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PETROFLEX INVESTE EM FÁBRICA FORA DO PAÍS
O coordenador de P&D da Petroflex Luiz Andrade Coutinho avaliou em Porto Alegre-RS, o processo de internacionalização da empresa deflagrado em 2002 e confirmou a decisão da atual diretoria em abrir uma fábrica fora do Brasil. Durante palestra promovida pela diretoria regional da Associação Brasileira de Engenharia Química, no mês de março, ele acrescentou que o país no qual a Petroflex irá montar a nova unidade ainda não foi escolhido, embora o leste europeu seja considerado estratégico por razões logísticas, pois permite atender toda a União Européia e facilita a operação com a China. O projeto faz parte do planejamento estratégico aprovado há cinco anos para vigorar até 2007. “Podemos até comprar uma unidade de processamento pronta”.
Nos últimos anos, a maior produtora de borracha da América Latina tem alçado vôos ousados no mercado exterior com a abertura de escritórios comerciais em Roterdan, Holanda, e Hong Kong, com o objetivo de atender os clientes da Europa Ásia, Oriente Médio e Oceania. Além disso, a unidade de vendas em São Paulo passou a responder pelos negócios com os países do Cone Sul. Com a abertura de uma unidade em Wilmington, em 2005, a Petroflex irá sedimentar sua prospecção de negócios na América do Norte. “Os projetos estão diretamente relacionados com os interesses dos acionistas”, reforçou Coutinho.
O cenário da indústria de elastômeros é o mais positivo possível. Segundo o executivo da Petroflex, todos os fabricantes de pneus pretendem ampliar a produção no Brasil. Produtores globais sem unidades produtivas devem construir fábricas por aqui também. A migração da produção das commodities para as borrachas de desempenho é mais uma proposta em curso, pois, a Petroflex quer aumentar sua participação na venda de borrachas especiais usadas nos pneus run flats, os quais rodam até 100 quilômetros vazios como forma de eliminar o estepe. Esse produto já está no mercado europeu por obra da Michellin e a Good Year deverá colocar o seu similar em pouco tempo.
Outra tendência no mercado de pneus é o aumento da produção do green tyre, um produto com baixa resistência de rolamento. Diminui o consumo de energia do motor e, por conseqüência reduz o consumo de combustível. Com isso, avaliou Coutinho, deverá crescer a produção da SBR solução e diminuir a obtida por emulsão. Na opinião dele, a China responderá por 87% do crescimento do consumo de borracha sintética. Com relação aos preços, explicou, a volatilidade do petróleo pressionou os preços dos insumos. O butadieno chegou a níveis recordes de US$ 840,00 a tonelada, permitindo o alinhamento de preços com repasse dos custos das matérias-primas e a recuperação das margens. Como aspectos desfavoráveis, Coutinho reclamou da valorização do real frente ao dólar de 8,1%, prejudicial às exportações, o aumento da taxa de juros, inibidora do crédito e consumo, além da escassez de butadieno, um impeditivo para que a demanda fosse plenamente atendida. “No momento há um desequilíbrio entre oferta e demanda, ocasionada pela escassez de butadieno em escala global”, advertiu Coutinho.
As três unidades produtivas da Petroflex passam por expansão. Em Cabo-PE, a capacidade instalada sobe de 90 para 125 mil toneladas/ano. Investimento em Triunfo-RS vai permitir ampliação da produção de borracha nitrílica. Em Duque de Caxias-RJ o ano começou com mais 3 mil toneladas.
A empresa ainda anuncia pesquisas para produção de uma nova borracha termoplástica. Nesse sentido, Coutinho destacou as pesquisas com instituições universitárias para a obtenção da BR e NBR hidrogenizadas. Em convênio com UFRJ, UERJ, UFRGS, UFSCAR e Unicamp, vários estudos relacionados com látex catiônico com alto teor de estireno estão em andamento, assim como pesquisas com materiais aniônicos para modificação de polímeros e criação de novas blendas de NBR com PVC e NBR com polipropileno.
Localização estratégica – As três fábricas da Petroflex estão capacitadas à produção de 410 mil toneladas de elastômeros por ano, das quais 105 mil destinadas ao mercado exterior. Em Duque de Caxias fica a unidade pioneira, inaugurada em 1962. Trata-se da maior fábrica da empresa, responsável por mais da metade dos elastômeros produzidos. Pode processar 196 mil toneladas/ano de ESBR, 10 mil de látex e 4 mil toneladas de selantes, tecnicamente denominados PBLH. Em Duque de Caxias também funciona a administração central da Petroflex.
Em Cabo, está localizada a planta multipropósito, com capacidade para produzir 28 tipos de borracha. Nos seus 33 mil metros de área construída, gera 305 empregos. Cabo é a única unidade na América Latina que produz o BR alto cis, borracha sintética utilizada na produção do green tyre. Em Triunfo, localiza-se a fábrica mais moderna. Com 24 mil metros de área construída e 160 funcionários, produz 76 mil toneladas ano de 16 tipos de borracha. A unidade de Triunfo é a única que produz borracha nitrílica, utilizada na fabricação de mangueiras para motores, e borracha em pó, muito usada pela indústria calçadista.
Desde 1992, quando passou ao controle da iniciativa privada, a Petroflex investiu um total de US$ 282 milhões na atualização de instalações industriais e em programas de automação, modernização, reengenharia e controle de qualidade. Como conseqüência, a taxa de produtos fora de especificação caiu para menos de 1%. Até 2007 a empresa irá investir mais US$ 55 milhões na produção de elastômeros em solução, no desenvolvimento de produtos com alto valor agregado, na automação da produção, em informática, pesquisa, desenvolvimento e meio ambiente. Oitenta por cento dos recursos estão destinados à ampliação da capacidade e adaptação das fábricas para um novo mix de produtos. Em 2004, o faturamento da empresa atingiu R$ 500 milhões, com lucro líquido de R$ 98,253 milhões, equivalente a crescimento de 62,3% sobre 2003.
No entanto, este ano começou com um gargalo importante para a Petroflex. Embora, o mercado ofereça margem para a empresa dobrar a produção de elastômeros, a petroquímica de primeira geração não tem como entregar butadieno necessário dentro do País. Embora a preferência seja duplicar o processo em Triunfo, a central de matérias-primas (Copesul) ainda não bateu o martelo com relação à construção de sua nova planta. O principal obstáculo é o preço do aço no mercado internacional, que elevou de US$ 40 milhões para US$ 70 milhões a previsão de investimento necessário à montagem de uma nova unidade para processar a matéria-prima básica das borrachas sintéticas.
Fernando Cibelli de Castro
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