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Polo Plástico Gaúcho
Rio Grande luta para reconquistar a vice-liderança no ranking nacional do
plástico
Texto e fotos Fernado Cibelli de Castro
O Pólo Plástico do Rio Grande do Sul, assim como São Paulo e a Bahia, conta com a denominada cadeia petroquímica integrada. |
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Com exceção da nafta importada, mantém uma central de matérias-primas de primeira e segunda geração que fornece os produtos necessários ao suprimento da terceira, tais como resinas, aditivos, reforços, pigmentos, cargas e outros produtos. Uma rede de fabricantes de moldes, ferramentas, máquinas, equipamentos e assistência técnica completa o sistema. Em 2004, os transformadores de termoplásticos faturaram R$ 2 bilhões e 2 milhões, de acordo com os dados fornecidos pelo Sinplast (Sindicato da Indústria de Material Plástico do Rio Grande do Sul). Mesmo assim, o estado se manteve na condição de lanterna entre as quatro principais regiões transformadoras do país.
Numa pesquisa montada pela consultoria Maxiquim relativo ao consumo aparente de resinas em 2003, o Paraná ocupa a terceira colocação com 321 mil toneladas e responde hoje por 8% do plástico transformado no Brasil.
O Estado de Santa Catarina é o segundo com 527 mil toneladas (13,1%).
São Paulo lidera disparado com 44%, o equivalente a 1,7 milhão de
toneladas. O Rio Grande do Sul fica na quarta colocação com 7,8%, ou 315
mil toneladas. As regiões restantes são inexpressivas. No passado, ainda
que os valores nominais fossem menores, os transformadores gaúchos
ficavam atrás apenas de São Paulo.
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Atualmente, as lideranças lançam questões filosóficas e de natureza política para justificar a perda de competitividade do Rio Grande do Sul. Orlando Marin, presidente do Sindicato da Indústria do Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), culpa a desavença do passado entre sua entidade e o Sinplast pela queda de produção do setor. Para ele, enquanto brigavam, as lideranças esqueceram de planejar o desenvolvimento e o futuro do setor. Mais um revés enfrentado pelos transformadores gaúchos é a resistência de alguns transformadores originários de outros segmentos econômicos em ingressar para as estatísticas. |
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| Marin: briga sindical arrasou a produção |
Marin cita como exemplo a Tramontina, empresa identificada oficialmente com a metalmecânica, embora produza grandes quantidades de plástico na forma de cabos de talheres, mangueiras, carrinhos de mão, implementos de jardinagem, entre outros. “Eles teriam de criar uma nova razão social. E, isso eles não querem. Preferem que a área de transformação de plásticos permaneça como uma unidade de negócios.”
Outra empresa na mesma situação é a Grendene. Maior fabricante de calçados plásticos do País, é filiada aos sindicatos do setor coureiro-calçadista. Seus números ficam igualmente marginais aos sindicatos de transformação de resinas. Mas esses são apenas dois exemplos bem tangíveis porque se tratam de duas grandes corporações. Existem, porém, pequenas firmas na mesma situação. “Se os números dessas empresas viessem para o nosso lado poderíamos surpreender positivamente”, alega Marin.
Antonio Masignan, presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Vale dos Vinhedos (Simplavi) qualifica o momento de preocupante. “As indústrias da região enfrentam uma forte concorrência dos produtos provenientes da China muito abaixo do preço. Ainda não há demissão porque a mão-de-obra é qualificada e custa caro formar pessoal especializado, mas até o final do ano o setor pode começar a encolher”, adverte. O Vale dos Vinhedos processa 2.100 toneladas por mês, principalmente de polietilenos para embalagens e componentes para móveis.
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Na ótica de José Guilherme Rizzo Fichtner, presidente em exercício do Sinplast, o enfraquecimento do setor não decorre apenas da invasão de produtos estrangeiros, mas também de outros estados. Um estudo já mostrou que 30% dos plásticos consumidos no Rio Grande do Sul vêm de regiões vizinhas dentro do Brasil. “Nós suspeitamos que Triunfo não esteja conseguindo abastecer empresas como a Polo de Montenegro, uma das líderes nacionais em polipropileno biorientado. O mercado deve estar se abastecendo em outras regiões e talvez na Argentina para completar a demanda do estado”. |
| Fichtner: mercado compra de outras regiões |
Aos olhos de quem vê de fora, a queda no consumo de resinas no Rio Grande do Sul pode estar relacionada com o perfil da indústria responsável e pela ausência de segmentos empresariais em ascensão na pauta de exportações do País. Conforme Laércio Gonçalves, diretor da distribuidora Activas de São Paulo, o estado foi no passado seu segundo centro comprador. Hoje, Santa Catarina, em especial a região de Joinville, onde a empresa mantém um centro de estocagem, é mais interessante, porque lá estão concentrados gigantes em seus nichos, como os fabricantes de linha branca, tubos rígidos, motores elétricos e compressores, pesos pesados em transformação de termoplásticos.
