INJETORAS - BRASILPLAST 2005

Híbridas ganham destaque com preço e desempenho

Custo da injetora elétrica ainda é entrave para o mercado do Brasil, mas necessidade de redução dos custos de produção estimula busca por desempenho.

Texto de Márcio Azevedo e fotos de Cuca Jorge

Vedete de feiras passadas, a injetora elétrica ficou em segundo plano nesta Brasilplast. As vantagens dos acionamentos elétricos (economia de energia, alta velocidade, precisão, limpeza e retorno mais rápido do investimento) ainda não convenceram o mercado brasileiro, talvez  pelo preço alto, talvez pelo medo do novo. Porém, a demanda por requisitos técnicos nas novas aplicações continua e a necessidade de aperfeiçoar projetos para consumir menos matérias-primas em tempos de preços altos também, exigindo injetoras de menores custos, que combinem a produção de peças de paredes finas e ciclos rápidos.

Pois essas máquinas foram vistas em profusão na Brasilplast 2005. Grande parte dos expositores exibiu equipamentos híbridos, solução de meio termo entre os extremos das máquinas convencionais e das servoacionadas, que combinam acionamentos hidráulicos e elétricos e atendem às necessidades técnicas e econômicas dos transformadores.

Pioneira das injetoras elétricas no Brasil, a Himaco voltou parte de suas apostas para a tecnologia híbrida, com a apresentação da máquina 1500-740 HNG (de Himaco Nova Geração), com força de fechamento de 150 t. A injetora ganhou inversor de freqüência para controlar o motor elétrico que aciona o parafuso.

As máquinas elétricas ainda podem ser 30% a 40% mais caras que as convencionais, devido aos insumos importados (como fusos e servomotores), e o mercado para esses equipamentos avança a passos lentos no País. Por isso, explica o gerente de vendas da Himaco Cristian Heinen, a empresa optou pelo lançamento da injetora híbrida, meio termo entre as máquinas hidráulicas e as elétricas, “com boa tendência de sucesso entre os clientes”.

Além do novo modelo, a Himaco também apresentou modelos tradicionais atualizados com novos recursos. A injetora de 220 t recebeu cabeçote de injeção com maior capacidade e pressão de injeção (1.310 cm3), e a Dynamic 1500-740 HNG, com 150 t de fechamento, foi equipada com acumulador de pressão na injeção para atender a aplicações de paredes finas e ciclos rápidos. Os visitantes também conheceram de perto outras duas máquinas: uma convencional de 120 t e outra elétrica, com 130 t de fechamento.

Dona da maior fatia do mercado brasileiro de injeção (são cerca de 5.000 injetoras operando no País), a Himaco está focada em máquinas entre 80 t e 220 t, embora também fabrique maiores. Apenas algumas peças automobilísticas de grande porte fogem ao escopo da empresa.

Mesmo com o lançamento da injetora híbrida, o gerente de vendas confia no sucesso das máquinas elétricas, já que a Himaco exporta para toda a América Latina e, segundo ele, há maior chance de fornecimento do equipamento ao mercado internacional. No Brasil, no entanto, o parque de máquinas tecnologicamente defasado e envelhecido dificulta a popularização de novas tecnologias. “Mas quem quer ser produtivo precisa de máquinas novas”, afirma Heinen.

Após a participação na Brasilplast, considerada excelente, a empresa comemora a duplicação na quantidade de equipamentos vendidos durante o evento. “A Himaco já tem uma tradição de vender máquinas em feiras. As promoções de financiamento atraem clientes e criam oportunidades, e como elas ocorrem em períodos curtos, acontece um estímulo para a compra”, diz o gerente.  
Himaco lança híbrida com inversor de freqüência

Outra opção para os interessados na tecnologia de injetoras híbridas foi oferecida pela canadense Husky, criadora da máquina Hylectric H120, apresentada ao mercado há cerca de um ano. A injetora possui força de fechamento de 120 t e acionamento da rosca por motor elétrico – mecanismo do equipamento onde havia a maior possibilidade de redução do consumo de energia. De acordo com o diretor geral da filial brasileira Fabio Seabra, a H120 é adequada para pequenas produções (até 3.000 peças por hora) em novas linhas de produtos premium com grande necessidade de atração para o aspecto visual da embalagem.

Dentre as características que marcam o equipamento, ele destaca a alta repetibilidade, a capacidade para ciclos rápidos, o bom paralelismo e a proteção do molde. A injetora fecha com apenas 6% da força de fechamento, e o molde se abre automaticamente no caso de falha, como quando há peças presas. 
H120: opção da Husky para produtos premium

A Husky também apresentou, junto com a injetora Hylectric, uma nova solução para in mold labelling (IML) de custo reduzido, mas Seabra admite que a tecnologia ainda engatinha no Brasil, tanto pelo custo das etiquetas quanto pela necessidade de um robô. 

Embora importe as máquinas do Canadá, o diretor da filial brasileira comemorou o excelente movimento na Brasilplast e a conclusão da venda de 15 equipamentos, na maior parte para clientes dos segmentos de embalagens e tampas. “Essa edição foi muito melhor que última, devido ao bom momento econômico e ao mercado interno aquecido”, atestou Seabra.  
Modelo da B.M.B. tem alta velocidade de injeção

Acionamento diretoTambém apoiada em tecnologia estrangeira, a Eurotech, representante brasileira exclusiva da italiana B.M.B., lançou a nova alternativa para os motores hidráulicos de pistão radial montados nas máquinas de série da fabricante. Agora, ao invés de um motor elétrico de transferência, a empresa utiliza um motor direto de alto torque da Siemens no acionamento da rosca.  

