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Investimentos - Multinacionais como Bayer, Basell, Honeywell, DuPont, Dow Chemical e Basf, entre outras, encontram-se entre as fabricantes de matérias-primas que não estão economizando em pesquisa e desenvolvimento de nanocompósitos. Algumas delas, como Basell e Bayer, já comercializam materiais do gênero há algum tempo.
No âmbito nacional, embora as cifras envolvidas sejam bem mais modestas, também existem vários investimentos voltados para o desenvolvimento da nanotecnologia. Várias universidades e institutos de pesquisa estão trabalhando, sob a liderança do Ministério da Ciência e Tecnologia, em quatro redes nacionais de estudos, voltados para a formação de especialistas e o desenvolvimento de aplicações industriais.
O número dessas redes deve multiplicar-se ainda neste ano, com a conclusão, em julho, de um processo de licitação feito pelo MCT. Ao todo, o governo prevê investir mais de R$ 80 milhões em ações do gênero no biênio 2005/6.
No campo dos polímeros, já foram defendidas várias teses voltadas para a industrialização de nanocompósitos. Algumas dessas pesquisas foram apresentadas aos participantes da Nanotec 2005. Marco Antonio Chaer Nascimento, professor titular do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mostrou estudos dirigidos ao desenvolvimento de polímeros enriquecidos com nanopartículas de prata, cobre e zinco, voltados ao combate antimicrobiano de catéteres utilizados em unidades hospitalares ou à luta contra pragas que causam prejuízo à agricultura.
O doutor Adair de Oliveira Junior, do Instituto de Química da USP de Campinas (Unicamp) explicou sua tese, que prevê a obtenção e caracterização de nanocompósitos enriquecidos com nanopartículas de argilas especialmente modificadas. A doutora Anne Cristine Chielatto, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), falou sobre sua pesquisa, dirigida à obtenção de polímeros com propriedades especiais de barreira contra odores, vapores e gases.
O investimento nacional no desenvolvimento de nanocompósitos no Brasil também encontra-se presente no campo industrial. “Quem não entrar nessa nova tecnologia vai estar comprometendo sua continuidade ou decretando de vez o seu fim”, profetizou Suzana, da Braskem. O fabricante de resinas firmou convênios com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e com a Universidade Federal de São Carlos com a intenção de em breve passar a oferecer produtos do gênero no mercado. “Ainda não temos um prazo para fazermos algum lançamento, mas estamos trabalhando muito para que isso ocorra o mais rápido possível”, revela.
Opinião semelhante apresentou Cláudio Marcondes, gerente de assistência técnica da Polibrasil. “Os investimentos em nanotecnologia feitos pelas grandes multinacionais têm se multiplicado nos últimos anos. E o mais importante é que o tema está apenas começando a ser investigado. Se as empresas brasileiras não entrarem nesse processo agora vão se transformar em compradoras da tecnologia”, aposta. A Polibrasil está se esforçando para oferecer ao mercado um nanocompósito dirigido ao setor automotivo no final deste ano ou, no mais tardar, no início de 2006.
Indústria automobilística – As montadoras encontram-se entre as empresas com maior potencial de investimento na aquisição dos nanocompósitos, uma vez que demonstram grande interesse em utilizar materiais mais leves e resistentes em peças fabricadas tanto para as carroçarias quanto para os motores.
A grande resistência ao impacto de determinados polímeros nanomodificados os tornam em excelente alternativa para a produção de pára-choques ou degraus para diversos tipos de automóveis. Já a maior resistência térmica de outras formulações, permite seu aproveitamento na produção de peças para motores, mangueiras ou tanques de combustíveis. Outro aspecto que contribui para o interesse da indústria automobilística é o fato desses materiais contribuírem para a redução do peso dos veículos, transformando-os em modelos mais econômicos em gastos com combustível. Para o setor, esse é um apelo de venda importante para conquistar os consumidores.
A experiência pioneira no gênero ocorreu em 2002 e foi capitaneada pela Basell em parceria com as empresas General Motors, Southern Clay, Blackhawk Automotive e Sport Rack Automotive. A Basell lançou um compósito de poliolefina termoplástica enriquecida com nanopartículas de uma argila especialmente modificada. “A pesquisa resultou em um material que proporciona maior estabilidade dimensional, é mais leve e muito resistente”, conta Ferraro. O material vem sendo utilizado para a fabricação dos degraus instalados em um modelo de van da montadora norte-americana.
De lá para cá, a General Motors já adotou os nanocompósitos da Basell na fabricação de algumas outras peças integrantes de seus modelos de veículos. Mas a montadora não é a única. Toyota e Mitsubishi empregam nanocompósitos de náilon fabricados no Japão em várias peças presentes nos automóveis que produzem. A Honda se transformou na pioneira no uso de um nanocompósito de poliuretano, matéria-prima aproveitada para fabricar bancos de automóveis.
Embalagens – Outro segmento da economia no qual os nanocompósitos devem encontrar amplo mercado a médio prazo é o de embalagens. Em sua apresentação, Eloisa Garcia, diretora do Centro de Tecnologia de Embalagens (Cetea), órgão ligado ao Instituto Tecnológico de Alimentos do Governo de São Paulo, listou algumas características dos novos materiais que justificam essa expectativa.
Para Eloisa, no momento em que os nanocompósitos passarem a ser fabricados em elevadas escalas industriais, seu custo deve tornar-se atraente. Essa constatação é reforçada pela reduzida necessidade de incorporação de nanopartículas nos polímeros em relação às adições de cargas realizadas nos compósitos tradicionais. Além do menor peso, as novas matérias-primas apresentam maior resistência mecânica e melhor barreira a odores, gases e vapores, fator que aumenta a vida útil e facilita o transporte e armazenamento dos produtos alimentícios.
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