EXTRUSORAS - BRASILPLAST 2005

O argentino aposta suas fichas na visibilidade do evento e estima que os contatos feitos na semana da feira representarão cerca de dois anos em negócios. Essa projeção tem o respaldo de resultados obtidos em outras participações. Mesmo com a retração do mercado e fechamento de apenas 10% dos negócios estimados durante a Brasilplast 2003, os frutos dessa feira ainda puderam ser colhidos neste ano, afirma Rodofeli. 

Prova da existência de um mercado cativo para as mono-camadas também se deu com a participação da Magmar, de São Paulo-SP. Com a tradição de 25 anos no ramo, a empresa optou por reforçar as vendas desse tipo de máquina, ao invés de arriscar na disposição do transformador de comprar co-extrusoras. O lançamento da marca ficou por conta de novo modelo de máquina de corte e solda, área na qual a Magmar quer se destacar. No segmento das extrusoras, a empresa se posiciona entre os fabricantes nacionais de médio porte. 

Sem novidades na área de extrusoras no estande, a Magmar expôs a HLM 60. Para filmes de polietileno de alta e baixa densidade, o modelo produz até 140 kg/h, de PEBD, e possui LD 30:1, entre outras características. Além de ser campeã em vendas da Magmar, essa máquina está em consonância com a demanda da América do Sul, opina o engenheiro Magno Reis Junior. Em média, a empresa exporta até 30% de sua produção, mas para este ano prevê aumentar este índice para 50%. Com enfoque no mercado externo, a Magmar deve ampliar em breve sua representação, antes restrita à América do Sul, para Europa e África. A empresa fabrica cerca de 60 linhas ao ano, das quais de 20 a 30 são de extrusoras. O restante fica por conta das máquinas de corte e solda. 

Há 20 anos no mercado, o também fabricante nacional de equipamentos para transformação, reciclagem e compostagem de termoplásticos ADL, de Botucatu- SP, inovou com a apresentação de uma mono-rosca capaz de processar 70% de talco, ou seja, a mesma mistura à qual uma dupla-rosca co-rotante, em geral, processa a resina. Por conta de desenho de rosca e misturadores diferenciados, a máquina, desenvolvida pela própria empresa, opera sob as mesmas condições que uma co-rotante. Segundo estimativa do sócio-diretor da ADL José Carlos Correia, o preço de uma mono-rosca é equivalente a um terço do custo de uma co-rotante. Em desenvolvimento há dois anos, o modelo teve sua primeira demonstração na Brasilplast. Para Correia, colocar a máquina em funcionamento foi importante para mostrar as características do modelo. “Alguns chegaram a duvidar que a máquina processa nessa proporção, mas aqui pudemos comprovar”, afirma. Em geral, uma mono-rosca convencional chega a processar até 30% de talco.

Outro destaque no estande da ADL ficou por conta do sistema peletizador de corte na cabeça, em função de ser compacto e possuir alto acabamento. Essas novidades traduzem o bom momento da empresa, que no próximo semestre se transfere para outro endereço. A mudança propiciará ao fabricante aumento de 30% da capacidade produtiva no primeiro ano de funcionamento. Sobram motivos para apostar no sucesso da ampliação. Nos cinco últimos anos, a ADL registrou crescimento anual médio de 30% a 40%. As exportações também são promissoras. Da produção total, a empresa exporta cerca de 15%. Neste ano, por conta da Brasilplast, revisou para 25% essa projeção.

Dupla-rosca em alta - A Miotto - Indústria de Máquinas e Equipamentos para Extrusão de Termoplásticos, de São Bernardo do Campo-SP acertou na escolha dos modelos expostos, na avaliação de seu presidente Enrico Miotto. Isso porque, desde sua estréia na feira, esta décima participação na Brasilplast foi a mais significativa, em termos de realização de negócios e de contatos. A perspectiva de vender dois milhões de reais durante o evento se superou antes mesmo do seu término. “Estou muito feliz e satisfeito, ultrapassamos todas as expectativas. Este foi o maior público de todos os tempos no nosso estande”, afirma. Por esse motivo, Miotto prevê para o saldo pós-feira, faturamento 100% superior ao previsto inicialmente. 

O fabricante também comemora outro feito. Há tempos sem atingir sua meta de exportação, a Miotto deve comercializar para o mercado externo, o previsto para este ano, 30% da sua produção. “Estamos com tecnologia de igual para igual, em relação aos europeus. No ramo das co-rotantes não há diferenciação entre os modelos”, comenta. 
Miotto: linha para perfis expandidos em PVC e madeira

Com o câmbio a seu favor, o fabricante nacional atraiu estrangeiros não só da América do Sul, mas também da Europa. A procura foi grande a ponto de estimular Miotto a melhorar sua estrutura de vendas no Exterior, a começar com a abertura de representação em Portugal. O contato foi realizado na própria Brasilplast. Também por causa da presença maciça de estrangeiros, no caso específico de argentinos, Miotto prevê voltar a participar da Argenplás. A próxima edição da feira será realizada em 2006, em Buenos Aires. 

