Providências – A fim de preservar o setor de concorrência desleal, a Abimaq recorreu junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior com pedido de salvaguardas. “Estamos aguardando que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) faça a regulamentação para implementar as medidas de salvaguarda a fim de iniciarmos a defesa da indústria nacional”, anuncia Pelizzari. Segundo ele, os transformadores aguardam a regulamentação para também pedirem defesa a seus próprios produtos e exemplifica o porquê: as canetas chinesas entram no mercado brasileiro a um centavo de dólar, quando o preço normal de mercado é 15 vezes maior.

A entrada predatória das máquinas asiáticas no mercado nacional atinge, de um modo ou de outro, todo o mercado, do fabricante local ao estrangeiro. “Não há como negar que os chineses estão tomando uma fatia grande do mercado brasileiro”, avalia Cristian Heinen, gerente de vendas da Himaco, de Novo Hamburgo-RS. 

Mesmo assim ele estima crescimento da ordem de 30% nos negócios da empresa neste ano. “Mas poderíamos crescer mais”, lamenta.

“É surpreendente a maneira como algumas empresas asiáticas entram no mercado com preços tão baixos, comparando capacidades de máquinas equivalentes”, diz Cleber Scherer, gerente de vendas da Jasot, também de Novo Hamburgo. Na contrapartida, há outros fabricantes chineses que praticam preços comparativos aos dos brasileiros. “Como uns entram com preços equivalentes aos nossos e outros com preços tão mais baixos?” questiona.
Scherer: repercussão da Brasilplast ficou aquém

Tradição e tecnologia de primeiro mundo também não imuniza os competidores globais do ataque chinês. “A concorrência asiática afeta moderadamente o nosso desempenho, acreditamos que afeta mais os fabricantes nacionais do que os produtores de máquinas importadas de primeira linha, mas, mesmo assim, existem clientes tradicionais que optam por máquinas asiáticas”, declara Udo Löhken, gerente geral da filial brasileira da Demag Ergotech.

Rodrigo Olivetto, da área de injetoras da tradicional empresa alemã Krauss Maffei, assina em baixo. “Muitas empresas nacionais, e em alguns casos as multinacionais, acabam optando por máquinas asiáticas devido ao baixíssimo custo de investimento, cujo preço é em 100% dos casos impraticável.” 
Löhken: alta velocidade é destaque nas injetoras

Segundo ele, no momento de decidir pela compra, as indústrias de transformação não consideram a relação custo/benefício a médio e longo prazos, como produtividade e qualidade superiores nos produtos injetados, menor custo de manutenção e maior número de horas em operação. 

Márcio Ribaldo, diretor da filial brasileira da Mir, engrossa o coro: “Sem dúvida a entrada de máquinas asiáticas vem causando dificuldades para o mercado devido apresentarem baixa tecnologia e preços bem menores.”
Ribaldo engrossa o coro contra máquinas asiáticas

Vacas magras – Chineses à parte, ano de Brasilplast costuma levantar os ânimos dos elos envolvidos na cadeia do plástico, com perspectivas de boa geração de negócios. Contudo, nem mesmo a megaexposição realizada em abril deste ano foi suficiente para impulsionar as vendas, frustrando as expectativas de aquecimento na demanda. De acordo com Pelizzari, o faturamento do mercado brasileiro de injetoras nos primeiros cinco meses do ano superou período idêntico em 2004, porém ressalta que o real crescimento no ano passado ocorreu justamente a partir de maio e até novembro. “O reflexo deste melhor faturamento foi devido à carteira de pedidos acumulada em 2004”, justifica. Para ele, o segundo semestre do ano só será melhor caso o governo reduza os juros e o câmbio atinja cotação realista.

O vice-presidente da Romi compartilha a mesma opinião. Segundo ele, a retração se compara ao nível de 2003, quando o crescimento industrial foi negativo em –1, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e o PIB em –0,2. Assim, a perspectiva mais otimista seria um crescimento do PIB para este ano em torno de 2%, no máximo.

De acordo com Pelizzari, também a Sandretto sentiu em seu desempenho os reflexos da situação esquadrinhada. Mas, acontecimentos na empresa no início deste ano devem repercutir de modo positivo em todo o grupo, inclusive no mercado brasileiro. No final de março a empresa anunciou a transferência de mãos da Sandretto do grupo Cannon (italiano) para o grupo Taylor’s HPM (ver PM 366, abril de 2005, pág. 36). “A mudança de propriedade foi muito bem aceita pelo mercado, que também reconhece a forte tradição que a fábrica de injetoras HPM tem e que pertence ao grupo Taylor nos Estados Unidos”, declara Pelizzari. A boa repercussão no mercado brasileiro fica por conta do novo canal aberto às exportações da Sandretto do Brasil para o mercado norte-americano pela rede de vendas da Taylor’s.

Última novidade da empresa, a série Nove HP de injetoras foi lançada simultaneamente no mercado brasileiro, durante a Brasilplast, e na Itália. 

Os modelos ofertados nas versões Standard e Fast, para injeção de ciclo rápido e com sistema de plastificação dotado de motor elétrico, permitem atingir altos níveis produtivos e de qualidade, atesta o diretor geral da base brasileira da Sandretto. 
Série Nove HP alcança altos níveis produtivos

Os equipamentos aliam alta velocidade e movimentos simultâneos à baixa emissão de ruídos e ainda consomem pouca energia. Ao todo, somam 24 modelos hidráulicos, com forças de fechamento entre 90 t e 485 t.

Outra linha de peso nos negócios da Sandretto é a consagrada série Logica, com máquinas desde 70 t até 450 t de força de fechamento e capacidades de injeção de 168 a 2.494 cm³. “Os recursos técnicos oferecidos por esta série são tecnologicamente superiores e selecionados pelo cliente, permitindo a obtenção de melhor relação qualidade/produtividade e custo/benefício”, assegura Pelizzari. O rol de injetoras da marca varia desde 30 t até 5.500 t de força de fechamento.

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