Associação – De acordo com o Siresp, muitos transformadores optam por importar não apenas pelo preço, mas também em busca de maiores prazos de pagamento ou por falta de crédito no mercado local. Não é de hoje que essas e outras questões alimentam a iniciativa de criar uma entidade que represente a distribuição de resinas. “Trata-se de um projeto imprescindível, precisamos nos organizar para que todos consigam a perpetuação de suas empresas”, avalia Couto.

A idéia, maturada há alguns anos, volta à tona sempre que a inadimplência aumenta. Para alguns representantes do setor é vista com certa cautela. “Pode ser útil no combate à revenda de carga roubada ou no fornecimento de selo de qualidade e procedência para os associados. Fora isso não vejo nenhuma função que agregue benefícios à distribuição”, avalia o diretor da SM Eduardo Sonesso.
Sonesso: PP perdeu competitividade para o PE

A idéia mais recente é compor uma comissão integrada à Associação Brasileira do Comércio de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim) para representar o setor de distribuição de resinas. “Alguns distribuidores já são filiados à entidade e isso pode facilitar a iniciativa”, diz Bazan, um dos defensores da idéia.

Distribuidora multimarcas de polietilenos, PP, PS, elastômeros, EVA e especialidades, a SPP Resinas assumiu recentemente a distribuição oficial da linha de aditivos da marca LNP/Mixcim, que engloba antioxidantes, antiestáticos e agentes de fluxo, entre outros. Parceira da Rio Polímeros, participou do pré-mar­keting e tornou-se distribuidora da nova petroquímica no Brasil e exterior. “Somos agentes da Vinmar, trading responsável pelas exportações da RioPol.” Com isso, a empresa volta a atuar no segmento de flexíveis.

Dentre os projetos futuros, Bazan cita a ampliação das vendas no mercado externo. A empresa conta com armazém na Argentina desde 1994, onde comercializa commodities. A próxima base será no México para a venda de especialidades. A região Sudeste do Brasil absorve 40% do volume, contra 15% do Sul e 12% do Centro-Oeste. O restante segue para o Norte e Nordeste.

Recentemente, a Global World foi nomeada distribuidora autorizada da Petroquímica Triunfo para o polietileno de baixa densidade (PEBD), polietileno de média densidade (PEMD), blendas e EVA. “Distribuímos também o polipropileno da Polibrasil e poliestireno da Innova”, diz Couto.

A empresa atua em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais. As participações de cada estado sobre as vendas totais correspondem a 70%, 12%, 4%, 9% e 5%, respectivamente. A filial de Curitiba abastece o Paraná e Santa Catarina. Outra unidade, a ser inaugurada em Blumenau-SC, nos próximos meses, chega para reforçar a atuação no Sul do País. O investimento ocorre em sinergia com a divisão de fios têxteis, outra área de atuação da empresa. “Trata-se de um grande pólo consumidor.”

Cara nova – Dentre os novos nomes que se estabeleceram no mercado recentemente, estão a Clion e americana Muehlstein. A Openfield, fundada há 5 anos, estreou na região sudeste, e a espanhola SM ampliou a atuação em novas áreas. A Clion, criada em julho do ano passado, é distribuidora autorizada da Politeno, da Polibrasil e da Innova nos estados de São Paulo, Paraná, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Com perfil multimarcas, a Muehlstein comercializa os polietilenos da Dow, da Triunfo e da Solvay; o poliestireno da Innova; e polipropileno importado de diversos fabricantes, além de produto de marca própria com produção terceirizada. A empresa é um importante distribuir da Dow em outros países.

A espanhola SM chegou ao Brasil em 2002. Atualmente, conta com armazéns terceirizados em Diadema-SP, Novo Hamburgo-RS e Pinhais-PR, e analisa a implantação das operações com estoque local no Centro-Oeste do País. A empresa distribui os polietilenos, PS e ABS da Dow, e revende PP.