Esse saldo positivo tem um porquê. Na opinião de Miotto, as máquinas funcionando chamaram a atenção do público e demonstraram a qualidade da produção nacional. Cada vez que a linha para perfis expandidos em PVC rígido e madeira entrava em operação, um amontoado de pessoas se aglomerava no estande. A máquina fabricou composto expandido de perfil de PVC com pó de madeira. Outra novidade ficou por conta da extrusora dupla-rosca co-rotante série ECM-2R para fabricação de masterbatch, com sistema de corte à quente. O seu diferencial reside na utilização de anel de água, possibilitando a imersão da placa do cabeçote. A linha de extrusão para granulação com sistema de corte à quente no cabeçote conta com resfriamento e secagem de alto desempenho e unidade compacta monobloco, construída em aço inoxidável para produção de até 400 kg/h. A empresa aproveitou a visibilidade da feira para mostrar outros equipamentos, como bobinador duplo série BDT – 1000, troca filtro hidráulico contínuo de duplo estágio e uma extrusora mono-rosca série EM 03, entre outros. Da Equipamentos Industriais Xaloy, empresa do grupo, expôs cilindros bimetálicos e roscas já tradicionais da marca. 

A MH Equipamentos, de Guarulhos-SP, participou da feira, sem a apresentação de máquinas, mas mostrou, em cartazes, a nova extrusora da marca. Trata-se de modelo dupla-rosca para laboratório, destinada para processar compostos poliméricos e masterbatches. A máquina opera a partir do conceito de cilindros e roscas segmentadas. Prova do avanço dos modelos dupla-rosca no mercado também se deu com a participação da Extrusão Brasil, de São Bernardo do Campo–SP. Além de exibir suas máquinas e fortalecer o segmento, a empresa tinha uma primeira missão na Brasilplast: mostrar ao mercado que agora produz as máquinas da tradicional Imacom. Para compor seu estande, a empresa escolheu, entre outros, extrusora dupla-rosca co-rotante, para master e compostos e extrusora contra-rotante EB-DR 67:22. 

A alemã Coperion levou para o Anhembi dupla-rosca co-rotante STS-50. O modelo opera a 600 r.p.m. e tem capacidade produtiva de até 450 kg/h. A linha Compounder STS é ideal para aplicações de pequeno e médio porte e opera sob princípio modular, que permite diferentes comprimentos da zona de processamento e facilidades na troca de peças de reposição. A máquina conta com eixo co-rotante autolimpante e processa master, plástico de engenharia e produtos de PVC, na versão da máquina de dois estágio STS (two stage version), entre outros. 

Com a tradição de quem representa a norte-americana Davis Standard, a By Engenharia, de São Bernardo do Campo-SP, anunciou sua nova representada: a italiana Maris. Com o foco no segmento de máquinas co-rotantes para fabricação de hot melt, compostos e masterbach, a Maris divulgou seus planos de nacionalizar as máquinas da marca. A idéia é restringir a importação ao redutor, componente que seria trazido da Itália, e o restante seria fabricado e montado em território nacional. “Estamos em estudo, mas colocaremos em prática essa proposta em médio prazo”, comenta o representante da By Engenharia Antonio Alves. Um ano é o tempo estimado para o início das atividades. “Não pagar o imposto de importação já é um ganho muito importante”, pondera.

Máquinas co-rotantes já embutem na estrutura um preço mais alto do que as extrusoras convencionais, por isso, só com a redução de preço, as vendas se viabilizariam, afirma o diretor Marco Antonio Gianesi. A combinação euro e tributos de importação foram implacáveis para o fabricante italiano. O gerente de vendas da Maris Luciano Gallino estima existir cerca de 25 máquinas instaladas no parque industrial nacional. A participação da empresa no mercado é considerada pequena, ainda mais se considerar os negócios realizados nos últimos dois anos. Em 2003 a empresa registrou uma venda e fechou 2004 sem comercializar seus modelos no País. 

A mudança de representante, no entanto, também fortalece a marca no Brasil, pois com fábrica no País e o licenciamento da Gala Industries, a By Engenharia tem condições de melhorar a penetração das máquinas italianas no mercado nacional, aposta Alves. “O cliente da Gala é um cliente em potencial para a Maris”, exemplifica. “Com a nova representação, queremos colocar no mercado uma máquina por mês, já no primeiro ano”, aponta Gallino. A idéia é iniciar as operações com foco em modelo de máquina co-rotante, que opera a 1300 r.p.m. Com estrutura para cerca de 50 máquinas, ao ano, de diâmetro de 30 mm a 220 mm, a Maris fabrica extrusoras para diversas aplicações, sobretudo compostos, master, PVC e EVA, entre outros. 

Na avaliação dos executivos da Maris, a partir das estratégias adotadas pelas importadoras, o parque industrial brasileiro terá reais condições de absorver tecnologia internacional, pois o custo de produção tende a diminuir. Eles também apontam outro fenômeno, inversamente proporcional. Para a empresa, os fabricantes nacionais, por sua vez, devem intensificar a adoção de peças importadas, na tentativa de melhorar a qualidade de suas máquinas. Dessa forma, a concorrência deve ficar mais equilibrada, com respeito ao preço das máquinas. A tendência é que as máquinas importadas baixem de preço e as nacionais aumentem, comentam. Entre o destaque da marca está a HT, modelo de alto corte. Para os próximos meses a Maris promete lançar duas novas linhas de alta produtividade. 

<<< Anterior

Próxima >>>