CRISE POLÍTICA PREOCUPA O SETOR

As lideranças do setor plástico não pouparam críticas aos ocupantes dos gabinetes de Brasília. Para o presidente do Simplás Orlando Marin, apesar do sucesso da Tecnoplast, o momento é preocupante porque o País enfrenta o enfraquecimento das instituições políticas. “A cada mês o País registra superávits primários, recordes de arrecadação e crescem as taxas, os tributos”, reclamou o presidente do Simplás, ao condenar também a pesada carga tributária imposta pela política econômica.
A instabilidade motivou inclusive uma reunião emergencial liderada pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e do Sindiplast de São Paulo Merheg Cachum, da qual resultou um manifesto sobre os reflexos da conjuntura política e econômica para o segmento. 
Cachum denuncia: chineses vem ao Brasil pegar desenho de peças

Segundo Cachum, o primeiro semestre registrou queda de 20% a 35% da atividade produtiva da transformação ocasionada por fatores como a instabilidade política, a oscilação do preço do petróleo, a pesada carga de impostos, a taxa do dólar fora da realidade e a entrada de produtos da China e da Índia. 

“Lamentavelmente o Brasil é campeão das coisas ruins, da corrupção, dos juros altos, da carga tributária elevada. É preciso afastar essa onda para o País voltar a crescer de maneira harmônica”, desabafou Cachum.

Ele ainda denunciou que transformadores chineses estão vindo ao Brasil pegar desenho de peças. Enviam projetos pela internet e importam os lotes a preços subfaturados. “Estou falando disto há mais de um ano”, ressaltou. “No Chile os empresários compram as máquinas com juros de 2% ao ano. O Brasil fica sem chance de competir. É preciso urgentemente entrar num regime agressivo de reação da economia como estão fazendo China e Índia. Ou o Brasil faz a lição de casa ou teremos mais uma década perdida. O que gera a informalidade é o sistema tributário selvagem. Outro problema é o petróleo num patamar insustentável”.

O presidente da Abiplast sonha até com uma fórmula mágica na cartola para reanimar a petroquímica. Em sua opinião, a Petrobrás deveria usar dois pesos e duas medidas às vésperas de atingir a auto-suficiência na produção de petróleo, o que consistiria em construir uma engenharia de preços interna abaixo do mercado internacional como forma de reduzir os custos dos derivados e outro equalizado aos valores internacionais para a exportação. 

Na opinião do presidente da Abiplast, seria uma forma de aumentar o consumo em diversas pontas. “Trata-se de uma das empresas das mais lucrativas do País e das que mais cresce hoje no mundo, poderia perfeitamente criar um sistema de proteção da economia nacional”. Numa situação dessas, raciocina Cachum, haveria uma queda de preços das resinas, tintas, vernizes, plásticos, borrachas, materiais que estão em toda as pontas do consumo. 

Com relação à Tecnoplast, o presidente da Abiplast elogiou a evolução do evento. “As feiras são os melhores veículos para que nós empresários nos conheçamos uns aos outros e para que cada um saiba o que estamos fazendo. É o momento de tomarmos contato com os avanços tecnológicos. Na Brasilplast passaram 60 mil pessoas, quando uma empresa receberá esse contingente de público em sua sede?”, observou. 

Outro a desancar críticas ao governo foi o diretor da Romi Giordano Romi Junior: “O Brasil não é sério sob o ponto de vista administrativo. Nós pagamos 41% de carga tributária e a cada 1% de aumento nos impostos deixamos de gerar um milhão de empregos”, denunciou o empresário. Para ele, o estado brasileiro se tornou uma instituição corrupta e pesada.


O Complexo petroquímico de Triunfo

A Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) é a empresa responsável pela produção das matérias-primas no pólo gaúcho. De acordo com as estatísticas corporativas é classificada como central de grande porte. A Copesul processa 40% do eteno consumido no Brasil, com capacidade instalada de 1,135 milhão de toneladas de eteno/ano. Além de eteno, seu principal produto, a empresa produz propeno, butadieno, benzeno, tolueno, xilenos, MTBE, buteno-1, propano e outros, totalizando três milhões de toneladas anuais de petroquímicos. Mais de 80% são consumidos no Pólo Petroquímico do Sul. O restante é vendido para outros estados do País ou exportado.

Os principais petroquímicos básicos da Copesul são produzidos através do processo de craqueamento térmico, ou seja, da quebra das moléculas das substâncias presentes na nafta, à temperatura de 830ºC em média. O processo ocorre na presença de vapor d’água e baixa pressão, gerando uma série de produtos como eteno, propeno, butadieno 1,3 e benzeno.

A segunda geração petroquímica no Pólo de Triunfo

DSM Elastômeros – Produtora de borracha EPDM, com capacidade instalada de 20 mil t/ano. Recebe da Copesul eteno e propeno. Ocupa oito hectares no Pólo Petroquímico do Sul. Iniciou as operações em 1988.
Innova – Produtora de estireno (ES) e poliestireno (PS), conta com capacidade instalada de 180 mil t/ano de ES e 120 mil t/ano de PS. Se abastece de eteno e benzeno da Copesul. Sua área no Pólo abrange dois hectares. Iniciou as operações em 2000.
Ipiranga Petroquímica – A empresa produz polietileno de alta densidade (PEAD), polietileno linear de baixa densidade (PELBD) e polipropileno (PP). A capacidade instalada atinge 410 mil t/ano de PEAD, 75 mil t/ano de PELBD e 150 mil t/ano de PP. Ocupa 20,5 hectares no Pólo e recebe da Copesul eteno, propeno e buteno-1. Iniciou as operações em 1982.
Braskem – O megagrupo brasileiro produz polietileno de baixa densidade (PEBD), polietileno de baixa densidade linear (PELBD) e polipropileno(PP). Só em Triunfo tem capacidade instalada para 210 mil t/ano de PEBD, 300 mil t/ano de PELBD e 550 mil t/ano de PP, com abastecimento de eteno e propeno da Copesul. É a maior em área no Pólo, com 53,5 hectares. Iniciou as operações em 1983.
Oxiteno – A empresa fabrica o MEK, metil etil cetona. A capacidade instalada chega a 20 mil t/ano, com matérias-primas fornecidas pela Copesul (Rafinado Corte C4). Sua área no Pólo soma 48,6 hectares. Iniciou as operações em 1989.
Petroflex – A empresa, com capacidade instalada 80 mil t/ano, produz a borracha sintética SBR. Recebe da Copesul o butadieno. Sua área no Pólo abrange 51,9 hectares. Iniciou as operações em 1984.
Petroquímica Triunfo – A empresa polimeriza polietileno de baixa densidade (PEBD) e soma capacidade instalada de 150 mil t/ano. Também consome eteno da Copesul. São 28 hectares no Pólo. Iniciou as atividades em 1985. 

Fonte: Copesul

 



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