A questão de logística também desempenha importante papel no setor. “Necessitamos do nosso fornecedor aquilo que os nossos clientes precisam e, nesse aspecto, a eficiência operacional, confiabilidade na entrega e custos de transportes otimizados e competitivos são fatores chaves de sucesso”, diz Nicolosi. Ele ainda considera fundamental contar com suporte técnico no pré e pós-venda, com pessoal treinado e capacitado. Além de compostos, a empresa também é tradicional produtora de blendas, masterbatches, e resinas coloridas, além de distribuir resinas.

Outra necessidade levantada pelos produtores de compostos diz respeito à pureza da carga mineral. Quanto mais puro o talco, melhor a resistência à termo-oxidação do composto e melhor a estabilização de cor, justifica Decarli. Na opinião dele, os fornecedores locais de talcos e carbonatos de cálcio evoluíram bastante no quesito. “Mas ainda há um bom caminho a ser percorrido quando comparado aos talcos importados”, diz. O talco fino também faz grande diferença para conferir à peça resistência ao risco. Quanto mais fino o tamanho da partícula, mais “lisa” ficará a superfície da peça e, portanto, melhor sua resistência ao risco.

Revolução industrial – Palavra de ordem do dia em pesquisa e desenvolvimento, a nanotecnologia envolve o mundo das partículas invisíveis a olho nu, na escala bilionésima do metro, promovendo largo salto tecnológico em todos os campos da indústria. “O entusiasmo com os nanocompósitos é tanto que já há gente afirmando ser possível construir um avião totalmente de plástico”, cogita Decarli. Os nanocompósitos prometem revolucionar a engenharia de materiais e, em dez anos, deverão movimentar algo em torno de US$ 1 trilhão, estima. “Enquanto os compósitos tradicionais usam em média 20% a 40% de carga mineral, os nanocompósitos necessitam de apenas 5%, sendo, portanto, mais leves e fáceis de moldar. Outra vantagem da menor incorporação de cargas é a maior facilidade para reciclagem”, compara.

Algumas multinacionais já comercializam produtos na faixa do nanômetro, mas as grandes aplicações ainda estão por sair dos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento. “Obviamente, o Brasil não está no mesmo nível dos países desenvolvidos, mas muitas pesquisas estão sendo conduzidas, por várias indústrias nacionais em convênios com universidades”, testemunha Decarli.

Dedicada à produção de especialidades, a Pepasa Plásticos de Engenharia, de Santos-SP, tem se dedicado ao estudo e desenvolvimento de compostos com cargas nanométricas, revela a diretora superintendente Zoé Moncorvo. “Devemos testá-los ainda neste ano em aplicações especiais”, anuncia. Na opinião dela, só agora o País está acordando no aspecto comercial para os nanocomposites. “Houve recentemente um congresso sobre nanotecnologia com palestrantes estrangeiros e platéia ainda restrita no que se refere a transformadores plásticos.”Segundo ela, alguns trabalhos foram apresentados por dois grandes produtores de poliolefinas, mas ainda no campo da pesquisa, porém visando a aplicações já comuns no exterior.”

Na opinião de Zoé, o mercado interno dispõe de materiais adequados no caso de talco e carbonato de cálcio, empregados nas formulações de compostos carregados de maior consumo. Além dessas cargas, a Pepasa usa ainda wollastonita, bentonita, sulfato de bário, sulfato de cálcio, caulins diversos, cargas metálicas (cobre e bronze), além de alguns tipos especiais, quando necessário. “Essas cargas podem ser utilizadas em praticamente todas as resinas, com predominância nas poliolefinas e poliamidas”, diz.

Partículas nano à vista – Entre as empresas brasileiras de vanguarda no campo da nanotecnologia aplicada às cargas minerais destaca-se a Itatex, de Campinas-SP. A empresa aposta nas nanopartículas desde 2003, quando investiu em novos equipamentos (ver PM 348, de outubro de 2003, página 15) a fim de propiciar tais avanços. No ano passado, injetou mais R$ 1,5 milhão em máquinas e equipamentos para ampliação de capacidade e implementação da tecnologia de fracionamento de particulados, usando classificadores de ar, e já planeja para 2006 investir outros R$ 2,0 milhões em novos projetos de pesquisa, desenvolvimento e adequação de sua infra-estrutura tecnológica, anuncia o assessor técnico Ricardo Aurélio da Costa.

Além de único produtor nacional de caulim calcinado, a Itatex domina a tecnologia de revestimento das micropartículas com silanos. Os investimentos contemplam projetos antecipados em 2003 pelo diretor da empresa Antonio Alonso Ribeiro, que anunciava sua intenção de migrar para as nanopartículas com organo-silanos.

Paulo Igarashi

Costa: investimentos para 2006 prometem novidades

Sem especificar detalhes, Costa informa que os investimentos programados para o próximo ano envolvem a obtenção de argilo-minerais lamelares intercalados com sais orgânicos, polieletrólitos e ionômeros; síntese de zeólitas, a partir de argilo-minerais, para obtenção de particulados revestidos superficialmente com células nano-estruturadas; e ainda processos de obtenção de argilo-minerais de alta estrutura e de nanopartículas.

Especialidade da Itatex, os silicatos calcinados desempenham diversas funções quando adicionados aos plásticos. Como ótimos absorvedores de radiação infravermelha, conferem aos plásticos agrícolas usados como cobertura nas casas de vegetação melhor controle da temperatura local – impedem aquecimento excessivo durante o dia, e perda significativa de calor durante a noite. Revestidos com ácidos graxos, os silicatos calcinados atuam como antibloqueio e evitam a auto-aderência de filmes ultrafinos para embalagens e podem ser usados sem restrições no contato com alimentos.

 
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