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Modelo Kiefel de alto desempenho
Tecnologia de ponta atrai mercado comprador
Aumento da demanda de embalagens nobres assegura investimentos em co-extrusoras
Renata Pachione
Mais do que uma técnica de transformação física da resina através do uso de pressão e temperatura, a extrusão de filmes consegue fazer a diferença e agregar valor ao setor de embalagens. Empresas nacionais se aperfeiçoam e as estrangeiras se mostram cada vez mais adaptadas ao perfil do mercado interno.
Neste ano, em particular, fabricantes com atuação no Brasil observam um recuo da demanda. A Rulli Standard, de Guarulhos-SP, já se acostumou com as oscilações do mercado e nem se intimida com a baixa nas vendas.
| Resquício de 2004, a empresa começou o ano com seis meses na carteira de pedidos, mas hoje opera com quatro meses. “No Brasil é sempre assim, tem épocas em que não dá tempo de entregar as máquinas e em outras, sentimos uma parada”, comenta o diretor Luigi Rulli. |
Cuca Jorge |
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| Rulli: máquinas brasileiras se equiparam às
estrangeiras |
As exportações também frearam. O dólar impactou os negócios internacionais, a ponto da Rulli reduzir de 40% para 30% o volume exportado. “Tivemos de aumentar um pouco o preço das máquinas, o que dificultou as vendas lá fora”, justifica. No entanto, exportar, por si só, já é interessante para o fabricante, pois há um aumento considerável da rentabilidade. “Quando vendemos para o exterior, o preço da máquina é superior ao cobrado aqui”, comenta Rulli. Também já foi o tempo em que o fabricante nacional restringia as vendas internacionais à América Latina. Ao contrário do que acontece com os estrangeiros no País, o fabricante nacional tem fôlego para ir muito além das fronteiras e com as malas carregadas de tecnologia. Hoje a Rulli comercializa co-extrusoras de três a cinco camadas também para os Estados Unidos e o Canadá, por exemplo. Entre as novidades da empresa, destaca-se o desenvolvimento de novo cabeçote, com baixa pressão. O equipamento melhora a uniformidade do filme e aumenta a produção em cerca de 15%.
| Cuca Jorge |
Por dez anos, a Rulli manteve parceria com a norte-americana Davis Standard, com a qual desenvolveu sobretudo tecnologia para o ramo das chapas. Durante anos, carregou o estigma de dominar este segmento e não o de filme. Hoje já consegue equilibrar suas forças, porém, seu principal concorrente, a Carnevalli, de Guarulhos-SP, em volume de máquinas produzidas, ainda leva vantagem, apesar de Rulli destacar que o mesmo não ocorre quanto à qualidade. |
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| Co-extrusora Carnevalli de sete camadas tem boa
aceitação |
Com produção média de 150 máquinas ao ano, a Carnevalli divide com a Rulli a categoria dos fabricantes nacionais de extrusoras. Um dos mais recentes lançamentos da marca a equipara aos estrangeiros: a Polaris 7 PA 1400, co-extrusora de sete camadas, destinada para processar, entre outros materiais, nylon e EVOH. Voltado para a produção de filmes técnicos multicamada, o modelo tem tido boa aceitação do mercado, assegura o gerente comercial da Carnevalli Fernando Machado de Paula Eduardo. “Estamos fechando alguns negócios, a partir da Brasilplast”, anuncia. Nas máquinas da Carnevalli, de forma geral, os diâmetros das roscas vão de 50 mm até 160 mm, com capacidade para produzir mais de 1.000 quilos/hora.
Embalagem nobre - Com o respaldo de quem está no mercado de extrusão desde 1961, a Rulli Standard, por sua vez, fabrica hoje em torno de 85 máquinas por ano, das quais metade co-extrusoras, de três e de cinco camadas. Exigentes, os transformadores solicitam, cada vez mais, máquinas para embalagens multicamadas, no entanto, para parte do setor, como o representante da Macchi no Brasil, Aparício Sapage, os modelos monocamadas têm demanda garantida quando se trata do segmento de polietileno de alta densidade. Apesar de muitos apostarem na morte já anunciada dos modelos monocamadas, a esperada renovação do parque industrial nacional também deve sustentar o segmento. “Se houver a substituição das máquinas antigas, haverá muita procura por estes modelos”, confirma.
