O desenvolvimento do produto, patenteado pelo fabricante, absorveu cerca de US$ 2 milhões e dois anos de pesquisa. Para o diretor comercial dos negócios de polipropileno Luís Felli, a nova resina responde à tendência mundial do mercado de exigir alimentos em embalagens transparentes. 

Cuca Jorge
A Braskem espera deter 50% do mercado brasileiro, com demanda potencial inicial de 10 mil t/ano, e também atingir o mercado externo, com potencial inicial de consumo de 20 mil t/ano.
Felli: produtos seguem tendeência mundial por maior transparência

Já a criação da resina Prisma 3400 envolveu um grupo de parceiros: a Milliken, fornecedora de aditivos; a Sidel, fabricante de sopradoras; e a Packpet, transformador pioneiro no mercado a oferecer à indústria de bebidas a embalagem resultante da tecnologia. O investimento total em conjunto atingiu US$ 5 milhões, dos quais só a Braskem desembolsou US$ 3 milhões, além de mais de dois anos de pesquisa.

Trata-se da primeira resina disponível para uso em altas escalas de produção, na qual o PP clarificado é injetado para obtenção de uma pré-forma e, numa segunda etapa, estirado e soprado em equipamento de sopro de alta capacidade. A Braskem estima em 100 mil t/ano o potencial de mercado, equivalente à demanda de bebidas não-carbonatadas,  e espera conquistar acima de 10% do segmento. Além da alta transparência e brilho, semelhante à do PET, o novo PP alia a vantagem de oferecer resistência à temperatura e permitir envase a quente. 

Cuca Jorge
Nos casos de envase a frio, a embalagem também oferece vantagens como excelentes propriedades de barreira à umidade e aos aromas. Com ótimo equilíbrio entre rigidez e resistência ao impacto, também permite empilhamento dos fardos sem danificar as embalagens, assegura o fabricante.
Brinkmann: catalisador avançado pós-metaloceno é peça central

Já a Dow escolheu a Brasilplast para o lançamento oficial no mercado brasileiro da primeira geração de copolímeros à base de polipropileno, batizada linha Versify. Inéditos no mundo, esses copolímeros derivam da tecnologia Insite e do uso de novo catalisador revolucionário, que permite a produção de copolímeros controlados. O catalisador é peça central na produção da nova família de copolímeros de polipropileno e etileno com segmentos semicristalinos de propileno isotáctico. “Trata-se de uma geração avançada de catalisadores pós-metaloceno”, disse Ralf Brinkmann, diretor global de produtos elastômeros e especialidades Dow Europe GmbH.

Como resultado, o fabricante consegue combinar as propriedades do etileno com as do polipropileno em um só produto. Alia elasticidade e flexibilidade com rigidez e dureza. Além disso, possui alta compatibilidade com poliolefinas, permitindo a produção de blendas variadas. A intenção da Dow, no entanto, é comercializar os grades puros. Competirá às indústrias de transformação ou aos produtores de compostos efetuar as misturas. De acordo com o diretor, o produto chega ao mercado a preços competitivos. “A Dow já dispunha da tecnologia Insite e dos metalocenos, o que permitiu lançar o novo produto com estrutura de custo bem favorável”, ponderou.

Entre os principais benefícios da nova linha, o fabricante ressalta claridade e alto brilho, maciez, elasticidade, redução de ruído, baixa temperatura de início com uma ampla janela de selagem, flexibilidade e resistência a temperaturas mais altas, elevado grau de tenacidade, maior facilidade de processamento em equipamentos convencionais e excelente adesão ao polietileno e ao polipropileno.

A nova família Versify é fabricada em Tarragona, na Espanha, em unidade com capacidade instalada de 57 mil toneladas anuais. Segundo Brinkmann, a incorporação de etileno no propileno pode variar desde 5% até 15%, gerando até 12 grades com diferentes características, de acordo com a porcentagem variada. O índice de fluidez varia de 2 a 25, informa. O diretor ainda destaca entre as propriedades a faixa de distribuição estreita de peso molecular, o que melhora as características de temperatura, e a faixa cristalina larga, conferindo melhores características de fusão. “É uma especialidade e ainda está em período de desenvolvimento, mas a Dow espera ao longo do tempo ampliar a produção”, informou.

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