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PETROQUÍMICA EXPORTA MAIS COM QUEDA INTERNA
As vendas internas das petroquímicas no primeiro quadrimestre de 2005 registram retração de 3,4% no comparativo com o mesmo período de 2004. Com a produção 6% maior, o setor aproveitou para escoar o excedente no exterior. As exportações aumentaram 20% de janeiro a abril. Já o consumo aparente (resultado da produção somada à importação menos a exportação) cresceu apenas 4,6%, de acordo com dados do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp).
As exportações alcançaram 297,9 mil toneladas contra 248,2 mil t, com destaque para o PEBDL, que teve elevação de 78,9%; EVA, com 48,9% e PP, com 32,4%. “Com o mercado interno retraído, é natural que as empresas busquem alternativas, embora o câmbio não seja um fator de apoio neste processo”, afirma o presidente do Siresp José Ricardo Roriz Coelho.
Os números indicam ainda acentuada elevação das importações, em torno de 17%, em função da queda do dólar e do aumento da oferta mundial. O Siresp não divulgou os valores oficiais das importações. Roriz apenas confirmou que a participação estrangeira de fato havia aumentado.




Atribuiu a elevação das importações a outros fatores e não apenas ao preço. Segundo ele, muitos transformadores recorrem às resinas estrangeiras em busca de maiores prazos de pagamento ou quando estão sem crédito no País. Situação favorecida pelo aumento da oferta mundial. “A China demorou a voltar a comprar.”
O período marcou também o fim da escalada de aumentos. “As petroquímicas não consolidaram o reajuste de 12% anunciado no início do ano porque o mercado estava ruim.” Houve, inclusive, algumas retrações. Roriz ressalta, no entanto, a tendência de recuperação das margens por parte das petroqímicas.
Transformação – As vendas da transformação caíram entre 20% e 35%, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). O setor também sentiu o impacto do câmbio que afetou as exportações de produtos acabados e conseqüentemente a VIPE (Vendas Internas para Exportação), outro item que ficou abaixo no comparativo do Siresp, com retração de 4%.
A queda foi puxada pelo fraco desempenho do PP, com retração de 26,9% em função, principalmente, da redução das vendas externas de BOPP. A resina representa o maior volume de VIPE e caiu de 31,2 mil t para 22,8 mil t. Os demais materiais tiveram alta. As vendas para exportação de PVC cresceram 31%; de PEAD, 58,8%; de PEBDL, 48,4% e de PEBD, 32,4%.
Na avaliação de Roriz, o câmbio, desfavorável às exportações, aumenta a preocupação do setor em relação ao desempenho da indústria automotiva. “As montadoras já sinalizaram que vão comprar menos em função da queda nas vendas externas.”
O balanço do Siresp aponta ainda que a indústria de resinas operou com 81% de sua capacidade produtiva, número 4% superior ao ano anterior. Já a capacidade de produção dos petroquímicos básicos chegou a 94% no período.
Apesar do panorama pouco favorável, Roriz aposta na recuperação a partir do segundo semestre, período historicamente mais favorável para o setor. “Serão determinantes para o bom desempenho, os fatores econômicos, como taxas de câmbio e juros; e os políticos, como o calendário eleitoral.” A expectativa do Siresp é que a média no consumo de termoplásticos passe de 23,2 kg por habitante, em 2004, para 25 kg/hab neste ano, alavancando um crescimento de
8%.
Simone Ferro
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