De acordo com o diretor da SM Eduardo Sonesso, a queda na demanda afetou margens e resultados. “O segundo semestre depende mais do governo do que da sazonalidade ou coisa do tipo. Enquanto os juros continuarem altos o consumo não será estimulado.” Porém, o cenário para o próximo semestre parece favorável a mudanças. “Começam os preparativos para as eleições de 2006”, prevê.

A entrada da RioPol também preocupa. “O mercado de PE já está ofertado.” Com relação ao PP, ressalta a perda de competitividade da resina frente aos polietilenos, em torno de 13% mais caro. “A substituição, quando possível, ocorreu.” De acordo com Sonesso, as vendas estão superiores ao primeiro semestre de 2004, mas não conseguiram acompanhar a evolução e os índices do final do ano.

Made in Taiwan – Fornecedor do setor calçadista gaúcho há cinco anos, a Openfield, de Novo Hamburgo-RS, ampliou a atuação para Santa Catarina e Paraná em 2003. Neste ano, estendeu as operações para São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa distribui ABS, policarbonato e plásticos de engenharia importados da Chi Mei Corporation, de Taiwan.

Inicialmente direcionou a atuação ao setor calçadista do Vale dos Sinos. “Hoje, a Openfield atende a outros segmentos e regiões, porém com o mesmo princípio de firmar parcerias com um número reduzido de empresas, garantindo flexibilidade de negociação e repasse de todas as vantagens obtidas diretamente com a petroquímica Chi Mei”, afirma o diretor Eduardo Schemes.

Com escritórios em Novo Hamburgo e Taiwan, a empresa possui equipe de vendas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, e não descarta a contratação de depósitos regionais a fim de agilizar a entrega. “Atualmente 80% das vendas de resinas ocorrem na região Sul e 20% nos demais estados”, diz Egídio Zardo Jr, responsável pelo atendimento em São Paulo. A empresa oferece estoques reguladores locais para os produtos de maior giro.

Segundo Zardo, a indústria taiwanesa é a líder mundial em produção de plásticos de engenharia, fornecendo resinas para toda a indústria de tecnologia e de transformação de plástico do sudeste asiático, assim como para diversos países da Europa, Oceania e Américas. “A Chi Mei investe constantemente em pesquisas e no desenvolvimento de novas resinas plásticas de classe mundial”, garante.

Motivos que, segundo ele, justificam a parceria. “Os produtos asiáticos há muito tempo perderam o estigma de terem bom preço mas baixa qualidade. A Chi Mei por exemplo conta com todos os seus processos certificados pela ISO 9001 e 14000. Isso mostra que, além de preço competitivo, as asiáticas oferecem as mesmas condições das petroquímicas européias e norte-americanas”, acredita.

Atualmente, a Openfield pratica três modalidades de vendas: importação direta de Taiwan ou do entreposto aduaneiro de Novo Hamburgo e venda nacionalizada. A venda direta ocorre em quase 70% dos negócios. “Evita a dupla tributação”, justifica o diretor Angelo de Souza Belinato. Apesar do alto imposto de importação, a empresa garante manter a competitividade frente às resinas nacionais.

Na avaliação da diretoria da empresa, o mercado de plásticos de engenharia tende a se manter extremamente competitivo, guiado pelos vértices preço e adequação à aplicação. “Quanto ao preço, no caso específico do ABS, o eminente aumento da alíquota de importação vai acirrar a competição entre as grandes petroquímicas mundiais que disputarão a parcela de mercado não atendida pela produção nacional.”

Na questão adequação à aplicação, defende que as petroquímicas tendem a oferecer um número maior de contratipos ajustados às exigências do transformador. “A Chi Mei produz uma gama de grades que, só em ABS, chega a 30, entre os de uso geral, de alta fluidez, para extrusão, com retardantes à chama, resistentes ao calor e transparentes.” A empresa estima crescer 20% neste ano.

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