A necessidade de embalagens com propriedades especiais cresce a passos largos. Transparência e facilidade de impressão, baixa permeabilidade ao vapor de água, ao oxigênio e a aromas, assim como resistência às condições climáticas e físicas são algumas das exigências atuais da indústria de embalagem, sobretudo para aplicações das áreas alimentícia e farmacêutica. Por isso, é consenso entre os fabricantes que a co-extrusão é uma das principais tendências atuais. “É um processo irreversível”, afirma Eduardo. Na opinião dele, a curva de crescimento das vendas desses modelos só aumenta. Esse avanço, porém não está associado apenas à demanda por embalagens mais sofisticadas, mas também à busca por qualidade, produtividade e custos.
A Kiefel Extrusion também aposta nas vantagens das co-extrusoras. Segundo estudos da empresa alemã, o transformador que utiliza EVA, por exemplo, pode diminuir, de forma significativa, o consumo dessa resina ao investir em uma máquina de três camadas. A redução corresponderia à amortização do investimento inicial em cerca de um ano e meio. Muito se fala da relação custo-benefício na aquisição de bens de capital. A Kiefel dá um exemplo prático: uma extrusora com capacidade produtiva de 400 kg/h deve processar cerca de 35 mil toneladas de resina, em dez anos. Se uma máquina – no início mais cara – reduz o desperdício de material em 5%, esse volume chega a 1.750 toneladas ou 1,5 milhões de euros, no mínimo. Quantidade que supera a diferença entre os preços de instalação de uma máquina de qualidade em relação a uma mais barata.
Importados - Acostumados a atuar em segmentos de máquinas de alta complexidade e sofisticação, fabricantes alemães e italianos ainda enfrentam obstáculos para vender no País. A Windmoeller & Hoelscher não se fixa em uma só categoria e está cada vez mais caracterizada de verde-e-amarelo. O parque industrial nacional possui cerca de 80 máquinas W&H, entre monocamadas e co-extrusoras de três, cinco e sete camadas. Seu faturamento também prova sua proximidade com o mercado. Ao contrário de outros fabricantes estrangeiros, os dois últimos anos representaram os de melhor desempenho do grupo alemão no Brasil. Os resultados positivos se devem sobretudo à aceitação das extrusoras plana Filmex e da balão Varex.
Já conhecidos pelo transformador brasileiro, os dois modelos são os carros-chefes da empresa no País, no momento. A Filmex, máquina de filme plano de sete camadas, preza a economia do processo. Essa extrusora possui sistema automático para diminuir o tempo e a perda de matéria-prima na partida, além de matrizes com deckling interno e externo e sistema de encapsulamento da borda do filme, entre outras características, como sistema modular para produção de filmes planos de PP e de barreira, aponta o executivo da W&H do Brasil Oliver Cornelius. Também destaque, a extrusora para filmes balão Varex possui cabeçotes de três, cinco e sete camadas, com fluxo otimizado em execução compacta, garantindo, segundo Cornelius, a distribuição exata das camadas e tempos curtos de estada da massa no cabeçote. Cada vez mais próximas do transformador nacional, essas duas máquinas apresentam índice de nacionalização acima de 70%. “Elas são tratadas como brasileiras nos processos de financiamento, como Finame”, ressalta.
| Cuca Jorge |
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| Cornelius: cabeçote Maxicone simboliza alta
tecnologia |
Indicado para filmes com barreira, o cabeçote Maxicone também representa um diferencial da Windmoeller no mercado brasileiro. “Esse cabeçote bate todos os recordes”, orgulha-se Cornelius. O equipamento opera com volume de massa reduzido, responsável pela diminuição do tempo de permanência da resina dentro dos canais de fluxo, evitando perdas de pressão. A Windmöller & Hölscher completa, em 2005, 31 anos no País. Com fábrica em Diadema-SP, fornece desde máquinas extrusoras até de acabamento. Na área de extrusão, responde pela fabricação de extrusoras e co-extrusoras para filmes planos e tubulares.
Em opinião particular, Cornelius considera que os fabricantes nacionais, adotaram como política o baixo custo e por isso, não oferecem aos transformadores soluções completas. “Os fabricantes nacionais continuam tentando manter os preços das máquinas em baixa, com negligências na automatização e qualidade do produto final”, opina. Eduardo defende a sua categoria. “Muitas vezes, se confunde tecnologia com eletrônica embarcada, principalmente, de acessórios e periféricos”, afirma. Para ele, a tecnologia empregada nas máquinas da Carnevalli, por exemplo, é similar à dos estrangeiros, no que se refere à extrusão propriamente dita. “Estamos no mesmo nível dos fabricantes lá de fora”, reage Rulli.
Cornelius aponta que, nos últimos dois anos, aumentou a procura por soluções completas e não por baixo custo inicial. Sapage não teve a mesma percepção.
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