Indústria reivindica partículas mais finas e preços competitivos

Avanço é lento mas já ensaia passos no
campo nanotecnológico

Maria Aparecida de Sino Reto

Vencida a pecha de “puro enchimento” ou produto barato para reduzir o custo final das peças, resta agora às cargas minerais superar barreiras de demanda e alcançar a tecnologia do primeiro mundo. A principal discussão nesse campo hoje se volta para o tamanho das partículas, com desenvolvimentos na casa do nanômetro. Empresas de vanguarda fincadas no País já esboçam iniciativas nesse sentido. Apostam em investimentos, com um pé no mercado internacional, e outro pisando ainda de leve no doméstico. Esse movimento promete boa repercussão junto aos fabricantes de compostos mais exigentes, sobretudo comprometidos em atender especificações da indústria automobilística. Desafio maior ainda será atender outra reivindicação do setor de compostos: conciliar produto de ponta a preço competitivo.

Sediado na Dinamarca, com atuação em vários países e fábrica em Itatiba-SP, fruto de joint venture com a então OPP, hoje Braskem, o Grupo Borealis trata do assunto com conhecimento profundo de causa, por ser fabricante global de compostos de polipropileno, forte usuário de cargas particuladas dos tipos talco e carbonato de cálcio. O maior volume de PP/talco destina-se à indústria automobilística, em aplicações como painéis de instrumentos, laterais de porta, pára-choques, spoilers, e caixas de ar, entre outras, informa José Roberto Decarli, gerente de R&D e Assistência Técnica da Borealis Brasil. Os desenvolvimentos contemplam talcos finos, com tamanhos de partículas em torno de 10µm, que melhoram propriedades mecânicas, o acabamento superficial e a resistência ao risco. “Essa tem sido uma limitação para os componedores; o mercado brasileiro ainda carece de talcos finos a preços competitivos”, comentou. Sua queixa se justifica pelo fato de o mercado atual de compostos de PP ser um dos mais competitivos, exigindo constante redução de custos.

Na Europa, a Borealis entrou no campo dos microcompósitos com a linha Borcom, compósitos com talco de tamanho de partícula muito pequeno, resultando em elevada rigidez, anuncia Decarli. Ele explica que, por usar talcos muito finos, consegue rigidez comparável ao compósito com talco grosso, porém, usando menor porcentagem do mineral. Como resultado, obtém peças mais leves, um dos grandes objetivos das indústrias automobilísticas: reduzir o peso dos carros. “No Brasil ainda não existe nenhum lançamento nesse segmento, devido à falta fornecimento de talcos finos a preços competitivos”, pondera.

Os custos ainda impedem os produtores nacionais de alçar vôos mais altos, confirma Fernando Nicolosi, diretor geral da Macroplast, com unidades em São Bernardo do Campo-SP e Indaial-SC. “Os custos de algumas cargas minerais ainda nos dificultam exportar compostos”, lamenta, embora considere que as matérias-primas tenham dado um salto significativo em qualidade.

“Obter produtos que confiram melhor perfomance, se possível reduzindo o custo final da peça dos nossos clientes, é o ponto chave das solicitações que fazemos, como tratamentos e distribuição de tamanho de partículas de cargas minerais, e novos aditivos retardantes à chama que atendam novas especificações globais”, requisita Nicolosi.

Cuca Jorge

Nicolosi: custo difilcuta exportação de compostos

Com mais de 30 anos de atuação no ramo, a Macroplast produz compostos especiais com diversos tipos de cargas minerais, como carbonato de cálcio, talco, sílica, ferrite, negro-de-fumo, óxido de antimônio, fibras e esferas de vidro, informa o diretor. Os compostos de polipropileno com carbonato de cálcio e talco, pré-coloridas ou naturais, atendem segmentos como eletrodomésticos e eletrônicos, entre outros. Nicolosi também destaca as linhas de PS retardantes à chama, direcionadas em especial às indústrias eletroeletrônica, de comunicações e eletrônicos de consumo.

 

 
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