Cuca Jorge
Nicolsi: exportação cresce após aquisição

O ano passado também foi dos melhores para a produtora de masterbatches de aditivos e masterbatches para a fabricação de aditivos Macroplast. O crescimento médio real entre 30 e 35%, em 2004, e o desempenho do mercado interno, particularmente de março a outubro, foram excelentes, na opinião de Fernando Nicolosi, diretor da empresa. Parte significativa do aumento veio da exportação de produtos plásticos transformados, e alguns aditivos tiveram maior destaque, como os usados em embalagens de polietileno, mas o crescimento poderia ser ainda mais forte, não fossem os aumentos de preços nas resinas. "A cotação da nafta e dos principais monômeros petroquímicos aumentou em todo o mundo. Falou-se em aumentos de preços de resinas de até 90% em 2004. Mas, na cadeia de suprimentos, esses aumentos não foram distribuídos de maneira uniforme, a cadeia assumiu parte deles e o repasse para o consumidor final foi menor", comenta Nicolosi. 
Já em 2005, apesar dos meses de janeiro e fevereiro abaixo das expectativas (talvez devido à demanda menor, ou talvez à ponta estocada, não se sabe ao certo), Nicolosi percebe melhora após o Carnaval, e acredita no início de uma nova curva de crescimento, menos eufórica que em 2005, a partir de março. A esperança é de crescimento geral entre 25% e 30% no ano. Mas o mercado interno de aditivos, ao contrário do de resinas, que tem crescido sustentadamente cerca de dois dígitos ao ano nos últimos dez anos, se caracteriza por oscilações desde meados de 1995, época do Plano Real. E, para o diretor da Macroplast, quaisquer oscilações na demanda internacional, incertezas no preço ou no fornecimento de petróleo, e oscilações do câmbio no curto prazo podem azedar esse caldo de crescimento. 
Uma das maneiras de se proteger dessas oscilações seria a exportação de aditivos, mas o Brasil ainda não é competitivo em custos nesse segmento. "Talvez uma resina ou outra tenha escala e capacidade para competitividade na exportação, mas ainda estamos muito longe de preços como os dos asiáticos. O caminho para a exportação, então, passa por produtos de qualidade, maior valor agregado e benefícios do Estado, de modo a facilitar o processo", pleiteia o diretor da Macroplast. 
Grande passo nessa direção foi a compra do negócio de masterbatches da Basf e o acordo de transferência de tecnologia e know how, pelo qual a empresa brasileira passa a ter acesso aos produtos de maior valor agregado desenvolvidos pela alemã. "Nós passamos a integrar a rede global de masters para produtos especiais da Basf. Somos uma empresa brasileira powered by Basf, em masterbatches", brinca Nicolosi. 
De acordo com ele, os planos e estudos realizados para a compra do negócio se concretizaram por inteiro, o que, por si só, já é uma grande notícia no Brasil, dada a propalada instabilidade da economia. O tempo da operação foi recorde (cerca de 30 dias) mas, além das dificuldades típicas da compra de um negócio, a Macroplast enfrentou uma certa resistência do mercado, afinal uma empresa do Brasil suportada por uma multinacional não é a mesma coisa que uma multinacional.
A realização da Brasilplast 2005, dessa feita, é mais uma oportunidade para a empresa reforçar a imagem de sua competitividade de cunho mais global. Na feira, será lançada uma nova linha de masterbatches de proteção ultravioleta para grama sintética, com tecnologia Basf. Da parceira com a empresa alemã também virão linhas avançadas para multifilamentos de altíssimo desempenho já utilizadas na Europa. Do portfólio próprio, a empresa apresentará alguns aditivos para filmes técnicos, principalmente agrícolas. Essas formulações foram desenvolvidas sob medida para determinadas culturas, e podem ser utilizadas na proteção de rosas e de camarões. A plasticultura, aliás, deve se tornar um dos grandes filões para os aditivos no futuro. 

Multifunções - Uma tendência já presente no mercado, porém, é a busca por produtos multifuncionais. "A demanda por produtos que concentram mais de uma função tem crescido", atesta Alessandro Moraes, gerente comercial da área de aditivos para plásticos da Rohm and Haas, na América Latina. 
"Uma formulação de aditivos para PVC contém auxiliares de fluxo, modificadores de impacto, estabilizantes e outros componentes. Já há vários produtos, e nós temos alguns, combinados, com o modificador de fluxo e o de impacto juntos. Lubrificantes e estabilizantes combinados é outra opção comum no mercado", afirma Moraes. 

