Mercado de resinas sinaliza ciclo de alta Após tocarem o fundo do poço, demanda e preços recuperam
o fôlego e sobem Maria Aparecida de Sinistro Reto Margens cada vez mais apertadas, excesso de empresas no mercado e flutuação acentuada nos preços das resinas, consenso no mercado varejista, esse cenário arrepiou distribuidores, revendedores (sem bandeira oficial) e os transformadores ao longo deste ano. A situação mais crítica, porém, revelou-se no primeiro semestre, quando a demanda e os preços despencaram, com poucos sinais de recuperação no curto prazo. E assim foi. Só a partir de julho o mercado sinalizou alguma reação e acabou favorecido por um infortúnio: os furacões que assolaram os Estados Unidos e assombraram o mundo pelo tamanho da fúria. A natureza revolta devastou refinarias de petróleo e interrompeu quase toda a produção de petróleo no Golfo, escasseando a fonte principal de matéria-prima para fabricar plástico. Assim recomeçou o ciclo de alta na demanda e preços das resinas: mercado comprador, inclusive o doméstico, e estoques no fundo do poço, propiciando a recuperação nos preços. Tanto o período de baixa como o de alta apresentam prós e contras, e o mercado varejista experimentou de tudo ao longo do ano. A fase de declínio marcou o primeiro semestre. A queda acentuada na compra de resinas e nos valores pagos por elas desencadeou uma onda de inadimplência, perda sensível de capital de giro e margens muito estreitas. “Embora a demanda interna estivesse boa no primeiro semestre, houve muita desova de estoques acumulados no último trimestre de 2004”, comenta José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Siresp – Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas. No final do ano passado, formou-se uma bolha de demanda com a expectativa de forte pressão nas cotações do petróleo, o que desencadearia disparada nos preços das resinas. O petróleo não chegou às alturas como esperado e os traders, superabastecidos, despejaram resina no mercado. Resultado: os preços das resinas despencaram. Essa queda de preços dos produtos pegou os varejistas com estoque caro e os obrigou a um exercício de malabarismo no repasse. A redução nos lucros foi conseqüência natural. “As margens estão cada vez mais apertadas e são necessários investimentos para manter a competitividade”, pondera Ricardo Mason, diretor da Fortymil, de Itatiba-SP. “Temos que vender estoque no prejuízo ou com margens muito baixas”, endossa Amarildo Bazan, da SPP Resinas, da Capital. “Quem tem estoque elevado com preços altos precisa livrar-se rápido para adquirir produto com preço menor, é prejuízo imediato”, completa João Miguel Thomé Chamma, gerente nacional de negócios da Ipiranga Comercial, também instalada na Capital. Também o gerente comercial da Clion, de Mauá-SP, Alexandre Ribeiro do Couto pinta um quadro negro do setor no primeiro semestre do ano, com queda de preços, instabilidade econômica, mercado externo turbulento, e excesso de oferta de produtos, o que promoveu o caos em todas as empresas distribuidoras, na avaliação dele. “O custo do produto em estoque estava sempre mais caro que a reposição e o mercado exigia um preço mais baixo ainda. Pior: Acabava encontrando”, desabafa. Diretor comercial da baiana Sasil, de Salvador, Fernando Caribe igualmente pincela o quadro com tintas escuras: “Este ano está sendo muito difícil até agora, pois a queda vertiginosa dos preços no primeiro semestre impôs perdas devido à desvalorização do estoque.”
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