, partes de um sistema industrial, um equipamento, uma máquina ou uma linha de produção completa. A grande virtude para o setor plástico é a presença de técnicos, empresários e engenheiros interessados em conhecer as possibilidades de substituir materiais convencionais em aço pelos plásticos de engenharia e alto desempenho.

“Não é uma feira de segmento, mas sim um evento de prestação de serviços com compra de produtos. Para os transformadores de plástico, o público alvo são aqueles industriais preocupados em fazer algo novo”. Na opinião de Marin, a indústria pesada começa a vislumbrar a alternativa da termoplastia para produzir peças, componentes e sistemas com necessidade de alta resistência a abrasão.

As afirmações do presidente do Simplás vão ao encontro de Eduardo Brocca, da Autotravi, um centro de excelência em manipulação molecular de polímeros, desenvolvimento de moldes e de peças finais. A empresa levou à Mercopar um sistema de bicos de mangueiras para condução de petróleo bruto em Tranyl, um náilon proveniente da caprolactama com propriedades superiores às poliamidas 6 e 6.6, diz Brocca. Para isso, a Autotravi tem dois reatores, onde processa o material.

Os semi-acabados em Tranyl têm ampla aplicação nas indústrias de bens de capital, mecânica, aço, metalurgia, naval etc. O polímero é processado em três configurações. O P é náilon puro fundido para aplicações gerais. O L é fundido com camada interna de óleo lubrificante e estabilizador para uso de peças usinadas de grande precisão. O Tranyl M é fundido com dissulfeto de molibdênio para obtenção de peças usinadas de grande precisão, na cor preta, capaz de suportar estrutura de uma tonelada como uma mangueira para aspirar petróleo.

“Comparado com os náilons de injeção e extrusão, o Tranyl supera em propriedades como melhor tensão à tração, compressão, maior módulo de elasticidade e resistência superior ao calor, isto devido a maior cristalinidade e peso molecular”, salientou Brocca. No seu entendimento, novos mercados estão se abrindo com o material, já que o de máquinas agrícolas não dá sinais de recuperação no sentido positivo. Por isso, um evento com processo de compra e venda mais objetivo ajuda essa prospecção de novos mercados.

A Petrobras já está usando os bicos de mangueira para circulação de óleo fabricados em Tranyl, assegurou o executivo da Autotravi. Neste aspecto, ele considera a Mercopar uma excelente vitrine para quem opera com tecnologia de ponta em termoplastia. “As pessoas vêm para comprar ou muito próximas da decisão”, relatou Brocca, ao destacar, ainda, o interesse de um fabricante de equipamentos de medicina nas soluções da empresa para a produção de peças em polietileno de ultra alto peso molecular capazes de suportar temperaturas de autoclavagem até 300ºC em substituição a produtos normalmente obtidos em aço inox.

 
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