INJETORAS - BRASILPLAST 2005

Injeção por compressãoO segmento das injetoras híbridas esteve prestigiado também no estande da HDB, representante exclusiva da austríaca Engel no Brasil. Após lançamento na última K, o sistema de injeção X-Melt foi apresentado ao público brasileiro no modelo híbrido Victory Electric de 60 t, também dotado do tradicional mecanismo sem colunas da empresa da Áustria.

De acordo com o diretor da HDB Herbert Buschle, o X-Melt consiste na compressão do material já plastificado pelo movimento axial da rosca com o bico de injeção fechado. A injeção é feita com a abertura instantânea do bico, o que provoca a expansão da matéria-prima para a cavidade do molde. O sistema é ideal para a produção de peças de paredes finas (entre 1,8 mm e 1,9 mm) ou muito precisas, aplicações que tem se expandido na indústria de equipamentos eletrônicos e na automotiva. A necessidade de precisão pede o uso de máquinas híbridas com dosagem e injeção elétrica, mas as demais funções podem ser hidráulicas, já que a injetora também pode ser utilizada em outras aplicações que não necessitam do X-Melt.

A outra injetora em exposição no estande da HDB, uma Victory Tech hidráulica, foi utilizada para a introdução do controlador CC200 no mercado brasileiro. A novidade é dotada de tela do tipo touch screen, sistemas de controle de qualidade, conexão com a internet e monitoramento a distância e oferece maior liberdade para o usuário programar processos complexos.

A HDB anunciou na Brasilplast a criação de um departamento dedicado com exclusividade ao treinamento. Foi contratado um especialista europeu com vasta experiência na partida de novos moldes e otimização de processos, que passará a ministrar cursos sobre as diferentes vantagens dos equipamentos da Engel. “Descobrimos que alguns clientes não utilizam as máquinas em máxima eficiência. Os funcionários treinados acabam deixando a empresa, e os novatos não treinados utilizam o equipamento de maneira limitada. A necessidade de atualização dos operadores é constante”, constatou Buschle.

O diretor elogiou a qualidade das consultas na feira, com perguntas concretas que denotam a existência de projetos que devem deslanchar após o evento. “As empresa que nos consultam buscam tecnologia e já sabem que nossas máquinas possuem um custo/benefício específico para a produção de peças de qualidade”, diz.  
Demag aposta nas embalagens de ciclo rápido

A Demag Ergotech do Brasil trouxe para os pavilhões do Anhembi a injetora híbrida EL-EXIS 150/500-610 (fechamento de 150 toneladas) lançada na K 98. “Essa foi a máquina com a qual a Demag penetrou no mercado de embalagens de ciclo rápido e esse mercado é bastante significativo no Brasil”, afirmou Udo Löhken, gerente da filial da Demag Ergotech no Brasil.

A injetora possui plastificação e fechamento elétricos. Como os equipamentos para a produção de embalagens realizam muitos ciclos, a estrutura da máquina é robusta, para prevenir desgaste prematuro. Além disso, o modelo apresenta as outras características necessárias à fabricação de embalagens: velocidades de injeção, de abertura e fechamento do molde altas, e simultaneidade de movimentos.

A injetora exposta operou com sistema automático de IML, que tem sido apresentado em diversas feiras ao redor do globo. “Optamos por trazer ao Brasil o que a Demag tem mostrado no resto do mundo”, disse Löhken.

Nos seis anos de vida da máquina ocorreram modificações importantes. O motor elétrico de plastificação passou a utilizar acionamento direto (antes era utilizado acionamento com caixa redutora entre o motor e a rosca), com a vantagem de menos peças envolvidas e menor potencial de quebra, além de eficiência energética maior.

Nos últimos meses, o segmento automotivo foi o principal comprador brasileiro para a empresa. A Demag Ergotech também fabrica máquinas hidráulicas e elétricas, mas o parque instalado no País é composto na maior parte por equipamentos hidráulicos (as elétricas da empresa foram lançadas aqui há menos de um ano).

Confiança nas elétricasQuem manteve as apostas nas injetoras elétricas foi a norte-americana Milacron. A fornecedora expôs a Roboshot 165 SiB, dotada de recursos de inteligência artificial (patenteados) na edição da curva de pressão de injeção, na dosagem, na proteção do molde e na extração. Pela primeira vez, os visitantes da Brasilplast puderam observar a produção de tampas de baterias de celulares (peças de policarbonato da GE com 10,5 g) da Motorola.  

A fornecedora expôs a Roboshot 165 SiB, dotada de recursos de inteligência artificial (patenteados) na edição da curva de pressão de injeção, na dosagem, na proteção do molde e na extração. Pela primeira vez, os visitantes da Brasilplast puderam observar a produção de tampas de baterias de celulares (peças de policarbonato da GE com 10,5 g) da Motorola.  
Roboshot 165 SiB: inteligência artificial

De acordo com o gerente comercial da filial brasileira Hercules Piaz-zo, o sistema de inteligência artificial permite editar a curva de pressão de injeção em seu próprio gráfico. A partir do procedimento, a injetora repete a curva e realiza ajustes automáticos, prevenindo variações nas peças injetadas. Falhas derivadas da variação de viscosidade da resina plástica e do desgaste do anel de bloqueio do conjunto da ponta de rosca, como o refluxo de matéria-prima, são eliminadas.

