No caso da TSP, as inovações provêm da Mold-Tech/Standex. Por força de contrato, a maior parte dos produtos usados no processo de texturização (60%) são importados. As formulações químicas, por exemplo, são fabricadas na Itália e distribuídas a todas as unidades espalhadas no mundo. “Assegura qualidade e controle laboratorial à formulação”, justifica Coutinho. E assim acontece com outros itens do processo. Todos os produtos são desenvolvidos nos laboratórios da Standex nos Estados Unidos e Japão.

Também a Krüth e PKW buscam nos parceiros estrangeiros grande parte dos materiais usados nas operações de texturização. Considerado pela PKW um dos principais insumos, os ácidos de seus processos vêm da japonesa Tanazawa. De igual modo, outros produtos e instrumentos necessários à técnica são importados de parceiros.

Tendência em padrões – Para Dias, as aplicações realizadas pela Krüth no interior do utilitário esportivo Hilux, da Toyota, constituem referência em estado da arte em tecnologia de textura hoje. Segundo ele, o diferencial desse novo processo consiste na sobreposição de filmes como camadas. 

Coutinho: nova técnica é feita com sobreposição de filmes

“A textura da Hilux tem três camadas e sete gravações”, ressalta. Essa sobreposição de filmes permite obter profundidades diferenciadas, com um dégradé de texturas, explica.

O processo de textura avançou bastante desde o antigo e hoje pouco usado processo de gravação strip, que só permite atingir uma profundidade uniforme (baseado na transposição da imagem da textura de um filme de poliéster para a superfície do molde por meio de um processo fotoquímico, que exige ambiente fechado e iluminação especial), na opinião de Dias. A prática de última geração em processos de texturização consiste no uso de filmes transparentes, que permitem a sobreposição precisa de uma camada sobre a outra.

As empresas de texturização hoje conseguem imprimir às peças profundidades e veios diferenciados, alguns mais profundos, outros mais rasos. Graças às inovações, como é o caso do desenvolvimento aplicado na texturização do utilitário da Toyota, as peças ganham toque mais suave, do tipo soft touch, informa. De acordo com Dias, a tecnologia foi desenvolvida no Japão e os três parceiros desse país já a empregam.

Já no ponto de vista de Damalgo, da PKW, a tendência em textura aponta para o avanço das texturas geométricas em superfícies complexas, áreas curvas, tridimensionais (em planas é comum seu uso), graças ao desenvolvimento de técnicas que asseguram a transferência da imagem sem emendas visíveis do filme.

A PKW relaciona três parceiros principais junto à TTI. A japonesa Tanazawa é a principal. “Eles são feras em desenvolvimento”, aposta Damalgo. Na seqüência vem a Eschmann, da Alemanha, e a Tenibac, dos Estados Unidos. “São elas que fornecem a maior parte da tecnologia e materiais envolvidos no processo”, informa.

A nova tecnologia para padrões geométricos em superfícies complexas, chamada de titus ou vactex, provém da Alemanha. A empresa Eschmann é a responsável pelo desenvolvimento de projeto nesse sentido, informa o diretor, que já elabora planos para adquirir o método. “O único custo é a estadia do nosso técnico na empresa alemã”, diz. Outra opção seria pagar a vinda de um técnico de lá. Mas, segundo ele, a experiência contrária mostrou ser mais vantajosa. “Assim, nosso técnico mantém contato com todo o corpo técnico e recursos da fábrica, como o laboratório, a forma de gerar os filmes, e outros”, justifica.

Outra novidade que a empresa pretende introduzir no mercado brasileiro visa minimizar a aparência de riscos nas texturas. Desenvolvida por sua parceira japonesa, a chamada textura grize, disfarça os riscos nas peças plásticas e ainda eleva a suavidade ao toque e oferece uma percepção visual de baixo brilho, informa Damalgo. “Trata-se de uma microtextura sobre uma textura original”, revela. A técnica requer filmes especiais. “Uma sobreposição de filmes com profundidades diferentes.”

Técnica desenvolvida pela Mold-Tech e adotada pela TSP chamada micromate também dissimula os riscos. “As novidades incorporadas pela TSP são exclusivas”, garante Coutinho. O processo ainda embute outros benefícios: imita melhor a aparência do couro, confere menos brilho e toque mais suave. Sem revelar pormenores, o diretor informa apenas que o acabamento com microtextura é feito com a sobreposição de filmes. Os resultados podem ser conferidos no novo Gol G4 da Volkwagen. Coutinho também garante dispor de tecnologia para aplicar padrão geométrico ou simétrico sem indícios de deformação. O desenvolvimento da Mold-Tech leva o nome de render printing.

Como cuidar – O primeiro passo para manter a integridade da textura é protegê-la com um óleo protetivo após o uso do molde. “O usuário deve limpar o molde com uma estopa ou flanela e aplicar um protetivo contra corrosão”, ensina Dias, da Krüth. “Após o uso do molde é essencial lubrificá-lo”, endossa Fernando A. Barbieri, do departamento técnico da PKW. Segundo ele, uma pequena oxidação na área da textura representará uma mancha no produto final injetado.

Para evitar tais problemas, Barbieri recomenda uma limpeza preventiva da textura a cada oito ou nove meses, em média. “Podemos efetuar o processo tanto na nossa empresa como no próprio cliente, já que o transporte dos moldes, além de muitos cuidados, envolve custos elevados”, informa. Alguns sinais no molde podem indicar ao transformador que está na hora de proceder com a limpeza, como diferenças de brilho, ou ainda manchas no molde ou no produto injetado.

Assim como a técnica de texturizar, também a limpeza requer conhecimento e experiência. De acordo com Barbieri, os materiais usados na limpeza são produtos específicos e importados e só quem tem acesso a eles é o texturizador. E ressalta: a prática de jateamento com areia danifica a textura do molde.

 

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