A Macchi tem solidificado sua marca no Brasil, porém o caminho ainda é longo. Na avaliação de Sapage, o mercado brasileiro prioriza a extrusora monocamada, apesar deste tipo estar quase em extinção na Itália.  Divulgação
Co-extrusora de 5 camadas da Macchi é o destaque da marca

Com produção média de seis linhas/mês, a Macchi se dedica à produção de co-extrusoras de três a nove camadas para filmes tubulares e planos. Em sua carteira de produtos, destaca-se modelo para filmes tubulares de cinco camadas. Segundo ele, a máquina para laminação produz acima de 600 quilos/hora, com resistência ao rasgo e com transparência, entre outras características. Modelos de cinco camadas para laminação são os mais concorridos da marca. Uma das aplicações mais aceitas é o de embalagens para frigoríficos, seja para o mercado doméstico ou para as exportações. “É comum o industrial brasileiro procurar equipamentos para aumentar a quantidade a produzir, ao invés de racionar os processos produtivos”, contesta.

Entre as novidades da marca italiana, ele também menciona as máquinas para produção de filmes de polietilenos metalocênicos puros, na medida em que fabrica linhas para testes destas resinas. Os metalocenos requerem, por exemplo, resfriamento com troca interna de ar e anéis externos de ar gelado.

Na feira alemã K 2004, a Macchi apresentou modelo com cinco extrusoras para plastificação. A máquina possui sistemas gravimétricos em até quatro componentes em cada extrusora e anel de ar com controle de espessura do filme e cesto automático para definição, além de medidor e controlador da espessura, arraste giratório com cilindros refrigerados e bobinador automático com corte, troca e descarga automática, entre outros. De forma geral, as co-extrusoras da marca apresentam menores níveis de tolerância na espessura, planicidade do filme e sem curvatura e velocidades superiores em equipamentos de empacotamento automático, afirma Sapage. 

Outro fabricante que traz na bagagem a tecnologia italiana, a Luigi Bandera, aposta na diversidade. O grupo Bandera é composto por seis empresas dedicadas ao ramo de extrusão e, dessa forma, consegue contemplar as áreas de máquinas para chapas, compostos e blendas, PET, perfis, filmes, entre outros. 

Cuca Jorge Há um bom tempo, na avaliação do responsável pela representação do grupo no Brasil Carlos Soares, a área de tubos de PVC está em baixa, apesar de ser um dos ramos mais significativos para a empresa. Por isso, hoje entre os principais negócios estão as máquinas para filmes multicamadas, chapas e PET. 
Soares aposta na renovação do parque industrial nacional

Dos cerca de 30 mil equipamentos vendidos no mundo, 95 máquinas Bandera estão instaladas no parque industrial brasileiro. Apesar de sua penetração no País, o segmento de co-extrusoras para filmes ainda não se rendeu a essa tecnologia italiana. Há uma explicação: a empresa foca a produção de co-extrusoras para filmes de cinco camadas em diante. 
“O transformador nacional ainda não exige máquinas desse porte”, ressalta Soares. 

Parece que a demanda nacional não sinaliza mudanças. O grupo prevê comercializar três linhas de extrusão neste ano e nenhuma delas é para o segmento de filmes. Neste ano, a Bandera não vendeu suas máquinas no País, mas ainda confia na reativação. “Quando o Brasil começar a renovar seu parque industrial, irá absorver cerca de mil máquinas, só para começar”, constata. 

Novo fôlego - Para Sapage, o transformador ainda opta pela máquina nacional, sobretudo por causa do câmbio, responsável por aumento de cerca de quatro vezes sobre o valor original. “Realmente é um absurdo”, afirma. No entanto, com o câmbio favorável, a empresa já retomou as vendas, a ponto de considerar a instalação de unidade no Brasil. “Agora parece que vamos passar a fabricar aqui”, comenta. 
Apesar de não ter data definida, o grupo planeja abastecer, além do mercado nacional, o sul-americano. 

No início, a empresa irá adquirir da matriz os equipamentos essenciais, como o cabeçote e o cilindro. Mesmo assim, o preço da máquina deve ser reduzido em 50%. “O que é muito técnico viria da Itália”, justifica. 

A Intergrafica Print & Pack, empresa do Grupo Man Ferrostaal, também está motivada. Representante da alemã Kiefel Extrusion, a empresa efetuou, há cerca de um mês, a venda de uma linha de orientação para filmes de cinco camadas. Esse negócio dará fôlego para o gerente do Departamento de Máquinas Plásticas Christoph Rieker fechar o ano aliviado. “Essa foi a nossa primeira venda”, explica. 

Cuca Jorge
Rieker emplaca venda de linha da Kiefel

A Intergrafia Print & Pack representa a empresa alemã há 4 anos. O processo MDO foi um dos componentes que viabilizou a venda, constata Rieker. Novidade no mercado mundial, o sistema consiste numa linha de monoorientação. Através do estiramento de um filme extrudado modificam-se as propriedades mecânicas e ópticas do material, configurando um filme de baixa gramatura e ótimo rendimento. 

As características do filme são semelhantes ao BOPP, com algumas vantagens ligadas a custo e ao desempenho na máquina, no que tange ao envase e à barreira. “Essa tecnologia é muito nova em todo o mundo”, comenta.

Outro facilitador da negociação refere-se ao sistema de financiamento próprio da Intergrafia Print & Pack. Instituto alemão ligado à empresa assegura a negociação sem o intermédio dos bancos. “O financiamento fica mais fácil e prático, dessa forma”, garante. A concorrência local, por outro lado, é o principal obstáculo para a efetiva participação da Kiefel no mercado nacional, aponta Rieker. Para ele, os fabricantes nacionais detêm tecnologia de alto padrão e atendem com excelência à demanda de mono e co-extrusoras de até três camadas, segmento o qual o grupo alemão não foca no Brasil. “Nós nos especializamos em nichos específicos”, ressalta Rieker. Ele se refere à fabricação de máquinas para filmes barreira acima de quatro camadas. A Kiefel produz desde linhas de extrusão simples de uma só camada até linhas de sete e nove camadas. As máquinas podem processar todos os tipos de resinas, como PE, PP, EVOH, PA, PS, EVA e PET. 

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