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É o caso da Multibras, maior fabricante de geladeiras do mundo, ou a Tigre, líder mundial em tubos de PVC, ou ainda a Amanco, detentora das marcas comerciais Fortilit e Akros, também fortíssima em produtos derivados de resinas vinílicas, ou a Embraco, da área de compressores ou a WEG motores. “A Multibras já não consegue mais produzir todas as peças e componentes das quais necessita para fechar sua grade de produtos, então é obrigada a terceirizar”. |
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| Gonçalves: Santa Catarina passou o Rio Grande do
Sul |
Além disso, explica Gonçalves, tubos de PVC, motores para geladeiras, e peças de linha branca para exportação estão em forte expansão no mundo todo. Isto justifica o maior poder de fogo de Santa Catarina, pelo surgimento de inúmeras empresas satélites para cobrir a demanda dessas empresas, cuja produção interna de peças e componentes está esgotada.
Já no Rio Grande do Sul, raciocina Laécio Gonçalves, há um perfil de empresa mais tradicional como a Marcopolo, a Randon, a Agrale, ou ainda fabricantes de tratores e máquinas agrícolas. O consumo de ônibus e de implementos para agricultura não cresce na mesma proporção que as redes de esgoto e o consumo de geladeiras, máquinas de lavar roupa e fogões. Então, as empresas satélites dessas indústrias não têm como se expandir na mesma velocidade. No entendimento do diretor da Activas, a cadeia produtiva do plástico gaúcha deveria estudar a atração de um novo perfil de empresas menos tecnológicas, mas com mais capacidade de transformar resinas como o vigoroso parque industrial do Sul de Santa Catarina, campeão nacional na manufatura de copos descartáveis por termoformagem.
Mas não é só no consumo de resinas. O estado vizinho parece ter ultrapassado o Rio Grande do Sul em diversos itens vinculados ao segmento plástico. Quem afirma é Giordano Romi Junior, um dos maiores fabricantes de injetoras do País com parque industrial em São Paulo, mas grande conhecedor das duas regiões, por ter vendido nos dois estados centenas de máquinas para a fabricação de peças de precisão. “Neste momento, Santa Catarina vem ultrapassando os gaúchos em fabricação de moldes, em serviços de apoio de transformação, na produção e consumo de máquinas. Especificamente a região de Caxias do Sul ficou estável nos últimos anos”, garante. “A retração deve ter ocorrido na região da Grande Porto Alegre”, desconfia ele.
Para Romi, a taxa de importação do calçado chinês a 7% deve ter contribuído decisivamente para a diminuição do consumo de resinas na abrangência do Sinplast, onde estão situadas as empresas de peças e componentes do setor coureiro-calçadista. “Agora deverá aumentar o consumo na região de Novo Hamburgo porque houve uma pressão em Brasília e o governo taxou o produto asiático em 35%”, informa.
Projetos e alternativas – Preocupados em tentar reverter a queda no consumo de resinas, os três sindicatos do Sul tomaram série de iniciativas no sentido de atrair investimentos para o Estado e ao mesmo tempo melhorar a qualidade da produção em favor da competitividade. Pressionam o governo Germano Rigotto para reduzir de 17% para 12% a alíquota do ICMS cobrada na comercialização da resina, como forma de igualar o tributo com os percentuais de Santa Catarina, outra vantagem com a qual os transformadores vizinhos contam na chamada guerra fiscal entre os estados. Eles pagam 5% a menos do tributo sobre a circulação da mercadoria, o que reflete no preço menor de seus produtos acabados.
Existem ainda ações conjuntas para melhorar a qualidade da produção. Em julho, foram assinados dois convênios: um envolve as entidades sindicais e o Senai, o outro, a Finep. O primeiro visa abrir uma escola para formação de mão-de-obra especializada em linhas de produção.
O segundo finalmente liberou o dinheiro para a compra de uma van na qual será montado um laboratório itinerante equipado com aparelhamento de ensaios físico-químicos. O objetivo é percorrer as pequenas empresas como forma de detectar falhas em peças e nas formulações, nos moldes do Projeto Prumo.
Há ainda um programa voltado ao aperfeiçoamento nas áreas de design, desenvolvimento de peças, colocação do produto no mercado e acompanhamento de seu ciclo de vida. Por último, foi criado o Promatec, que consiste em visitas de técnicos do Senai e Sebrae às empresas para detectar gargalos tecnológicos, perda de produtividade, máquinas obsoletas, procedimentos equivocados na hora de preparar a formulação de uma resina, operação inadequada das ferramentas, formas de evitar desperdícios de matérias-primas e de energia elétrica.
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