A Lanxess produz algumas de suas misturas no País. Parte dos componentes é importada, e misturada na fábrica de Porto Feliz-SP. A maior parte dos produtos, no entanto, é importada. Além da divisão de estirênicos, que também comparece à Brasilplast, a Lanxess apresentará seus aditivos, pigmentos e corantes. Conforme disse Dizioli, no caso dos aditivos, trata-se de produtos já comercializados no exterior, mas cujo enfoque da comercialização no País não era o mesmo. 

Questões Ambientais - Dentre as novidades, constarão retardantes à chama à base de fósforo, livres de halogênios, e que não emitem fumaça tóxica. Empregados em PVC, há outra vantagem: o produto também atua como plastificante. Também serão apresentados plastificantes diferentes dos tradicionais DOA e DOP. O produto é um alquil sulfonato. O único, segundo Dizioli, que não contém ftalatos ou adipatos. "Temos informações da Lanxess americana de que volta a haver questionamento do ftalato nos EUA, onde o uso era liberado. Na Europa, a empresa está eliminando os ftalatos. Esse questionamento deve ressurgir com maior ênfase", prevê. 
Ainda nos plastificantes, a empresa tem algumas especialidades, aditivos que promovem a gelificação em baixíssima temperatura, com vantagens de economia de energia, e plastificantes sólidos. O produto evita a migração para a superfície, quando do aquecimento da resina, sem o inconveniente da necessidade do aumento do peso molecular (e do custo do produto), como se dá com os similares líquidos. O produto está mais ligado a polímeros como o EVA, em que outros plastificantes migram violentamente, e pode ser também empregado no PVC, em alguns casos. 
A participação da Lanxess na Brasilplast também será marcada pelos pigmentos e corantes, produtos tradicionais da Bayer, mas agora com participação mais ativa no mercado. A empresa dispõe de uma linha completa de corantes para os plásticos de engenharia com altíssima solidez à luz. O destaque principal fica para os corantes microgranulados, que não geram poeira, fluem muito bem e são mais fáceis de moer. Tudo isso, com os mesmos custos da linha em pó. "A diferença desse produto para os concorrentes do mercado é que ele já nasce granulado, e os outros são granulados com a ajuda de masters ou a adição de líquidos. O nosso produto é composto por 100% de corante, e não há veículo, que diminui o poder tintorial", explica Seta. A Lanxess domina 50% do mercado mundial de corantes, e no Brasil detém cerca de 30% a 35% do mercado. A meta é atingir o mesmo patamar mundial já em 2005.
Nos pigmentos, serão apresentadas as opções da linha para as poliolefinas, que também dispõem da tecnologia de microgranulação. Há um destaque para o pigmento amarelo, em que dois metais pesados (cádmio e chumbo) foram trocados por um pigmento orgânico de alta resistência. "O que diferencia os metais é exatamente a alta solidez ao intemperismo e a resistência à temperatura, mas os amarelos orgânicos normalmente não tinham essas características. O nosso pigmento amarelo tem essa característica e pode substituir os metais pesados", garante Seta. 
Embora a maior parte dos produtos da empresa seja importado, não é o valor do dólar em si que preocupa o chefe de vendas, mas a sua volatilidade. 