A máquina híbrida em exposição, modelo KW 22 Pi 1300 (com 220 t de força de fechamento), possui rosca de 55 mm de diâmetro e capacidade de injeção de 570 cm3 de poliestireno. 
Acumuladores da KM 180 oferecem maior pressão

A linha oferece modelos com fechamento de 160 t até 1.100 t e possui velocidade de injeção muito alta: 2.300 cm3/s. Segundo as informações do gerente de vendas da Eurotech Cesar Fagundes, a máquina utiliza acumuladores em todos os movimentos (a injetora realiza cinco movimentos simultâneos) e não apenas na injeção, como é usual.

A linha é dedicada à produção de embalagens (onde a relação entre linha de fluxo e espessura média é superior a 250) com paredes muito finas ou em moldes de muitas cavidades, segmentos em que possui desempenho muito superior ao da concorrência, segundo Fagundes. Nesses casos, a perda de pressão e velocidade provoca o congelamento da matéria-prima e aumento da viscosidade, por isso a injeção precisa ser realizada em altas velocidades. “Na máquina da B.M.B não há tempo para ocorrer esse aumento de viscosidade. Além disso, os clientes têm alterado o projeto de peças para reduzir sua massa e fugir dos aumentos de preços das matérias-primas. A estratégia da empresa é voltada para atender a essa necessidade”, explica Fagundes.

De acordo com o gerente, a Eurotech concluiu a venda de três máquinas durante a feira, para clientes do segmento de embalagens de ciclo rápido. São 43 máquinas instaladas no Brasil, com a perspectiva de elevar para 50 a marca até o fim do ano. A expectativa de venda de máquinas entre 160 t e 380 t tem sido superada, graças à conclusão de negócios com máquinas de porte superior a 500 t. “São clientes agressivos, que preferem utilizar moldes de multicavidades e máquinas de alto conteúdo tecnológico ao invés de várias máquinas menos sofisticadas”, revela Fagundes.

A partir do segundo semestre de 2005, o status da Eurotech irá mudar. De representante, a empresa passa a filial da B.M.B. e ampliará sua estrutura, visando melhorar o atendimento de pós-vendas, o estoque de peças de reposição e a assistência técnica. O serviço de atendimento técnico deixa de ser terceirizado e fica a cargo da filial, e o estoque de peças (no início, com ênfase em equipamentos eletrônicos, como transdutores e sensores) deverá atingir 100 mil euros – hoje a Eurotech mantém metade desse valor. “Nós intensificamos as vendas nos últimos dois anos. A quantidade de máquinas instaladas no Brasil ainda é pequena e são máquinas novas, por isso não há necessidade de manter um estoque de reposição elevado”, afirma o gerente. A B.M.B. lançou na última feira alemã K, em Düsseldorf, linha de máquinas elétricas para peças técnicas e materiais de engenharia (PC e blendas ABS/PC), também oferecida ao mercado brasileiro, mas as vendas ainda são limitadas.

O estande da alemã Krauss Maffei também investiu na exibição de injetoras híbridas. O modelo escolhido, KM 180-1000 C3, destina-se a peças de ciclo rápido e paredes finas, e possui fechamento hidráulico de duas placas e plastificação com motor elétrico. Além dessas características, a máquina é equipada com acumuladores de nitrogênio (permitindo maior pressão de injeção) e realiza movimentos em paralelo da unidade de fechamento com a de injeção.

Segundo Rodrigo Olivetto, do departamento de vendas de injetoras, a Krauss Maffei também possui modelos inteiramente elétricos (linha EX) e disponibiliza no Brasil a máquina de 80 toneladas. Toda a linha, entretanto, deve estar à disposição dos clientes brasileiros até o começo de 2006. “O mercado de máquinas com fechamento hidráulico ainda cresce muito, apesar das máquinas chinesas de fechamento mecânico que tomam fatias do mercado”, diz Olivetto. Para ele, máquinas de fechamento hidráulico, além das elétricas, também podem ser usadas em salas limpas, e em muitas aplicações o consumo de energia, um dos atrativos das injetoras elétricas, não é decisivo para a escolha do equipamento, mesmo na Europa, onde a questão é mais crucial.

O uso de plastificação elétrica é necessário em aplicações de ciclo rápido e paredes finas, e a precisão na dosagem de matéria-prima é outro atrativo, embora Olivetto afirme que máquinas hidráulicas tenham precisão semelhante.

A série KM deve receber algumas melhorias e receberá a designação adicional AP (de advanced packaging). Os modelos atualizados terão maior velocidade de injeção, que passa de 600 mm/s para 800 mm/s. A Krauss Maffei também anunciou a nova série CX, substituta da série C. Até o fim de 2005, apenas os modelos até 160 t estarão disponíveis no Brasil, mas a partir de 2006, toda a série (200 t até 600 t) será oferecida aos clientes do País.

Entre as novidades da série CX, Olivetto destaca o novo design e o painel de controle MC5 (presente em todas as máquinas da empresa até o fim de 2005), em que as entradas seriais para impressora e teclado foram substituídas por entradas USB, e os disquetes deram lugar a memory sticks

A série permite 16 tamanhos de rosca para a mesma unidade de fechamento, característica que torna a máquina apta a maior gama de produtos com maior controle sobre o volume de matérias-primas injetado.
Engel apresentou sistema de injeção X-Melt

 

<<< Anterior

Próxima >>>