rotomoldagem
Máquina tipo sthuttle Rotoline - Foto: divulgação

ROTOMOLDAGEM AMPLIA OFERTA LOCAL E EXPORTA MAIS EQUIPAMENTOS 

Transformação por rotomoldagem cresce 30% ao ano, atrai recursos em produção local de máquinas com novas tecnologias e ainda conquista o mercado externo

Rose de Moraes 

Em 2005, o transformador brasileiro deverá ficar menos dependente das importações de máquinas de rotomoldagem, a considerar pelo número de iniciativas prevendo produções locais. Atraídos pelos menores investimentos em máquinas e moldes e pela versatilidade em formatos e dimensões das peças, o crescimento dos rotomoldados chega a 30% ao ano, estimulado por novas tecnologias e serviços de assistência técnica mais estruturados.

O interesse pela moldagem rotacional é crescente, mas daí imaginar anos atrás o Brasil como fonte de suprimento de máquinas para várias partes do mundo, havia grande distância. No entanto, nos últimos dois anos, máquinas de rotomoldagem nacionais começaram a aportar em maior número nos mercados internacionais. Rotomoldadores da Austrália, Coréia do Sul, Tailândia, Sri Lanka, França, Venezuela, Colômbia, México, Estados Unidos e Canadá buscam no Brasil máquinas para produzir cisternas, tanques, componentes e peças para maquinários agrícolas e até paredes para habitações populares.

Parceira da americana Reduction Engineering, braço comercial para concretizar as vendas internacionais, a Rotoline, de Chapecó-SC, trava uma verdadeira luta contra o tempo para entregar máquinas em prazos recordes porque em muitos casos a decisão do importador implica receber quase de imediato. "Desde que nos associamos à Reduction Engineering não paramos mais de atender encomendas de outros países e estamos crescendo em conceito lá fora", afirmou o sócio-diretor da Rotoline Washington Ramos De Luccas.

Na visão do empresário, a parceira americana, sediada em Kent, Ohio, EUA, representou não só a saída para promover o crescimento nos negócios, como também a possibilidade de fabricar máquinas com conceito tecnológico mais avançado. "No momento, temos nove equipamentos em fabricação simultânea. Dois deles estão sendo produzidos como reserva, somente para compôr estoque caso surja algum comprador com maior urgência", comentou De Luccas.

Nova associação entre a Reduction Engineering, a Rotoline e a Wheeler Boyce, líder americana na fabricação de ferramentas especializada em fundição e usinagem de moldes de alumínio para a indústria de rotomoldagem, inclusive fundidos mais complexos com paredes finas, permitirá o fornecimento de soluções completas em maquinários e moldes para qualquer tipo de instalação de rotomoldagem. "Estamos atuando em mercados internacionais que exigem total eficiência e qualidade e pagam por isso, mas em 2005 deveremos concentrar mais nossos esforços no mercado brasileiro", considerou o empresário.

Nova plataforma – A italiana Littleford Plastic, subsidiária da centenária americana Littleford Day, utiliza o mercado brasileiro como plataforma de montagem e exportação de suas máquinas de rotomoldagem. A MTT, de São Paulo, nasceu com essa finalidade. Como representante da unidade italiana, é a responsável por selecionar no mercado nacional fornecedores de componentes (elétricos, eletrônicos e a parte mecânica) e pela montagem dos equipamentos, a partir do know-how e projetos desenvolvidos na Itália. Prontas, as máquinas cruzam fronteira com etiqueta de fabricação da Littleford Plastic.

"Nossa intenção é atuar fortemente em toda a América Latina, fazendo jus às tecnologias já consolidadas e contando ainda com a solidez financeira do grupo Morgan Stanley, um dos principais acionistas da Littlefor Day", disse o gerente da MTT Aroldo Lonskis. A Littleford Plastic vai, inclusive, treinar uma equipe de profissionais brasileiros na Itália, para prestar serviços locais de assistência técnica, com diagnósticos e soluções para eventuais problemas na fábrica do rotomoldador. Rose de Moraes
Luccas: parceira americana impulsionou negócios

Até o momento, a MTT já embarcou duas máquinas do tipo shuttle (sistema composto de forno e braços móveis) para atender encomendas da Itália e Espanha. 

Uma delas, com forno de 4,5 m de diâmetro, seguiu para o mercado italiano, onde deverá rotomoldar produtos para emprego na construção civil. A outra, com forno de 5 m de diâmetro, desembarcou na Espanha, onde irá produzir contêineres para o setor agrícola. Em ambos os casos, antes da entrega das máquinas, os profissionais italianos e brasileiros realizaram testes na presença dos clientes.

Mais italianos – Fornecedora de máquinas de rotomoldagem para a produção brasileira de brinquedos, tanques pulverizadores, caixas d’água, peças técnicas, peças para saneamento básico, incluindo flutuadores especiais, paletes e peças industriais em geral, a Plast Mac, de Curitiba-PR, traz da Itália equipamentos da Polivinil, com exclusividade para o mercado brasileiro, desde 1997.

