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GAÚCHOS GANHAM NOVA FÁBRICA DE NÃO-TECIDO
As máquinas de terraplenagem entraram em operação durante a primeira quinzena de junho na área de 75 m² da principal planta industrial da Fitesa, em Gravataí, município da região metropolitana de Porto Alegre. Com 6 mil m² de área construída, o novo investimento de US$ 60 milhões inclui a compra de uma linha de produção da marca alemã Reifen Häuse. A nova planta irá produzir 15 mil toneladas/ano de não-tecidos, a primeira camada interna da fralda descartável, e irá gerar cem empregos diretos. Trata-se da quarta fábrica da Fitesa, a terceira em Gravataí, onde já existem duas com total de 12 mil m² de área construída. A outra está localizada em Horizonte, Ceará.
O novo empreendimento havia sido anunciado no final do ano passado pelo CEO do Grupo Petropar William Ling, um dos mais dinâmicos empresários em atividade no Rio Grande do Sul com passaporte carimbado em diversos segmentos industriais, desde o refino e exportação de óleo de soja, passando pelo plástico, projetos agrícolas e florestais. Ele alicerçou seu talento empreendedor também na terceira geração petroquímica, onde montou portentoso conglomerado de transformação entre empresas próprias e por meio de uma joint venture com um grupo estrangeiro.
A Fitesa produz duas famílias básicas de produtos, os chamados não-tecidos de polipropileno, os quais atendem desde o revestimento de telhas até máscaras cirúrgicas. Há ainda as fibras de PP, essas vendidas em fardos para a produção de carpetes. “Noventa por cento da produção será direcionada às fraldas descartáveis”, atesta Hermínio Freitas, o diretor-responsável pela operação da Fitesa. Segundo ele, o investimento não é isolado. Pelo menos dois concorrentes diretos também ampliam suas fábricas na Argentina e no Paraná, séria indicação de bons negócios a partir do nicho com fraldas descartáveis.
É justamente a produção de não- tecidos de PP a área com maior demanda de tecnologia. A fabricação é feita em dois sistemas. Conforme Freitas, o processo de produção spunbonded (fiado e ligado) ocorre por extrusão em filamentos espalhados sobre uma esteira onde forma uma manta. O processo começa pelo depósito da resina virgem do silo ao dosador para a preparação da matéria-prima com a colocação de aditivos e pigmentos. A resina é então despejada na estrutura com a qual o material é fundido e posteriormente remetido ao balcão de fiação, onde estão as matrizes ou fieiras.
Ao passar pela fieira, a resina entra numa placa perfurada e transforma-se em uma série de filamentos, depois estirados num sistema de sucção, de tal forma a ser espalhada sobre a esteira para a formação da manta transportada por uma calandra – dois cilindros aquecidos – onde é comprimida e consolidada. O não tecido sai da calandra e, de acordo com a finalidade deve passar ainda pelo aplicador/secador onde são adicionados produtos, chamados de finish (diluídos em água) os quais conferem propriedades especiais. Na etapa final, a manta é enrolada e cortada de acordo com as especificações dos clientes. “É a maneira de fazer pano usando a termoplastia”, resume Freitas. Pelo Spunbonded são obtidos, além das fraldas descartáveis, aventais cirúrgicos e roupas especiais utilizadas em ambientes com alta exigência de assepsia como laboratórios de alta tecnologia para a produção de microchips, circuitos integrados, lentes de alta resolução e sistemas magnéticos.
Já o processo meltblown (fundido e soprado) é semelhante ao anterior, porém com algumas diferenças básicas: a fieira é um bloco com uma fileira única de furos e o material extrudado tem propriedades diferentes, sendo submetido a um bombardeio de ar em alta temperatura. Os filamentos quentes, extremamente finos são depositados em uma esteira transportadora, formando uma manta de não-tecido, e podem ser ou não calandrados. O material assim produzido é enrolado e cortado em bobinas. Dessa forma, resulta em camadas de microfibras com excelente eficiência de filtração, inclusive a microorganismos.
Por meio do meltblown são obtidas máscaras com altíssima barreira bacteriana usadas em blocos cirúrgicos e por pessoas submetidas a tratamentos inibidores do sistema imunológico do organismo como transplantados, pacientes de radioterapia e quimioterapia. O mercado sul-americano absorve 200 mil toneladas/ano de não tecidos em PP, para o qual a Fitesa contribui atualmente numa ordem de 16 mil toneladas/ano.
Ainda assim, há espaço para a exportação de variações desses produtos para os mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia, onde são utilizados na cobertura de pomares e hortaliças como forma de proteger essas culturas da geada sem a perda de oxigenação. Na América do Norte o material tem como finalidade a preservação de jardins durante o rigoroso inverno do hemisfério norte.
Como esclarece Hermínio Freitas, a Fitesa faz parte de um segmento da terceira geração petroquímica da qual não são gerados produtos acabados: “Existe uma indústria de conversão para produzir as mercadorias que chegam na ponta do consumo”, explica.
A Fitesa tem 32 anos de atuação na indústria de transformação. Começou com extrusão de sacaria em ráfia, depois passou para a fibra de carpete. Na ponta da evolução tecnológica, entrou no segmento de não-tecidos em 1984. No entanto, com a fundação do grupo Petropar, passou a integrar a holding.
A Petropar atua ainda no mercado de embalagens rígidas para bebidas por meio de uma joint venture com a norte-americana Crown. Na área de garrafas de PET mantém injeção de pré-formas e sopro no Ceará, Maranhão, Pernambuco, e duas fábricas na região central do Rio Grande do Sul, além de duas linhas para a produção das tampas das garrafas, uma também em território gaúcho e outra no nordeste. Ao todo, a joint venture Petropar-Crown produz 6 mil toneladas/ano de tampas e outras 25 mil toneladas de garrafas sopradas. Em junho último, o grupo anunciou investimentos para construir instalações na capital do Amazonas para montar nova unidade de tampas plásticas. O início da operação está previsto para 2006.
A terceira unidade de negócios do casamento da Petropar com a Crown é uma fábrica de latas de alumínio. A holding atua geograficamente na América do Sul com 854 funcionários. O balanço patrimonial de 2004 registrou ativos de R$ 438 milhões, patrimônio líquido de R$ 255 milhões e vendas líquidas de R$ 402 milhões.
Fernando Cibelli de Castro
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