ARGENPLÁS E PLASTIMAGEN
ACIRRAM A CONCORRÊNCIA

A proximidade das datas não agradou os organizadores, porém a antecipação da 14ª edição da Plastimagen - Exposição Internacional e Conferência da Indústria do Plástico, na Cidade do México, reduziu a alguns dias o prazo entre a feira mexicana e a Argenplás - XI Exposição Internacional dos Plásticos, em Buenos Aires, na Argentina. Sob a batuta da brasileira Alcântara Machado Feiras de Negócios, a Argenplás será de 20 a 24 de março de 2006. Na semana seguinte, de 28 a 31, ocorre a Plastimagen. Em 2004, o prazo entre os eventos foi de um mês.

Cuca Jorge
Elena lamenta proximidade das duas exposições

A diretora da Plastimagen Elena Maribona atribui o fato à dificuldade de conciliar a agenda do pavilhão de exposições ao calendário internacional de feiras do setor de plásticos, entre outros. "Lamentamos a proximidade e vamos torcer para que o fato não cause problemas a qualquer uma das feiras", disse durante evento de apresentação da Plastimagen à imprensa, no dia 5 de abril, em São Paulo. Em 2006, a feira ocorrerá no Centro Banamex - um dos maiores e mais modernos pavilhões da Cidade do México.

Desde o agravamento da crise econômica na Argentina, a Argenplás sofre com a alteração das datas. Em 2002, depois de quase ser cancelada, passou de maio para novembro. Em 2004, ocorreu em março. Para o diretor da Alcântara Machado Evaristo Nascimento, a proximidade vai acirrar ainda mais a competição entre as duas feiras e prejudicar o número de visitantes e expositores que, em muitos casos, terão de optar entre uma ou outra. "As duas saem perdendo", avalia.

Nascimento espera, no entanto, que a situação possa ser resolvida a partir de 2008, com a melhor acomodação das datas. "Não dá para antecipar nada ainda, pois os calendários não estão definidos." Mesmo com esse imprevisto, as expectativas para Argenplás são otimistas. A feira contará com área cerca de 30% superior à edição anterior, em torno de 20 mil m². O número de expositores deve passar de 252 para 320. A evolução, no entanto, ainda fica muito aquém dos 475 da edição de 2000.

A Argentina é o segundo maior importador de bens de capital mecânico do Brasil, com 12% de participação, atrás apenas dos Estados Unidos e um dos principais mercados para os artigos transformados plásticos. A organização da Plastimagen estima atrair mais de 700 expositores e 28 mil visitantes.

México - Estimado em 4,5 milhões de toneladas, o consumo mexicano de plásticos cresceu 7% em 2004. Grande produtor mundial de petróleo, com 3,5 milhões de barris por dia, o país vende mais 50% da produção e compra no exterior a maior parte dos insumos e resinas termoplásticas que consome. "Importa 40% das poliolefinas, 60% do monômero de estireno e quase 100% de propileno", segundo dados divulgados pelo jornalista Gabriel Catino, convidado pela direção da Plastimagen para apresentar o mercado mexicano.

A situação no setor de máquinas e equipamentos não é diferente. "Em 2003, o país importou US$ 560 milhões de máquinas para o processamento de plásticos." Há também poucos fabricantes de periféricos e moldes. Do total das importações de máquinas, 61% destinam-se ao mercado de injeção, 23% ao sopro, 10,5% para a extrusão, 4% para a termoformagem e 1,5% restante para outros segmentos.

Panorama que torna o país bastante atraente aos exportadores brasileiros. "Porém, não se trata de um mercado fácil de trabalhar", alerta Catino. As dificuldades vão desde a forte concorrência com os asiáticos e passam pela carência de financiamentos e limitações de crédito. O país também possui importantes tratados de livre comércio. Dentre eles, destaca-se o Nafta em vigor desde 1994, além de acordo com a União Européia, estabelecido há 3 anos, e mais recentemente com o Japão.

O México tem recebido fortes investimentos estrangeiros no setor automotivo, farmacêutico e de brinquedos, entre outros. Segundo o presidente da Associação Nacional das Indústrias do Plástico (Anipac) Horacio Lobo Zertuche, o país conta com 4.600 transformadores, incluindo as 600 maquiladores, empresas que operam numa espécie de zona franca e manufaturam produtos estrangeiros.

Cerca de 60% dos transformadores são micro empresas; 24%, pequenas, 12% média, e apenas 4% grandes. Possui 55 fabricantes de resinas, 20 de aditivos e dois de máquinas. O mercado é disputado ainda por 150 distribuidores de resinas, 25 de compostos, 80 de aditivos, 130 de máquinas e 50 de moldes, incluindo diversas filiais de empresas multinacionais que montam alguns equipamentos no país. Há também 50 recicladores e mais de 20 mil usuários não integrados à cadeia dos plásticos.

As commodities termoplásticas re-pre-sentam 85% da demanda dos plásticos, seguidas pelas resinas de engenharia com 7%, as termofixas com mais 7% e outros materiais, 1%. O consumo per capita do país chega a 43 kg. "A expectativa é alcançar 120 kg por habitante até 2002", prevê Zertuche.

Encabeçado pela Pemex, o Projeto Fênix pretende promover a auto-suficiência do país em produtos plásticos. No final do ano passado, foram definidos os outros três sócios do consórcio: o Grupo Idesa, empresa petroquímica mexicana com experiência na produção de petroquímicos intermediários; a Indelpro, fusão entre Alfa e Basell - líder em tecnologia e produção de polipropileno; e a Nova Chemicals Corporation, canadense líder na produção de etileno, polietileno e poliestireno. A Pemex Petroquímica é a única produtora mexicana de etileno e polietileno. Estima-se que as diretrizes do projeto sejam definidas até meados de 2005.

 Simone Ferro

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