texturização

Indústria brasileira incorpora tendência mundial em padrões de textura para moldes

Embora pequeno em número, o setor tem na parceria com grupos estrangeiros a receita para manter-se na vanguarda


Texto de Maria Aparecida de Sino Reto e fotos de Cuca Jorge 

Minúsculo e fechado, o mercado brasileiro de texturização de moldes pode, mesmo assim, gabar-se de acompanhar de perto os avanços tecnológicos mundiais. 
Molde é preparado para receber a texturização

A técnica, que consiste em dar acabamento ao molde, confere às peças aparência sofisticada, como imitação de couro, e também equivale a segurança ao quebrar brilho e reflexos, entre outros aspectos. As empresas conceituadas nesse campo, detentoras de tecnologia reconhecida e homologada pelas montadoras (de longe as principais clientes desse serviço) resumem-se a apenas três. Todas ligadas a associações ou grupos estrangeiros, com acordos que lhes permitem usufruir das inovações conquistadas por seus parceiros: a Krüth do Brasil, filial da empresa alemã, com unidade em Diadema-SP, integradas ao grupo Surface Etching Cooperation (SEC); a PKW Latina, de São Paulo, filiada ao grupo Texture Technology International (TTI); e a TSP, de Santana de Parnaíba-SP, com tecnologia licenciada da Mold-Tech, empresa pertencente ao Standex Engraving Group.

Trata-se, aliás, de uma característica do setor em âmbito mundial. O processo é restrito a poucos empreendedores, que se uniram em espécies de cooperativas globais, cujos parceiros trocam experiências, tecnologia e até técnicos. Os especialistas na área são formados dentro das próprias empresas. E, diga-se de passagem, são poucos. Quando o serviço aperta e a empresa precisa de mais técnicos, um contato com parceiros no exterior resolve a questão. O empréstimo de funcionários é prática comum nessa área.
Dias: setor automobilístico lidera de longe os pedidos

“O objetivo da SEC é atender os clientes em qualquer parte do mundo como se fosse uma única empresa, compartilhar recursos humanos e tecnologia, oferecer padrão mundial de qualidade e serviço”, resume o presidente da Krüth do Brasil Jairo Dias. A Krüth, com sede na Alemanha, ainda conta com unidades na Suécia e na Áustria, todas vinculadas à SEC, que agrupa ao todo 24 empresas de 17 países.

O grupo TTI atua de modo semelhante. “O investimento feito pela empresa para a sua entrada no grupo inclui o acesso às novas tecnologias desenvolvidas por qualquer uma das associadas”, informa o diretor geral da PKW Valdir Damalgo. O ingresso para a TTI, há cerca de dois anos, envolveu montante da ordem de US$ 300 mil, estima. 
Também nesse caso o intercâmbio de profissionais é comum. “Em caso de necessidade, pedimos técnicos às outras empresas do grupo e pagamos o trabalho dele pelo tempo necessário”, explica.
Damalgo: acordo prevê acesso a todas inovações

Já a TSP opera com tecnologia licenciada (desde 2002) da Mold-Tec, empresa do Standex Engraving Group, holding que já conta 80 anos de atividade na área e, além da Mold-Tec, engloba nomes como a Dornbusch, a Roehlen Engraving, e a Mullen Testers, entre outras. A Standex soma 26 unidades distribuídas ao redor do mundo, nas contas do diretor João Wagner Coutinho. “A da América do Sul é a TSP.”

Intercâmbio tecnológico – Tanto a SEC como a TTI promovem encontros anuais entres seus associados. Neste ano, a da SEC será no Japão. “Em 2006 será no Brasil”, antecipa Dias. No encontro, os participantes discutem projetos, tecnologia, e ainda conseguem ter uma visão global do atendimento aos clientes. “O grande foco ainda é o setor automotivo, que no Brasil equivale a 85% do mercado de textura”, avalia Dias. Segundo ele, os membros da SEC consideram-se parceiros geograficamente distantes. Regra da casa proíbe dois integrantes de se instalarem próximos de modo que representem concorrência. Assim, nenhuma outra empresa brasileira poderá associar-se à SEC.
Processo é artesanal e requer alta precisão

A regra também vale na TTI, que escolheu a PKW como anfitriã para a próxima reunião do grupo, programada para junho deste ano. A empresa reservou um hotel para receber os convidados do mundo todo. Durante três dias de encontro, os parceiros trocam informações comerciais, discorrem sobre os atuais projetos em desenvolvimento e, o mais importante na visão de Damalgo, cada associado apresenta as inovações tecnológicas – novos ácidos, tipos de filmes, processos de gravação, etc. – que desenvolveu desde a última reunião.

Nas estimativas do diretor da PKW, 90% dos padrões de textura são desenvolvidos no Exterior, nas matrizes das montadoras de automóveis. “A vantagem de ter os parceiros internacionais da TTI é que temos acesso a toda inovação tecnológica desenvolvida por eles, aos filmes padrões, e aos processos de gravação, como a seqüência de uso, o ácido que deve ser usado, o tempo de gravação, etc.”

Ferramenta texturizada na TSP: aparência de couro e toque suave

 

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