Corte e solda

Inovações tecnológicas qualificam o setor

Fabricante de máquinas investe em novos recursos e estimula  a produção de embalagens  diferenciadas

Renata Pachione 

Cuca Jorge

O mercado de corte e solda cresce no mesmo ritmo do setor de embalagens flexíveis, mas nem por isso deixa de ter seu espaço. Os fabricantes de máquinas incorporaram alta tecnologia na produção e hoje esbanjam sofisticação e competência para galgar posição de nobreza na indústria de máquinas para fabricação de artigos plásticos. Se um dia o setor se restringiu ao tradicional corte e solda, de uns tempos para cá, a evolução dos modelos permitiu ao convertedor a flexibilidade necessária para desenvolver novos formatos de embalagens e se consolidar como importante ramo do setor.

Em constante desenvolvimento, os fabricantes de máquinas apresentam novidades em automatização e em acessórios. Expoentes da área, a Hece, de São Carlos-SP, e a Maqplas, de Osasco-SP, movimentam o mercado com lançamentos como o de uma máquina digital e outra de corte e solda em linha com a extrusora, nesta ordem. Outro indício do surgimento de um novo cenário para o ramo fica por conta do aumento do consumo de máquinas destinadas à produção das embalagens stand-up pouch (SUP). Para os fabricantes, o mercado de corte e solda tende a se manter estável quanto às vendas, porém a indústria irá consumir, cada vez mais, modelos de alto valor agregado. 

Essa tendência impulsiona o setor a se renovar e a incrementar seus produtos. “A procura atual é por equipamentos com muitos acessórios e não somente o básico”, explica a diretora comercial da Maqplas Maristela Simões de Miranda.  Cuca Jorge
Maristela aposta em máquinas detentoras de valor agregado

À margem - Por se tratar de uma área de acabamento, as linhas de corte e solda, segundo alguns fabricantes, ficam à margem, dentro da indústria do plástico. Na avaliação de Maristela, essa indústria ainda é considerada pelo setor, como um segmento menos nobre, ou seja, de pouco valor agregado. Porém essa postura tem mudado, em função dos avanços da indústria de máquinas. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) Rogério Mani concorda que o setor disponha de uma série de novidades às quais os transformadores não tinham acesso no passado e talvez por esse motivo o mercado ainda não tenha o devido reconhecimento. 

Cuca Jorge

Modelo da Maqplas produz embalagem stand-up pouch

Na avaliação de Maristela, o caminho para tirar o setor da margem é investir em equipamentos diferenciados. Por isso, hoje as máquinas são dotadas de acessórios dos mais variados tipos, capazes de incrementar as embalagens, a ponto de elevar o status do corte e solda. “Fazer o saco convencional não agrega valor ao mercado”, justifica. Para ela, entre as exigências do setor de máquinas estão a operação em ciclos rápidos e os processos automatizados, sobretudo na retirada do produto. Maristela também aposta na embalagem stand-up pouch como âncora para elevar o setor à posição de destaque. “Este tipo de embalagem agrega valor ao mercado e permite ao fabricante de corte e solda concorrer de igual para igual com o sopro, por exemplo”, afirma. Tendência anunciada há cerca de cinco anos, a SUP cresce, a cada ano, em aceitação e oferta no mercado brasileiro. 

Esse tipo de embalagem se destaca, sobretudo graças às vantagens frente às caixas cartonadas, às latas e ao vidro. Versáteis, se diferenciam no ponto-de-venda e ainda podem ser utilizadas para envase de alimentos sólidos, líquidos e pastosos. De acordo com informação divulgada pela Abief, o mercado mundial de stand-up pouch cresce ao ano 17% e deve alcançar a produção de 24 bilhões de unidades em 2006. Em âmbito nacional, os números são bem diferentes: em 2002, o mercado brasileiro consumiu cerca de 500 milhões deste tipo de embalagem e neste ano, a Abief estima demanda de 800 milhões de unidades. 

Para o gerente de contas do fabricante de máquinas automáticas para embalagens D.G do Brasil Eduardo Slikta, esse avanço confirma as vantagens da SUP em substituição a outros materiais, como lata, vidro, tetrapack e os plásticos rígidos. Desde o ano passado, Slikta observa intensa migração dos molhos de tomate, antes em lata, para o plástico. 

De acordo com ele, essa tendência se justifica pela praticidade da embalagem stand-up pouch e pela economia do processo de envase. “O industrial consegue ter um ganho de 30%, se substituir a lata pela stand-up pouch”, esclarece. Outra vantagem diz conta da tendência, há muito tempo anunciada, de aumento da procura por embalagens de porções unitárias. Para Slikta, os modelos SUP são ideais para esta aplicação, em detrimento do uso das embalagens de papelão. 

Divulgação No Brasil ainda há muito espaço para esse tipo de embalagem crescer. “O País começou a usar a stand-up pouch há cerca de dois anos”, relata Maristela. Para ela, a penetração no mercado nacional esbarra no preço e por isso as máquinas destinadas à fabricação de SUP, por enquanto, só têm mercado garantido no Exterior. O gerente industrial da Hece Luiz Fernando Sverzut tem avaliação semelhante. De acordo com ele, anunciada como embalagem do futuro, a stand-up pouch pouco empolgou até o momento, em âmbito nacional. “Lançamos máquina destinada para esta aplicação, mas o consumo da embalagem não cresceu, restringindo-se mais a um conceito”, observa. Na opinião dele, a SUP era para ser a coqueluche desta década, porém Brasil e México mostram-se atrasados neste sentido, sobretudo porque a produção dessas embalagens requer muito investimento em extrusão, impressão, laminação e acabamento. 
Sverzut: investimento na fábrica elevará produção

As embalagens pouch e stand-up pouch são vedetes nos Estados Unidos e na Europa, mas nem é preciso ir tão longe para confirmar a tendência. Para Sverzut, o mercado chileno comprova o potencial desse segmento na América Latina. “Nos supermercados da região quase tudo já está em SUP. A utilização de máquinas de stand-up pouch no Chile é fantástica”, reconhece.

Avanços tecnológicos – Enquanto os modelos para fabricação de embalagem SUP aguardam deslanchar no País, a indústria brasileira inova com lançamentos dos mais variados. A Hece divulgou modificações na máquina SC-1100-EC-II. Voltado para produção de sacolas tipo camiseta, o modelo foi projetado para alta produtividade e, segundo o fabricante, atinge velocidade de operação semelhante às máquinas européias e americanas, utilizando tecnologia de ponta, como os servomotores CA brushless (sem escova) e o comando numérico computadorizado (CNC) que é responsável por todo o controle do processo. Cuca Jorge
Embalagem SUP se confirma como principal tendência do setor


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