BORRACHAS

Demanda aquecida atrai investimentos nas especialidades

Novos recursos atendem o crescimento doméstico e melhoram os negócios no mercado internacional

Rose de Moraes 

O mercado de borrachas sintéticas retomou os trilhos com a recuperação do crescimento industrial em vários setores e das exportações. A produção cresceu em 2004 e atingiu 460 mil toneladas, 342 mil das quais destinadas ao mercado interno e 118 mil para suprir mercados internacionais. Também o consumo aparente de 2004 aumentou em 15% em relação ao ano anterior.

Especialistas do setor também prevêem maior diversidade na oferta de elastômeros de alto desempenho em 2005. Com as borrachas especiais cada vez mais requisitadas no mercado externo, o País tem a chance de tomar o bonde da história, posicionando-se nesse setor com maior destaque no cenário internacional.

A recuperação produziu efeitos estimulantes a ponto de convencer novos investidores, em particular focados no setor automotivo, a virem buscar mercado no Brasil, como é o caso da Zeon Chemicals, que decidiu instalar a Zeon do Brasil para atender o mercado na região. 

Cuca Jorge
Cláudia quer conquistar mercado de alta tecnologia

Com faturamento dobrado nos últimos anos, a gerente-geral da filial brasileira Cláudia Maria de Souza acaba de ser nomeada para assumir os negócios na região. “Nosso objetivo é desenvolver mercados que demandam produtos de alta tecnologia, fornecendo ampla gama de especialidades, incluindo borrachas poliacrílicas e de epicloridrina, nitrílicas hidrogenadas e carboxiladas, líquidas e com PVC”, informou Cláudia.

A intenção é também estreitar laços com as montadoras locais, a exemplo do convívio existente nos Estados Unidos, onde a Zeon Chemicals mantém até técnicos trabalhando dentro das montadoras, ajudando-as a desenvolver novas aplicações para os elastômeros.

Resistentes a óleos e a altas temperaturas (até 180°C), as borrachas poliacrílicas fabricadas pela Zeon se destinam às aplicações em retentores, vedações e gaxetas, enquanto as borrachas de epicloridrina, também resistentes às altas temperaturas, químicos e óleos, conciliam flexibilidade às baixas temperaturas e permeabilidade a gases, características valorizadas em empregos automotivos, sobretudo na fabricação de mangueiras.

Já as nitrílicas hidrogenadas apresentam crescimento significativo em várias partes do mundo. Desenvolvidas e comercializadas pela primeira vez pela Nippon Zeon, em 1984, hoje a capacidade global instalada para a sua produção gira em torno de 10 mil toneladas/ano.

As borrachas nitrílicas hidrogenadas produzidas pela Zeon atendem rigorosas especificações técnicas, suportando temperaturas desde – 45° C até 165°C. Destinadas a várias aplicações nas indústrias automotivas, cerca de 75% da produção de hidrogenadas segue para uso em correias em especial, em substituição às borrachas de policloropreno.

Segundo estimativas dos produtores de correias automotivas, 80% desses componentes já são confeccionados com nitrílicas hidrogenadas. O mercado com maior potencial de crescimento nessa área é, no entanto, o de reposição, onde as hidrogenadas detêm fatia de 35%, contra 65% das de plicloropreno. Outras novidades da Zeon envolvem as TPV vulcanizadas, que combinam a flexibilidade e a resistência a óleos e calor dos elastômeros com as vantagens de custo e processabilidade dos termoplásticos.

“As TPVs são capazes de manter suas características, mesmo quando expostas a fluídos agressivos, como óleos de motores, graxas, lubrificantes, suportando temperaturas de – 40° C até 165°C, em situações de trabalho nas quais as TPVs convencionais falhariam”, considerou Cláudia. Classificado como um termoplástico vulcanizado, resultado da combinação de poliamida com borracha poliacrílica, o produto pode ser aplicado em situações de alta exigência, e atende inclusive as especificações da SAE – Society Automotive Enginnering, dos Estados Unidos.

<<< Anterior

Próxima >>>