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Setor ativa projetos para atender demanda crescente Conjuntura mundial anima setor e também a petrobrás a investir no aumento de capacidade produtivas no brasil aproveitando as cargas disponíveis Depois de décadas, o setor
petroquímico brasileiro volta a falar em rasgar o chão para erguer
projetos petroquímicos inteiramente novos. Entre 2010 e 2015, a
capacidade instalada para produção de eteno poderá passar das atuais
2,9 milhões de t/ano para quase 6 milhões de t/ano, cobrindo com folga o
desequilíbrio de 3 milhões de t/ano entre oferta e demanda da olefina,
estimado pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim)
para o período. Entre o papel e a sólida realidade de fornos e colunas há
muito mais dificuldades além dos prosaicos suportes financeiros, da ordem
de bilhões de dólares. Embalados pelos excelentes resultados obtidos em
2004, puxados pela recuperação da economia dos Estados Unidos e pelo
irrefreável desenvolvimento chinês, projetos saltam das gavetas e
iniciam a maratona de etapas, do projeto básico até a partida das
instalações, capaz de consumir de dois a cinco anos, dependendo da
complexidade de cada caso. De saída, já em maio de 2005, os fornos da Rio Polímeros
entram em operação comercial, com aumento progressivo da produção até
setembro ou outubro. Com isso, serão mais 520 mil t/ano de capacidade
produtiva de eteno, nesse caso obtido a partir de gás natural da Bacia de
Campos-RJ. Depois de receber o sinal verde do presidente da república, a
Petroquímica União, em São Paulo, acelera estudos e projetos visando
ampliar em 200 mil t/ano a produção de etileno, hoje de 500 mil t/ano. O maior projeto do setor em elaboração é o Complexo
Petroquímico Integrado, a ser instalado provavelmente em Itaguaí, no
Estado do Rio de Janeiro, para funcionar a partir de 2010. A idéia é
montar uma “refinaria petroquímica” para processar o óleo pesado do
Campo de Marlim (menos de 15º API) para obter diesel, GLP, eteno,
propeno, paraxileno, benzeno e coque. Corre por fora, beirando a cerca, o Complexo Gás Químico
da Fronteira, cracker de gás natural argentino e boliviano, em
fase de estudos por parte dos grupos Petrobrás, Braskem e Repsol, para
partir entre 2009 e 2011. Com a perspectiva de ofertar entre 500 mil e 750
mil t/ano de eteno e 390 mil t/ano de GLP, a partir do investimento de US$
1,35 bilhão pelos parceiros, a principal objeção ao projeto é a
instabilidade política no país vizinho, que pode comprometer o
suprimento de matéria-prima, ainda que esta seja, em grande parte,
proveniente do Norte da Argentina. Passos
de gigante – A Petrobrás afastou-se do cenário petroquímico
a partir da criação do Plano Nacional de Desestatização, no início da
década de 1990, tendo mantido participações acionárias nas centrais
petroquímicas. Em período mais recente, a palavra de ordem da companhia
foi concentrar esforços para atingir a meta da auto-suficiência em petróleo,
quase totalmente alcançada. Agora, a petroquímica recuperou prestígio e
será alvo de investimentos. “A estratégia da Petrobrás prioriza o setor petroquímico,
porém com seletividade”, ressaltou Kuniyuki Terabe, gerente executivo
de petroquímica da Petrobrás e presidente da subsidiária Petroquisa.
Trocando em miúdos: não é qualquer projeto que interessa à estatal. As
hipóteses serão avaliadas principalmente quanto à rentabilidade e à
relevância tecnológica. “Não queremos ser donos de nada, mas
pretendemos participar de investimentos, com posição importante
neles”, comentou.
A justificativa para conceder prioridade ao setor está
ligada ao fato de a Petrobrás, ao aumentar sua produção, ter encontrado
grandes reservas de gás natural e de óleos muito pesados para serem
processados pela atual estrutura de refino. Além disso, a maior produção
de gasolina e óleo diesel é acompanhada pelos seus co-produtos, como
nafta, propeno e gases, largamente consumidos por unidades petroquímicas.
A integração de negócios, portanto, tem forte base lógica. |
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