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COMPÓSITOS GANHAM CENTRO DE TECNOLOGIA

A Owens Corning inaugurou em abril, na unidade de Rio Claro–SP, um centro de tecnologia para desenvolver novas aplicações com compósitos na América Latina. Ao pronunciar-se sobre o acontecimento, Frank O’Brien-Bernini, vice-presidente de Ciência e Tecnologia, afirmou: “o novo centro estará integrado à rede global de pesquisas e desenvolvimento de produtos da companhia, fortalecendo nossa história de 66 anos de liderança e inovação na área de compósitos e de produtos para a construção”.

Para o diretor-geral da Owens Corning para a América Latina Carlos Valdez, o novo centro brasileiro, em conjunto com os laboratórios existentes no México, fornecerá a sustentação necessária para ajudar a consolidar o desenvolvimento de novos produtos e aplicações na região, com o compromisso de ir além do fornecimento de materiais, atendendo suas necessidades.

“No novo centro teremos total capacidade para variar parâmetros de processo em ambiente controlado, poupando tempo aos nossos clientes”, considerou Marcio Sandri, diretor-geral de composites da Owens Corning Latino América. “Esperamos que as atividades de suporte para novos desenvolvimentos possam servir pa­ra implementar desenvolvimentos contínuos”, acrescentou.

Processo CCBM: até mil peças com o mesmo molde

Dirigido por Edouard Zurstrassen, gerente de serviços e operações para a América Latina, já está equipado para realizar experiências práticas e laboratoriais pelos processos de hand-lay-up, spray-up, resin transfer molding light (RTM), closed cavity bag molding (CCBM) e pultrusão, devendo contar também com máquina universal para ensaios mecânicos de laminados fabricados com compósitos quanto à tração, compressão e flexão. Em complemento às suas atividades, a empresa também deverá firmar acordo com universidade brasileira para aumentar a capacidade dos testes em laboratório, podendo atender escalas técnicas de processamento. Entre os objetivos do novo centro também está a possibilidade de contribuir para a nacionalização de produtos globais e ajudar a desenvolver produtos específicos e mais adequados para as necessidades do mercado brasileiro.

Durante a sua inauguração, foram feitas várias demonstrações dos processos para a produção de peças com compósitos nos mais variados formatos e tamanhos. Com CCBM – moldagem em cavidade fechada com contra-molde flexível (bolsa) em silicone especial e resistente ao estireno presente nos poliésteres –, há dois anos já estão sendo fabricados no Brasil tetos, painéis e caixas de itinerário para microônibus, barcos, tanques, tubos, conexões e estações de tratamento de esgoto, além de previstas várias outras produções por meio dessa tecnologia, não só no País, como também na Argentina.

“Só em uma fábrica com a qual mantemos parceria são produzidos por CCBM mais de dez itens em substituição às moldagens por spray-up e hand-lay-up”, informou Sinésio Osmar Baccan, responsável por essa área de desenvolvimento no novo centro. Patenteado pela empresa canadense Arctek com a qual a Owens mantém contrato de transferência tecnológica para toda a América Latina, o CCBM tem se revelado processo versátil e econômico, permitindo com o uso do mesmo molde fabricar até mil peças.

Na oportunidade, também esteve em demonstração aos convidados máquina para fabricar Silentex, tecnologia que permite a texturização de fios de fibras de vidro contínuos (roving) para aplicação em silenciosos veiculares, visando a absorção acústica dos ruídos gerados pelo motor. Desenvolvida pela Owens Corning em 1982, essa tecnologia foi aplicada pela primeira vez em testes realizados junto à Volvo, na Suécia. “Hoje, totalmente consagrada, é utilizada na maior parte das montadoras dos Estados Unidos, Europa e Ásia, em silenciosos de automóveis e caminhões”, afirmou Cláudio Stek, responsável pelo desenvolvimento dessa área na companhia.

Produzido com fibras de vidro da marca Advantex, Silentex substitui lãs de basalto e palhas de aço inoxidável, utilizados como materiais para absorção de ruído. No Brasil, várias montadoras já empregam a tecnologia, como a Volkswagen em veículos da linha Pólo, a Ford, em veículos da plataforma Amazon, incluindo Fiesta e EcoSport, além da Daimlerchrysler, que emprega o sistema na linha de caminhões OM 614. 

Rose de Moraes 

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