Sobra máquina e falta mercado para os tubos

Baixa demanda provoca até 40% de ociosidade entre os produtores locais de extusoras

Simone Ferro


Fraco desempenho marca produção de tubos no ano

Os fabricantes brasileiros de extrusoras convivem há pelo menos cinco anos com a ociosidade das indústrias de tubos e conexões e com o fraco desempenho das áreas de saneamento básico e construção civil. O quadro beira o dramático, com a capacidade de produção nacional das máquinas direcionadas a esse segmento superior à demanda em até 40%.

Resultado: não há perspectivas de investimentos no curto prazo. “A principal parcela dos negócios de extrusoras em 2005 ocorreu em função de novos desenvolvimentos”, afirma o gerente de vendas da Krauss Maffei, Bruno M. Sommer.

No mercado brasileiro de tubos e conexões reina o PVC, ao lado dos polietilenos, mas alternativas como os tubos de polipropileno do tipo random, da Amanco, de Joinville-SC, ou de polietileno tereftalato (PET) e algumas blendas já em uso tanto em tubos como nos demais segmentos da extrusão, representam o principal filão para incrementar as vendas de máquinas e equipamentos.

Mesmo assim, a velocidade de adequação do mercado brasileiro às novidades e potencialidades do setor deixa a desejar. “A extrusão de perfis para a fabricação de janelas prometeu mas não deslanchou”, diz Sommer. O produto ainda é uma opção cara em relação ao alumínio e à madeira, e não atingiu a qualidade necessária para conquistar a preferência da classe AA, principal motor das vendas. “As expectativas são boas, mas os negócios ainda não se concretizaram.”

Água quente – A substituição do cobre nas tubulações de água quente também aquece as expectativas dos fabricantes de extrusoras para plástico. Os canos de cobre representam cerca de 95% desse atraente mercado, segundo estimativas de Sommer. Os 5% restantes são atendidos pelas importações e por tubos nacionais como o de PPR da Amanco. A empresa produz com extrusora monorosca de 75 mm da Krauss Maffei. A Tigre oferece os tubos de PVC importados.

Na edição de 2004 da Interplast – Feira de Tecnologia do Plástico, a Miotto, de São Bernardo do Campo-SP, apresentou uma linha completa para extrusão de tubos com polietileno reticulado (PEX-B), reforçado com silanos na forma de masterbatch. A iniciativa contou com a parceria da GE Advanced Materials-Silicones no desenvolvimento da resina.

De acordo com o diretor presidente da empresa Enrico Miotto, os tubos podem ser utilizados para calefação, transporte de água quente para aquecedores e também na distribuição de água potável para residências e prédios, e resistem até 110ºC. “O objetivo é oferecer um produto similar aos importados.” O Brasil compra no exterior os tubos de PEX-B.

A linha da Miotto engloba extrusora monorosca, modelo EM-03 com motor e inversor de freqüência, alimentação de quatro materiais com as dosagens gravimétricas, medidor e controlador de diâmetro, bomba dosadora de engrenagem para polímeros, banho a vácuo e resfriamento, puxador modelo IMB1- DM, com fechamento pneumático e bobinador duplo BDT- 1000-32.

“A linha, própria para ser utilizada na fabricação de rolos de até 1.000 mm de diâmetro x 300mm de largura, conta com uma série de inovações tecnológicas, além de ótima relação custo/benefício”, assegura Miotto. Segundo ele, a principal resistência à tecnologia refere-se à dificuldade de reciclagem do material, pois a adição de silanos e outras cargas atribui características de termofixo ao PE.

 

 
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