Cuca Jorge
Moraes: mercado pede mais multifuncionais

O caráter multifuncional pode ser obtido de duas maneiras: química ou mecanicamente. Nessa última, há uma simples mistura de dois produtos diferentes, enquanto na química, a modalidade mais comum, uma molécula é funcionalizada, com a inserção de componentes diferentes (responsáveis por propriedades diferentes) na mesma partícula. O resultado é uma eficiência muito maior, já que na mistura mecânica não se garante a homogeneidade do produto, e seu desempenho pode oscilar. "O cliente sempre almeja gastar menos e ser mais produtivo. Mas, no Brasil, é uma característica marcante do mercado, orientado a produtos de performance mais simples, e com poder aquisitivo menor", analisa o gerente da Rohm and Haas. 
Tais peculiaridades orientam a atuação das empresas no sentido de buscar evoluções dos produtos tradicionais, com melhora de desempenho e redução de custo final, e é isso que a empresa pretende apresentar na Brasilplast 2005. Toda a linha de aditivos da empresa será apresentada na feira, com ênfase em alguns novos grades de produtos multifuncionais para PVC, combinando auxiliares de processo com modificadores de impacto, além de alguns estabilizantes à base de estanho.

Cuca Jorge
Sanna: momento bom para diferenciação

O acesso para o mercado da América Latina é muito mais simples no Brasil, e a dificuldade da língua é bem menor", opina Ana Paula Rezende, gerente de produto da unidade Cargas Avançadas e Pigmentos. E, ainda por cima, o bom desempenho das empresas em 2004 gera boas expectativas para o evento em 2005. "O panorama de negócios positivos favorece a discussão de projetos de investimento, de novas aplicações e de maneiras de se diferenciar no mercado. Há um clima favorável a inovações, negócios e diferenciais. E, como a Degussa é uma empresa focada em especialidades e soluções diferenciadas, o momento é ótimo", afirma, otimista, Reynaldo Sanna, gerente do negócio Polímeros e Intermediários. 

Cuca Jorge
Ana Pula: retardantes da Great Lakes na linha

O panorama positivo a que se refere Sanna decorre do aumento da demanda experimentado em 2004, e que situou o crescimento da empresa, naquele ano, ao redor de 5%. A tônica do ano passado, para ele, deve continuar, talvez com menor intensidade, mas consolidando a boa fase de 2004 - o executivo espera manter mesmo ritmo de crescimento em 2005. Para isso, devem oferecer importante contribuição algumas das novidades que a Degussa reserva para a Brasilplast. 
A unidade de negócios Cargas Avançadas e Pigmentos se apresenta, pela primeira vez, como representante comercial dos retardantes à chama da norte-americana Great Lakes. Na unidade Química Fina, serão introduzidos aditivos de performance para a indústria petroquímica. São produtos (antioxidantes, antipolimerizantes, antiespumantes, dispersantes e estabilizantes) destinados a prevenir a deposição de resíduos durante o processamento de monômeros, aumentar o fluxo e a produtividade, melhorar as propriedades dos produtos finais e reduzir custos de produção. Nos Polímeros de Alta Performance, mesmo sem lançamentos na K, a unidade promoverá três monômeros importados, nunca antes destacados na feira brasileira. O ciclododecatrieno (CDT), o ciclooctadieno (COD), e o ácido dodecanodióico (DDA) encontram utilização, respectivamente, na trimerização catalítica do butadieno e na fabricação de retardantes à chama; na dimerização do butadieno (auxilia o processo de produção de compostos de borracha, regulando seu peso molecular); e na produção de poliamidas 612 ou poliamidas especiais, além de adesivos hotmelt e revestimentos. 
Outra novidade vem do negócio de aditivos para poliuretanos. De acordo com Roberto Luiz, gerente de poliuretanos, serão apresentados aditivos que reduzem a emissão de componentes orgânicos voláteis (VOC) em espumas de PU. É uma demanda originária da indústria automotiva européia há cinco anos, e que deve chegar em breve ao País, por meio das montadoras européias no Brasil. ?

 

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