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Distribuição
de resinas
Demanda retrai e compromete
a rentabilidade do varejo
Consumo abaixo
do previsto e
aumento da
inadimplência
são alguns dos
problemas do
setor em 2005 |

Moldador pulveriza compras e força redução de estoque |
Texto de Simone ferro e fotos de Cuca Jorge
Os primeiros meses do ano frustraram todas as expectativas do varejo de resinas. A demanda ficou aquém do esperado, a inadimplência explodiu, os preços caíram e as importações aumentaram. De janeiro a abril, a produção nacional cresceu 6% no comparativo com o mesmo período do ano passado, enquanto o consumo aparente (produção + importação – exportação) evoluiu apenas 4,6%. Um dado importante, no entanto, refere-se à retração de 3,4% das vendas internas das petroquímicas. Forte indício de alta nas importações.
As petroquímicas aproveitaram para escoar o excedente no exterior. As exportações registraram alta de 20%, de acordo com os números divulgados pelo Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp). Aos distribuidores, no entanto, restou disputar o retraído mercado interno com as margens de lucro cada vez mais comprimidas. Porém, como bons brasileiros “que não desistem nunca”, a maioria aposta na retomada a partir do segundo semestre, tradicionalmente o melhor período para as indústrias de plástico em função das vendas de Natal.
No esteio da política de juros altos, os semiduráveis, os eletrodomésticos e eletroeletrônicos em particular, enquadram-se entre os mais retraídos, porém com melhores chances de recuperação devido justamente à sazonalidade do próximo semestre e a expectativa de queda nos juros.
Ainda de acordo com o Siresp, as indústrias de cosméticos tiveram um dos melhores desempenhos e ajudaram a elevar a demanda de polietileno de alta densidade (PEAD) em 7%, entre outros materiais. O setor automotivo, embalado pelas exportações, também segurou parte da demanda interna. Resta, no entanto, saber até quando, visto que as montadoras já prevêem retração nas vendas externas, findos os contratos firmados no ano passado.
Na análise do presidente do Siresp José Ricardo Roriz Coelho as montadoras sinalizaram redução de compras, pois perderam competitividade no exterior. “Em 2004, as exportações de automóveis cresceram 38%. Agora apresentam tendência de queda.”
Retração – Mais sensível às turbulências do mercado e sem as exportações para compensar, o varejo vendeu e lucrou menos nos primeiros cinco meses de 2005.
| Na avaliação do gerente de negócios da SPP Resinas, de São Paulo, Amarildo Bazan, as vendas da empresa caíram 20% quando comparadas ao mesmo período de 2004. As margens de lucro declinaram 2%, ficando em torno de 6%. “Trata-se de uma queda muito significativa.” |
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| Bazan: vendas e margens caíram no decorrer do
ano |
Os preços das resinas encerraram a escalada de alta iniciada no ano passado e começaram a cair. As porcentagens variam de acordo com o material e o distribuidor. Na média, ficaram entre 10% e 14% abaixo. “Existe uma incerteza quanto ao comportamento dos preços ainda em queda”, avalia o gerente nacional de vendas da Clariant, de São Paulo, Varlei de Aguiar Vieira.
As petroquímicas falharam nas tentativas de consolidar novos reajustes, mas os transformadores escaldados optaram por trabalhar quase sem estoques.
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Os distribuidores também têm evitado volumes altos. “Com o preço em queda desde fevereiro, manter estoque pode ser prejuízo”, diz o gerente comercial da divisão de polímeros da Global World, de Guarulhos-SP, Alexandre Couto. |
| Couto quer entidade para representar o setor |
A empresa reduziu em 60% o volume médio armazenado. “Tentamos manter atualizado o custo do estoque com a realidade do mercado.” A equação, segundo ele, permite diminuir o risco da operação para que o custo do estoque não fique superior ao da reposição. “Este ano tem sido muito difícil para a distribuição”, lamenta Couto.
De acordo com Bazan da SPP Resinas, os transformadores pulverizaram as compras em pequenos lotes, mantendo os estoques entre 25 e 30 dias, no máximo. “No ano passado, chegaram a 60 dias. Já o índice de ociosidade em alguns clientes beira os 30%”, diz. Além da queda no consumo, cita o acirramento da concorrência.
Pelas contas de Bazan, o setor é composto por 23 distribuidores oficiais e 25 revendas, 12 a menos que na última apuração, feita há pouco mais de um ano. “Surgiram novos nomes e outros desapareceram”, afirma. A redução no número de empresas não aliviou a disputa, pois o segmento ainda enfrenta os mesmos problemas históricos: preços aviltados, concorrência da transformação, cargas roubadas e revendas que entram e saem do mercado ao sabor dos ventos.
Já virou consenso no setor que a quantidade de distribuidores e revendas é superior à capacidade do mercado. “Há uma oferta de produtos maior do que a demanda e ainda convivemos com o consumo abaixo do esperado. A concorrência torna-se predatória e, desta forma, ninguém consegue montar uma estratégia que efetivamente rentabilize as operações”, diz Couto, da Global World.
Segundo ele, novas empresas estão chegando, trazendo grande capacidade financeira, estrutura e know-how do exterior. Ao analisar o mercado de distribuição de cinco anos atrás, Couto observa grande profissionalização e evolução. Para o futuro, no entanto, projeta fusões entre distribuidoras e revendas, a exemplo do que já vem acontecendo na Europa e Estados Unidos.
A estratégia visa aumentar as vendas e margens, cada vez mais espremidas, além de diminuir custos. “Será a razão de sobrevivência de muitas empresas neste mercado”, aposta. A conjuntura atual favorece a iniciativa. “Junte tudo com a explosão da inadimplência, rentabilidade abaixo do esperado e volumes menores, e temos o quadro do primeiro semestre”, diz Couto.
A reversão, segundo ele, depende de uma política econômica com juros mais baixos, capaz de estimular o consumo, além da estabilidade do dólar, cuja variação e queda acentuada afetam diretamente os exportadores.
Para o segundo semestre, o setor também aguarda a recomposição dos estoques, tanto da transformação quanto do varejo. Na avaliação de Couto, os bons resultados obtidos em 2004 ajudam a superar as dificuldades atuais. “A situação seria pior caso o ano passado não tivesse sido tão bom. Os volumes superaram as expectativas; a rentabilidade foi razoável e a inadimplência, baixa; ou seja, um fôlego para agüentar 2005.”
Couto também observa a tendência de alta das importações de resinas. “O produto importado, por enquanto, está escasso no mercado devido ao preço internacional menos atrativo. Porém esta diferença vem caindo rapidamente e nos próximos meses, acredito que encontraremos muitas ofertas, principalmente em função do dólar.”
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