Cuca Jorge
Lonskis: redução no tempo de processo chega até 70%

"Há mais de 30 anos, a Polivinil fabrica máquinas e equipamentos para rotomoldagem, posicionando-se entre os mais importantes fabricantes europeus do setor, e contribuindo para a produção de brinquedos, artigos para sinalização de rodovias, bóias e flutuadores, peças técnicas para uso automotivo, tambores, bombonas e reservatórios para líquidos com capacidade até 15 mil litros", disse o diretor da Plast Mac Nelson Medaglia.

Segundo ele, a parceria firmada com a Polivinil trouxe grandes benefícios para o mercado brasileiro, com a introdução de tecnologias que geram ganhos em produtividade, qualidade e redução no consumo de energia. A empresa oferece retaguarda de serviços de assistência técnica desde a fase de desenvolvimento do produto, durante a construção do molde, até a escolha final do equipamento, instalação e treinamento de pessoal. Divulgação
Máquina tipo shuttle da Littlerford montada no Páis

O maior foco de produção da Polivinil diz respeito às máquinas do tipo carrossel (sistema composto por uma estação sobre a qual são montados braços porta-moldes). Providos de braços para movimentos simultâneos e carros independentes, esses equipamentos propiciam movimentos de avanço e recuo, permitindo a fabricação de peças com uma ou duas camadas.

Nacionais se preparam – Com a concorrência internacional batendo à porta dos rotomoldadores brasileiros, não restou outra saída aos fabricantes nacionais de máquinas a não ser investir na modernização das fábricas, visando conquistar maior espaço nesse mercado cada vez mais competitivo. Esse é o caso da Sistema, de São Caetano do Sul-SP, que atua no fornecimento de máquinas de rotomoldagem há duas décadas. "Em 2004, comercializamos nove máquinas, a maior parte do tipo carrossel e com fornos em diâmetros superiores a 4 m, fornecendo inclusive duas unidades para a Bolívia", informou, o diretor Luiz Duanetti Neto.

Além de projetar máquinas do tipo carrossel para atender às maiores demandas, oriundas das áreas de equipamentos agrícolas, utensílios e vasos para jardinagem, manequins, brinquedos, caixas d’água e tanques, a empresa também desenvolve máquinas do tipo rock-and-roll, micronizadores e misturadores.

Na opinião de Neto, as tecnologias nacionais estão hoje bem próximas ou já se equiparam às importadas. Para ele, ainda conta o fato de a relação custo-benefício ser mais vantajosa para o equipamento nacional, em sua opinião, de qualidade e com preço acessível. Outro benefício fica por conta da assistência técnica próxima, além de treinamento e assessoria para a compra dos moldes e matérias-primas, entre outros serviços.

Oferta diversificada – Com uma das mais completas linhas de rotomoldagem e líder no segmento, a Ferry Industries, sediada em Stow, Ohio, Estados Unidos, atua no mercado brasileiro por intermédio do representante Strategos Consultoria, de Belo Horizonte–MG, e já instalou dez sistemas de médio a grande porte. "Nossa linha, composta de vários tipos de máquinas, permite ao rotomoldador a escolha mais adequada", considerou o diretor da Strategos Celedónio de Sousa Santos.

A linha de máquinas RotoSpeed abrange sistemas do tipo carrossel, fabricados com braços independentes ou fixos, incluindo os tipos shuttle e rocking-oven, além de máquinas do tipo clamshell da linha RotoFlow. Lançadas no começo da década de 80, as máquinas do tipo carrossel com braços independentes difundiram-se em todo o mundo em virtude de se poder produzir com esses sistemas ampla variedade de produtos.

Com quatro estações de trabalho, incluindo um forno, uma estação intermediária, usada para pré-resfriamento, uma câmara de resfriamento e duas estações de serviço, para desmoldagem e carga dos moldes, os modelos com braços independentes oferecem grande flexibilidade para o rotomoldador, tornando possível mover isoladamente cada braço sem que um interfira no outro.

Ofertadas com um, dois ou três braços, as máquinas comportam até quatro conjuntos de braços e carros. Segundo Santos, oferecem vantagens relacionadas com a menor duração dos ciclos de cura e saída automática do braço que está no forno para a estação intermediária (pré-resfriamento), de modo a evitar curas excessivas, que deteriorariam as características físico-mecânicas das peças.

De acordo com o fabricante, as máquinas com três braços fixos devem ser empregadas quando os ciclos – tanto no forno como na câmara de resfriamento ou na estação de serviços, onde são feitas as operações de desmoldagem e carga dos moldes – tiverem a mesma duração. Já as de quatro braços fixos devem ser usadas quando uma das operações de processo tiver ciclo de duração correspondente ao dobro das outras.

 

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