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EXTRUSORAS
- BRASILPLAST 2005
Fabricante confirma preparo para
aprimorar parque industrial nacional
Importados tentam entrar no País,
com redução dos custos, enquanto fabricante local amplia índices de exportação
Texto de Renata Pachione e
fotos de Cuca Jorge
| Os visitantes da Brasilplast testemunharam os esforços dos fabricantes de extrusoras para elevar o nível tecnológico do parque industrial nacional. Enquanto o empresário brasileiro mostrou modelos sofisticados – capazes de impressionar tanto o transformador local quanto o estrangeiro, a indústria internacional buscou uma brecha para penetrar no País, reduzindo o preço de suas máquinas. Essa concorrência só contribuiu para qualificar a participação do setor na principal feira da indústria sul-americana do plástico. |
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| Co-extrusora de três camadas da Rulli processou
410 kg/h |
A co-extrusão deixou de ser promessa já na edição passada da Brasilplast e se confirmou como a bola da vez no segmento de filmes. A indústria do plástico se rendeu a este tipo de tecnologia e proporcionou aos fabricantes de máquinas, como Rulli Standard e Carnevalli, a possibilidade de projetarem avanços promissores nas vendas. Se, no ano passado, a Rulli, de Guarulhos–SP, teve dificuldades para confirmar suas expectativas de dobrar o faturamento do ano anterior, 2005 veio saldar esta dívida. No início de 2003, a empresa mudou de endereço para área de 16 mil m², porém a retração do mercado na época impediu a amortização do investimento.
Esta Brasilplast, no entanto, sinalizou outro desfecho para este enredo. De acordo com o gerente comercial Luiz Carlos Rulli, o mercado mostra-se aquecido e pronto para absorver novos negócios. Mesmo antes do término da feira, Rulli já definia a participação como positiva, a ponto de renovar a perspectiva de dobrar o faturamento até o final de 2005. Ele baseia esta expectativa sobretudo nos contatos realizados com os estrangeiros.
Compradores da Argentina, Chile, Peru, Venezuela e Colômbia estiveram em peso no estande da empresa, para conferir, em especial, a máquina de três camadas Coex-3. Com 12 metros de altura, o modelo, com largura de 2,5 m útil de filme, processou 410 kg/h, durante a feira. “A máquina chamou a atenção, porque produziu ao mesmo nível de máquinas européias”, orgulha-se.
A qualidade da produção nacional também pôde ser comprovada com linha completa para co-extrusão de chapas de duas camadas - modelo Coex-2 PP. A máquina é capaz de produzir até 800 kg/h de PP, e até 1 mil kg/h de PSAI. Outro destaque ficou por conta da linha de extrusão para filmes tubulares, a EF-2½”, modelo de LD 30:1 e largura de 1.500 mm de PEBD.
Entre outros componentes, conta com troca-tela tipo gaveta pneumático e cabeçote giratório, com anel de resfriamento aerodinâmico de duplo fluxo. O público do Anhembi teve a oportunidade de visitar as instalações da empresa, onde exibiu uma co-extrusora de cinco camadas. De acordo com Rulli, o sucesso do evento e do open house se deve à tecnologia das máquinas nacionais, hoje no mesmo nível das estrangeiras.
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A Carnevalli, de Guarulhos-SP, também confirmou o alto nível tecnológico do setor. Houve dias em que o estande de 1 mil m² ficou pequeno para acolher o público interessado nos modelos da marca, segundo o diretor Wilson Miguel Carnevalli. “Os contatos feitos na feira ultrapassaram as expectativas”, assegura. Detentora da única co-extrusora de sete camadas exposta no evento - a Polaris Coex 7 PA 1200 para produção de até 300 kg/h de PE, PA e EVOH -, a Carnevalli mostrou seu preparo para atender tanto à demanda doméstica quanto à externa. |
| Modelo da linha Polaris: única máquina de 7
camadas da feira |
“Nós nos especializamos em filmes, ao longo dos anos”, ressalta. No mercado de máquinas para a indústria do plástico desde 1962, a empresa pôs à prova sua experiência e apostou na diversidade, com a exposição de modelos variados: a Polaris 3PO 1800, para filmes de três camadas, e duas máquinas Polaris Magnum, modelos de diâmetro de rosca de 75 mm e de 60 mm.
Segundo observou Carnevalli, neste ano em particular, a maior procura se deu em relação a modelos de alta tecnologia, sobretudo co-extrusoras, comprovando a inclinação do mercado para consolidar este tipo de máquina. O fabricante, no entanto, nem precisa esperar essa tendência se estabelecer para comemorar. Hoje a Carnevalli já opera com capacidade plena, o que dá à empresa a possibilidade de restringir as exportações para no máximo 30% de sua produção. “O Brasil e o mercado externo estão comprando bem”, afirma. Para o diretor, o bom momento do setor compensa a retração dos últimos três anos. “Estamos vivendo uma retomada do crescimento”, avalia.
Importados – Ao contrário do que ocorre com o fabricante nacional, a indústria estrangeira tem dificuldade para vender ao Brasil. Na opinião do gerente de vendas para América Latina da Battenfeld-SMS Group Frederico Hinrichsen, apesar da máquina de origem alemã ser referência para a indústria mundial do plástico, o mercado brasileiro ainda encontra dificuldades para absorver essa tecnologia. Para ele, entre 1995 e 2001, o País foi um bom comprador, mas nos últimos tempos, fechou as portas para os importados.
| “O que dificulta os investimentos é a alta valorização do euro e os impostos”, aponta. No entanto, como reclamar não gera faturamento, a empresa mudou sua estratégia e liberou para a América do Sul a venda das extrusoras da marca Battenfeld produzidas na sua filial chinesa. |
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| Hinrichsen prevê aumento das vendas |
A medida evita iminente colapso nos negócios realizados na região, pois dessa forma, a empresa terá condições de vender seus modelos ao mercado sul-americano a preços bem inferiores aos cobrados pelas máquinas fabricadas na Alemanha, hoje consideradas proibitivas para o bolso do transformador brasileiro. “Continuaremos com nossa tecnologia, mas o preço será mais competitivo”, esclarece Hinrichsen. Com custo de produção reduzido, a Battenfeld enxerga a iniciativa como uma maneira de tornar a tecnologia alemã mais acessível ao mercado nacional.
A decisão de vender equipamento chinês na América do Sul se confirmou durante a Brasilplast, portanto a empresa ainda estuda os detalhes da estratégia. “Só sei que vamos aumentar nosso market-share na América do Sul, quanto ainda não discutimos”, diz Hinrichsen. Antes de qualquer deslumbramento, ele admite um grande desafio pela frente: convencer o setor que a qualidade da empresa alemã se manterá. “Se o mercado reconhecer que a tecnologia é a mesma, vamos crescer aqui”, conclui.
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