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Nanotecnologia promete
revolucionar a indústria do plástico em todos elos da cadeia produtiva
José Paulo Sant’Anna
No futuro, será possível construir um avião totalmente de plástico. Serão aparelhos bem mais leves e com desempenho bastante superior às atuais aeronaves. Essa afirmação hoje pode soar absurda para a maioria das pessoas, inclusive para muitos especialistas do setor de plásticos, mas é perfeitamente possível na ótica de insuspeitos conhecedores do assunto: os dirigentes da Boeing.
O motivo da previsão dos executivos de um dos mais importantes fabricantes de aviões do planeta são partículas invisíveis, cujos tamanhos ficam na casa do nanômetro, unidade métrica que representa o bilionésimo do metro – medida cerca de 100 mil vezes inferior ao diâmetro de um fio de cabelo. Trata-se das nanopartículas, objetos de estudo da nanotecnologia, ciência que permite ao homem manipular moléculas e átomos de materiais naturais. Com essa manipulação, torna-se possível alterar as propriedades dos materiais, adaptando-os às necessidades da indústria.
A revolução industrial que a nanotecnologia vai provocar no século XXI foi o tema da Nanotec 2005, primeiro congresso sobre o tema realizado no Brasil. O encontro reuniu, de 5 a 8 de julho, em São Paulo, cerca de 500 participantes, entre os quais boa parcela formada por professores titulares de universidades e representantes de vários segmentos da indústria. O evento também contou com uma feira na qual foram apresentados mais de cem projetos sobre o tema desenvolvidos no País por instituições de ensino e pesquisa.
A primeira vez que a manipulação de átomos e moléculas foi citada como possível ocorreu no final dos anos 50, em uma palestra feita pelo cientista Richard Feynman, vencedor do prêmio Nobel de Física de 1965. Na ocasião, Feynman fez uma profecia difícil de acreditar até mesmo nos dias de hoje: “Não precisamos aceitar os materiais que a natureza nos provê como os únicos possíveis no universo.” Nos anos 80, com a criação de microscópios com capacidades de ampliação impressionantes e dotados com ponteiras que permitem tal manipulação, a tese começou a se tornar realidade.
Está enganado quem acredita que o assunto ainda está mais para aventuras de ficção científica do que para a realidade. Hoje já existem dezenas de aplicações industriais baseadas no estudo das nanopartículas presentes nos mais variados campos de atividade. Quem duvida, desconhece que já existem várias nanopeças presentes dentro dos computadores pessoais, em peças de automóveis produzidos por várias montadoras ou em dezenas de embalagens, só para citar alguns exemplos.
E os investimentos bilionários feitos pelos países avançados devem multiplicar de forma exponencial a presença dessa ciência no dia a dia da população mundial. Estima-se que dentro de dez anos a comercialização de produtos que tragam componentes nanoparticulados em sua composição deva atingir a casa de US$ 1 trilhão.
Nesse cenário, o campo dos plásticos é um dos que merece maior atenção. Todo o esforço dos especialistas desse segmento está voltado para o desenvolvimento de nanocompósitos, matérias-primas que misturam os polímeros tradicionais com nanopartículas de substâncias especialmente produzidas de acordo com as especificações desejadas pela indústria. Algumas fórmulas com essas características já se encontram disponíveis no mercado.
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A palestrante Suzana Liberman, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Inovação da Braskem, traz dados interessantes sobre o uso atual de nanocompósitos. “Desde 2003, o crescimento anual do uso desses novos materiais tem ficado na casa dos 20%, no caso das resinas termoplásticas, e 10%, nas termorrígidas. |
Divulgação |
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| Suzana prevê consumo de 122 mil até 2008 |
O consumo anual estimado dos nanocompósitos deve saltar de 70 mil toneladas, ocorrido em 2003, para 122 mil toneladas em 2008”, resume a pesquisadora.
Revolução - Na opinião unânime dos participantes dos painéis que falaram sobre plásticos da Nanotec 2005, os nanocompósitos vão permitir que resinas hoje voltadas para aplicações pouco nobres em breve disputem mercado com sofisticados plásticos de engenharia. Estes, por sua vez, ao serem aperfeiçoados com nanopartículas, vão brigar por novos horizontes, competindo com materiais atualmente absolutos em determinadas aplicações, como o aço, por exemplo.
“No momento, as nanopartículas ainda apresentam um custo elevado em relação às cargas utilizadas para a produção dos compósitos tradicionais. Mas existem alguns fatores que podem transformá-las em competitivas a curto prazo em determinadas aplicações”, disse em sua palestra Ângelo Ferraro, diretor da holandesa Basell Poliolefins, multinacional pioneira no lançamento de um nanocompósito comercial. Entre as vantagens dos novos materiais apontadas por Ferraro, encontram-se grande resistência mecânica, maior barreira à transposição de odores e gases, maior resistência térmica e maior estabilidade dimensional, características preciosas para variadas aplicações.
Além disso, enquanto os compósitos tradicionais utilizam 30% de cargas em sua formulação, os que se utilizam de nanopartículas necessitam de apenas 5%. Em outras palavras, eles são mais leves e fáceis de moldar que os compósitos tradicionais. A menor presença de cargas também possibilita que esses materiais sejam reciclados com maior facilidade, propiciando à indústria adaptar-se às futuras legislações voltadas para a proteção do meio ambiente.
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