A inteligência artificial também opera na plastificação, programando o curso da dosagem. No caso de variação da granulometria da resina (comum quando é empregado material recuperado), a máquina detecta as alterações e modifica as r.p.m. (rotações por minuto) para manter constante o volume de material plastificado no cilindro de injeção. “A variação na massa das peças injetadas ocorre apenas na terceira casa decimal”, garante Piazzo.

Na proteção do molde, o sistema de inteligência artificial memoriza o torque do motor que realiza o movimento de fechamento, e cria curva de proteção com valores de segurança entre zero e 1% maiores. Se o torque atinge o limite tolerado, a máquina pára automaticamente a operação. O mesmo princípio é aplicado na extração: o torque do motor que movimenta a placa com os pinos extratores é monitorado, e caso exceda limites de segurança a operação é interrompida.

A máquina também dispõe de um sistema de pré-injeção. No momento em que as duas faces do molde se encontram, ocorrem simultaneamente a formação da força de fechamento e o início da injeção, permitindo a eliminação de gases da cavidade e a redução do ciclo total.

Os novos recursos da Roboshot 165 SiB geram menos refugo e permitem redução do consumo de energia entre 60% e 85%, se comparadas a máquinas hidráulicas de última geração e de mesmo porte. O rol de vantagens inclui maior precisão na massa das peças injetadas, em comparação a injetoras hidráulicas, e maior rapidez, derivada da simultaneidade de movimentos. Caso utilize bico de injeção valvulado, a máquina pode realizar ao mesmo tempo os movimentos de plastificação, abertura e fechamento. Combinadas, as vantagens da injetora resultam em menor custo de fabricação por peça e retorno do investimento veloz. “A economia de custos começa na fabricação da primeira peça”, lembra Piazzo.

A Milacron é a pioneira em máquinas totalmente elétricas, e, desde sua chegada ao Brasil, em 1997, já instalou mais de cem máquinas do tipo no País, informa o gerente. “É um mercado difícil, porém nós somos os líderes”, afirma. A iniciativa de expor um modelo 100% elétrico – a Milacron também fabrica injetoras híbridas e hidráulicas – surgiu do interesse de alguns clientes antigos pelo equipamento, curiosamente vendido a um novo comprador do segmento de embalagens para cosméticos. “As embalagens de cosméticos estão mais sofisticadas para atrair o interesse do consumidor. Em alguns casos, elas são metalizadas ou pintadas, e não pode haver contaminação por óleo. As máquinas elétricas atendem a essa necessidade”, explica Piazzo. Além de clientes do setor de cosméticos, a movimentação no estande da Milacron registrou grande presença de clientes do setor de embalagens em geral e do setor automotivo.

A tecnologia elétrica também esteve presente no estande da Sunnyvale, representante da japonesa Sumitomo Plastics Machinery. A empresa trouxe a máquina SED 100, da linha all electric de injetoras SED, com 100 t de fechamento e uso geral, incluindo utilidades domésticas e peças técnicas. 

A série representa uma atualização da série SES, com máquinas de 30 t a 350 t, em que a Sumitomo desenvolveu sistema de comando da injeção e plastificação com servomotores duplos de acionamento direto (ou direct drive, que inspirou o nome SED).  
SED 100 ganhou motor duplo de acionamento direto

O fabricante, no entanto, só conseguiu substituir os motores de correias dentadas em modelos entre 18 t e 180 t. “Acima disso, a empresa ainda não chegou em um servomotor economicamente viável” , disse o administrador de vendas da Sunnyvale Theogil Dias. Entre as vantagens da série SED, ele destaca a repetibilidade, a precisão e a possibilidade do uso em salas limpas, onde os motores de correias dentadas não poderiam ser utilizados, pois produzem poeira. A série sofreu outras modificações, incluindo o aumento da velocidade de comando e da velocidade de resposta dos servomotores (produzidos pela própria Sumitomo). Além disso, a injetora possui fuso de esferas superdimensionado (para aumentar a vida útil da máquina) e placas redesenhadas, que permitem o uso de moldes menores sem deformá-las. Embora inteiramente elétrica, a série atinge velocidades de injeção até 500mm/s. “Essa velocidade eqüivale à de uma máquina hidráulica com acumulador. As hidráulicas convencionais atingem entre 120 mm/s e 150 mm/s”, afirma Dias.

Para ele, a substituição de injetoras hidráulicas por elétricas não ocorre mais por apego à tradição das primeiras e menos pelo custo das segundas. “Os custos de manutenção e operação são tão menores que compensam o investimento inicial maior. O empresário precisa olhar para o retorno do investimento”, pondera.

A empresa conseguiu concluir vendas durante a Brasilplast, e contabiliza 50 máquinas da Sumitomo funcionando em solo brasileiro. Apesar de considerar o mercado brasileiro atrativo, as flutuações da economia brasileira ainda assustam os japoneses, que, por enquanto, não pretendem produzir por aqui.

 

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