Fonte: Siresp

Prejuízo em cadeia – A ponta também sofreu reflexos desse movimento. “Preocupa muito a liquidez dos nossos clientes, que estão com margens baixas, muita competitividade e dificuldade para se manterem de pé; as indústrias estão se deteriorando”, esquadrinha o diretor comercial da Resinet Jaime Utrera. O diretor da SPP compartilha a opinião. Para Bazan, o transformador sofre problema idêntico ao do distribuidor: vender no prejuízo ou margens muito baixas. “Esse efeito gera inadimplência”, alerta. Os diretores da Replas sentiram o problema na pele: “Um dos grandes problemas que sentimos foi o aumento da inadimplência por parte de algumas empresas de transformação menos estruturadas”, informam Marcos Prando e Marcelo Prando.

Além do vaivém de consumo e preços, o mercado varejista convive com outra dificuldade: a alta concorrência. Há excesso de empresas vendendo resinas no mercado, afirmam em unanimidade os distribuidores. “É muito grande o número de empresas para o tamanho do mercado hoje, que acredito seria bem atendido com a média de 15 na área das commodities, mas hoje são cerca de 40 e o mercado não comporta”, avalia Bazan.

Na opinião do diretor da Piramidal Wilson Cataldi, o excesso de empresas atuantes no mercado é uma das causas das margens estreitas. “Todo mundo esperou começar o ano e parece que ainda não começou, não sentimos aquecimento e os meses que sentimos melhora foram os que precederam aumentos de preços; o mercado está lento, muito concorrido, com margens pequenas e foi ano de muita luta para manter a participação no mercado.”

Agora preço sobe – O ideal seria a estabilidade nos preços, que permite programações equilibradas junto aos clientes e fornecedores, bem como crescimento estável. Mas como o mercado brasileiro está inserido num contexto global, sujeito aos humores da política e economia mundial, o jeito é ajustar-se à flutuação, usufruir as vantagens e contornar as desvantagens dos períodos de baixa e de alta. “A queda nos preços provoca prejuízos nos resultados, já o aumento prejudica o volume, mas melhora os resultados”, pondera Eduardo Sonesso, diretor da SM, de São Paulo. O mercado conviveu de seis a sete meses com queda sistemática de preços e resultados ruins, e só começou a reverter a partir de julho. “Mas não acredito que se sustente por muito tempo, porque os investimentos estão estagnados”, diz cético Bazan.

O mercado conviveu de seis a sete meses com queda sistemática de preços e resultados ruins, e só começou a reverter a partir de julho. “Mas não acredito que se sustente por muito tempo, porque os investimentos estão estagnados”, diz cético Bazan. Cuca Jorge

Mason: setor ganhou qualidade e profissionalismo

O presidente do Siresp enxerga a situação diferente. Roriz conta com um final de ano forte, em especial outubro e novembro. Consultores internacionais sustentam seu otimismo, com projeções alvissareiras de recuperação das margens em 2006. Além disso, com a cotação da nafta descolada do petróleo, que embute especulação, a tendência agora é de os preços das resinas refletirem a relação direta oferta/demanda, acredita Roriz. Os indicativos levam a crer num momento bem favorável para recuperação de margens. “O estoque na ponta está muito baixo, e as vendas, altas”, avalia.

 

 
  <<< Anterior
Próxima >>>