Cuca Jorge
Mélcon: cálcio-zinco tira metais pesados do PVC

A estabilidade é o melhor cenário. A desvalorização do dólar, por exemplo, causou o reajuste de alguns preços em reais, no começo do ano, de modo a reduzir a perda de rentabilidade derivada das flutuações. 
"Quando o dólar cai, é preciso assumir que se perdeu dinheiro. Mas consideramos mais importante o custo de reposição do estoque, não o histórico". É assim que Juan Carlos Mélcon, diretor presidente da Bärlocher do Brasil, resume as dificuldades causadas pela oscilação do câmbio no último ano. "O dólar baixo é muito bom, por causa das matérias-primas importadas, e mesmo o que é comprado no mercado local é balizado pela moeda norte-americana" afirma. 
Dificuldades à parte, alguns fatos contribuíram para um melhor desempenho da Bärlocher em 2004. A empresa vinha de um ano "horrível", nas palavras de Mélcon, em 2003, tanto pela guerra de preços quanto pela perda de fatias de mercado. Com a maior fabricante de tubos de PVC migrando dos estabilizantes à base de chumbo para a tecnologia à base de Ca-Zn, a empresa viu diminuídas suas vendas de produtos à base de chumbo, ao mesmo tempo em que precisava enfrentar um número maior de concorrentes no mercado de Ca-Zn. Mas, em 2004, a situação se inverteu: o maior composteiro do mercado nacional migrou dos estabilizantes Ba-Cd para Ca-Zn, e o produto que melhor se adaptou foi o da Bärlocher. "Um cliente que normalmente dividia o seu mercado ficou praticamente só conosco. Por isso foi possível recuperar a participação sem sacrificar os preços. Além disso, os novos produtos possuem maior valor agregado, embora tenham relação custo benefício melhor", explica Mélcon.
A vinda de produtos europeus para o Brasil sempre demanda trabalho de adaptação, principalmente devido aos altos custos dos aditivos. Uma das saídas é nacionalizar matérias-primas abundantes no País. Mas o desempenho será diferente, e são necessários inúmeros ajustes para se chegar a um comportamento compatível. "Mas sempre há uma solução, mesmo quando o produto da Europa é caríssimo", gaba-se o diretor-presidente. 
Esse descompasso já se manifestava com os estabilizantes à base de chumbo. Os produtos importados, mais nobres (com lubrificantes mais caros, melhor funcionamento e conteúdo de chumbo mais alto) deviam ser adaptados à realidade nacional, e se acostumou, por aqui, a trabalhar com menores teores de chumbo, menor estabilização, e lubrificantes mais simples. "Houve um momento em que praticamente ninguém cumpria com as normas de impacto nos tubos de PVC, de tão pobres que estavam as fórmulas. Ficamos muito próximos do limiar proposto pela norma", revela Mélcon. 

Brasil na frente - A situação, no entanto, já foi revertida. Boa parte da venda de estabilizantes de chumbo não se direciona mais aos tubos de PVC, mas para forros, perfis e cabos. Ao fim de 2005, 70% a 80% dos tubos e conexões feitos de PVC deverão utilizar Ca-Zn e, segundo Mélcon, o Brasil está muito mais avançado que a Europa na mudança para esse aditivo. O chute inicial foi dado pela Amanco, que também conseguiu convencer a Tigre a não ser um mero coadjuvante do processo. O objetivo de troca está sendo cumprido com a meta de aumento de custo menor que 2%. "A Bärlocher trabalhou muito para atingir essa meta, e o aumento de custo devido à mudança não passa de 0,3%", diz. 
Os estabilizantes líquidos para PVC já foram compostos integralmente por produtos à base de cádmio. Hoje são 20% a 30% do mercado, e devem ser eliminados até o próximo ano. O chumbo deve deixar o mercado até 2007 ou 2008, nas contas do diretor da Bärlocher. Do ponto de vista dos negócios, entretanto, o Ca-Zn ainda não é tão interessante quanto o chumbo, um produto melhor conhecido e com custos mais afinados. 
Além dos estabilizantes para PVC, a empresa fabrica alguns estearatos metálicos, utilizados na produção dos estabilizantes, e blendas de antioxidantes, lubrificantes, antiestáticos e branqueadores ópticos para poliolefinas. O crescimento de cerca de 50% em 2004, em relação a 2003, teve o reforço das novas linhas de produtos, os estearatos e as blendas, estas feitas em parceria e comercializadas pela Ciba. Na contramão das opiniões, no entanto, Mélcon não vê 2004 com um ano dos melhores: "Em 1997 o consumo aparente nacional de PVC foi de 600 mil toneladas e, em 2004, chegou a 664 mil toneladas. Nesse ínterim, o número variou entre 600 mil e 700 mil toneladas, mas não saiu disso. Por isso, o crescimento da Bärlocher em 2004 veio de dentro da empresa, e não do crescimento do consumo de PVC. Esse consumo não cresce", dispara.
Na opinião do presidente Mélcon, 2005 até agora decepciona. A projeção é de crescimento mas, com base nos dois primeiros meses do ano, a expectativa não deve se confirmar, "a menos que os negócios decolem a partir de março, como ocorreu no segundo semestre do ano passado", lembra Mélcon. O momento, de qualquer maneira, não é o mais apropriado para metas mirabolantes de crescimento na Bärlocher, já que a empresa acaba de investir US$ 2,5 milhões, nos últimos dois anos, e não há espaço, monetário e físico (a Bärlocher divide um sítio em Americana-SP com outras empresas) para crescer. 


<<< Anterior

Próxima >>>