Até mesmo por conta dessas particularidades, a venda do aditivo é bastante técnica e requer conhecimentos específicos sobre o produto. São muitas as variáveis a serem consideradas, como o tipo de polímero e sua estabilização básica, se há a presença de carga mineral ou de pigmento, qual a vida útil desejada para o produto final e quanto tempo este ficará exposto às intempéries, entre outros fatores. "É fundamental conhecer a aplicação final, para fazer uma formulação otimizada", comenta Nilson Cruci, gerente de vendas da área de aditivos para plástico da Ciba Especialidades Químicas. Os absorvedores UV e os Hals podem ser combinados, de forma sinérgica, nas formulações. Mas essa mistura por si só não garante o sinergismo, que também pode vir a ser negativo, caso seja feito de forma inadequada. Além disso, em muitos plásticos a aplicação requer só um dos produtos. Cruci exemplifica: "Em embalagem para cosmético utiliza-se só o absorvedor para proteger o conteúdo e no caso de um pára-choque pode-se optar por usar apenas Hals". As aplicações ditam quais os produtos mais consumidos. Boa parte do mercado concorda que hoje os Hals detêm a maior demanda.

Valor ao plástico - A luta contra a passagem inexorável do tempo está acirrada. Os produtores de aditivos que o digam. Classificadas na categoria de produtos antienvelhecimento, as formulações atuais vão além da sua capacidade de prolongar a vida útil dos polímeros. Os novos desenvolvimentos tornam o plástico funcional, na medida em que também podem enobrecer o produto e até mesmo melhorar a qualidade do conteúdo embalado.

Para Liliana, ao conseguir aumentar a vida útil e evitar as mudanças organolépticas dos produtos finais, os absorvedores ou filtros podem ser considerados importantes aditivos dentro do conceito de "plásticos inteligentes". Pode-se aumentar em 50% a vida útil de um alimento, por exemplo, se a embalagem conter os absorvedores ou filtros ultravioletas. Na avaliação dela, estes produtos agregam funcionalidade ao polímero. "Uma coisa é estabilizar o polímero para que não perca suas propriedades e outra, é fazer um plástico inteligente capaz de contribuir no bloqueio à radiação UV", comenta.

Outro exemplo fica por conta dos aditivos voltados para a plasticultura. Na avaliação da engenheira, neste caso, os absorvedores UV têm como função proteger a cultura de enfermidades e melhorar a qualidade de coloração das plantas. Ou seja, muito mais do que um agente de proteção, o filme plástico passa a contribuir com melhorias para a própria plantação. "Quem diria há alguns anos que se falaria de aditivos que capturam ou transformam a luz e o calor, de modo a acelerar e fortalecer o crescimento de plantações, como as rosas da Colômbia e as bananas da Costa Rica", comenta o responsável pelo marketing da Macroplast Hermann Schumacher.

Tendências - Os novos desenvolvimentos de produtos têm movimentado o mercado de aditivos, tanto no que concerne ao aumento do volume, como à sua sofisticação. As moléculas respondem à necessidade de eliminar as interferências negativas do antiUV com outros aditivos presentes na matriz polimérica, bem como de outros componentes do produto final. "Esses são o caso dos retardantes à chama e do cloro em piscinas de vinil, além dos agroquímicos que desativam os fotoestabilizantes convencionais", exemplifica Cruci. Para ele, as novas gerações de aditivo antiUV priorizam atuações mais eficientes durante o processo de estabilização e proteção a comprimentos de onda que até então outros aditivos não abarcavam. Entre as inovações, a Ciba, de São Paulo, destaca os estabilizantes à luz ultravioleta com resistência a halogênios e ao enxofre.

Em evidência, as aplicações agrícolas respondem por grande parte da demanda atual do setor. Por isso, os desenvolvimentos se voltam para esta área, como é o caso da Ciba. No ano passado, a empresa apresentou ao mercado moléculas de estabilizantes à luz com alta resistência a produtos químicos. O aditivo, ao contrário dos convencionais, não tem seu desempenho afetado pela ação dos defensivos agrícolas. "O produto faz o plástico resistir às radiações solares mesmo em condições críticas de uso de pesticidas", afirma Cruci. Para filmes destinados a estufas agrícolas, a novidade fica por conta do Smartlight. Apesar de não ser um fotoestabilizante, o produto utiliza-se da luz para agir como promotor de crescimento das plantações. Testado no cultivo de rosas, o aditivo potencializa o crescimento da flor e melhora a qualidade do produto final, ofertando flores maiores e caules mais grossos. Em linhas gerais, esse desenvolvimento transforma os comprimentos da luz solar que a planta não utiliza para comprimentos os quais a planta precisa para fazer fotossíntese.

A Macroplast, de São Bernardo do Campo, assim como a Ciba, aposta no potencial desse ramo de atividade. "No setor agrícola, identificamos uma das mais proeminentes aplicações de fotoestabilizantes", afirma Schumacher. Martins, no entanto, diverge dessa opinião. Para ele, o mercado automotivo representa o principal mercado para a aditivação antiUV no País e não a área agrícola. "O Brasil ainda não responde pelo consumo de grandes volumes, ao contrário de outras partes do mundo", justifica.

 

 
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