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“Buscamos ampliar a sinergia com os setores
petroquímico e de fertilizantes na América do Sul, incluindo parcerias
com a Argentina, Bolívia e Venezuela”, disse. A região é rica em
hidrocarbonetos, mas não está sendo capaz de atrair os grandes players
mundiais para investimentos. “Esses grandes grupos agora só têm olhos
para o Oriente Médio e para a Ásia”, ponderou. A companhia vai destinar 7% do investimento total
previsto para a área de abastecimento – US$ 11,7 bilhões – entre
2004 e 2010. Segundo Terabe, esses números devem ser alterados na
próxima revisão e não incluem ainda o projeto a ser montado no Rio. O
desenvolvimento econômico do Brasil amplia o mercado potencial para
derivados petroquímicos, produtos cujo consumo per capita ainda
permanece muito baixo, mesmo quando comparado com países vizinhos. Terabe
estima, por exemplo, que já em 2007 o mercado demandará polietilenos em
volume suficiente para erguer outra fábrica, além da Rio Polímeros. A
situação se repete no polipropileno e no PET. “A conjuntura local e mundial é muito interessante
para negócios no setor petroquímico; o problema é garantir suprimento
de matérias-primas”, avaliou o diretor-superintendente da Suzano
Petroquímica, Armando Guedes Coelho. O Brasil importa aproximadamente 7
milhões das quase 10 milhões de t/ano que consome nas suas três
centrais alimentadas a nafta. “E há pouco gás natural, matéria-prima
limitada a eteno e propeno, enquanto o País também necessita de
aromáticos e de butadieno”, comentou. A dependência de importações
pode desestimular novos projetos. Terabe explica que a Petrobrás está atenta ao problema
e pretende se firmar como a principal fonte de matérias-primas para o
setor, a começar pela oferta de correntes gasosas residuais das
refinarias com potencial uso petroquímico, a exemplo do projeto da PqU.
É o caso da planta em desenvolvimento pela Braskem para usar propeno das
refinarias de Paulínia (Replan) e de São José dos Campos (Revap) para
produzir 300 mil t/ano de polipropileno ao lado da Replan. Essa refinaria
pode oferecer 220 mil t/ano da olefina, enquanto a do Vale do Paraíba
forneceria outros 165 mil t/ano. A separação das correntes exigirá
aplicar US$ 160 milhões nas unidades de refino, além dos US$ 200 milhões
para erguer a fábrica da resina. O propeno da Replan também é disputado pela Polibrasil
para aumentar de 300 mil para 450 mil t/ano a produção do termoplástico
no sítio de Mauá-SP. A empresa cogita montar unidade nova, ou reativar a
antiga fábrica, para 140 mil t/ano, após atualização. O plano consiste em obter 650 mil t/ano de paraxileno,
para fazer 750 mil t/ano do ácido purificado, com exportação de parte
desse volume, até que novas unidades de PET no País venham a consumi-lo.
O xis da equação é o suprimento de paraxileno. “A Refinaria Landulpho
Alves, de Mataripe-BA, [Rlam], tem condições de ampliar a
oferta de nafta petroquímica a partir do processamento de condensados
importados, de modo a suportar acréscimos de xilenos na região, além de
reduzir a necessidade de importações por parte da Braskem”,
considerou. Atualmente, a petroquímica baiana traz do exterior quase 35%
da nafta que consome. “É um cliente que podemos e queremos atender”,
afirmou. Mesmo com os esforços da Rlam, a necessidade de paraxileno só
poderá ser totalmente suprida a partir do Complexo Petroquímico
Integrado, no Rio. Parceira nos projetos de polipropileno em Paulínia-SP e
do complexo fronteiriço com a Bolívia, a Braskem e a Petrobrás
conversam sobre possível fornecimento de gases de refinaria para ampliar
a oferta de eteno. “O pólo baiano já tem escala mundial e está no
limite da utilização de nafta; o gás de refinaria permite aumentar de
forma econômica a produção”, afirmou Terabe. “Estamos só
conversando, por enquanto.” |
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