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RIOPOL JÁ AGREGA MOLDADOR AO PÓLO

As seis primeiras indústrias de transformação a comporem o Pólo Gás Químico do Rio de Janeiro irão investir R$ 42 milhões. O anúncio foi feito pela governadora Rosinha Garotinho, durante a solenidade de assinatura do convênio para o início das obras, em novembro. Trata-se da instalação de quatro empresas e da ampliação de outras duas. Atraídas pela criação da Rio Polímeros, em Duque de Caxias, indústrias irão se fixar na região da Baixada Fluminense.

Em Paracambi, serão fixadas a Finoplastic, com aporte de R$ 10 milhões, e a Recycling, com investimentos de R$ 2 milhões. Juntas, as duas abrirão 300 postos de trabalho. A implantação da Hermateck, em Belford Roxo, absorverá outros R$ 10 milhões e vai gerar 280 empregos diretos. O município de Japeri, por sua vez, abrigará a Poly Embalagens. A sua instalação envolverá a contratação de cem empregados e recursos de cerca de R$ 5 milhões. Em Duque de Caxias, duas indústrias terão obras de ampliação: a Vibraço, com geração de cem empregos e investimento de R$ 10 milhões, e a Raízes, responsável por acrescer mais cem empregos e aplicar R$ 5 milhões.

Para o diretor-superintendente da Rio Polímeros João Brandão, a aposta dessas seis empresas representa a primeira etapa de uma nova era para o estado. “Esse evento significa o retorno da indústria de transformação no Rio de Janeiro. É como se fosse o primeiro grão. A partir daqui, vamos atrair novos investimentos”, comentou. O secretário de Estado de Energia, da Indústria Naval e do Petróleo Wagner Granja Victer endossa essa confiança. De acordo com ele, a instalação da Riopol, como é chamada a Rio Polímeros, deve alavancar a cadeia petroquímica no Estado. “Vamos produzir a matéria-prima e por isso, não teremos mais limitações. O Rio de Janeiro vai entrar no jogo pra valer”, disse. 

Na ocasião, a governadora Rosinha também antecipou futuros investimentos no Estado. “Ainda há 25 indústrias aguardando o processo de liberação de incentivos fiscais, para se instalar no entorno do pólo”, afirmou. Para janeiro, está prevista a apresentação de um novo lote, formado por nove empresas. O Governo do Estado criou um programa de incentivo fiscal, por meio do qual os beneficiados têm redução de 12% do ICMS, em média. Divulgação
Governadora Rosinha (centro) prevê mais investimentos

Retomada - A indústria fluminense ocupa a quarta posição em consumo de matéria-prima, entre os centros nacionais. De acordo com estudo encomendado pelo Sindicato das Empresas de Transformação Plástica do Estado do Rio de Janeiro (Simperj), o estado demandou 132 mil toneladas de insumos, em 2003, atrás de Santa Catarina (527 mil t/ano), Rio Grande do Sul (307 mil t/ano) e Minas Gerais (206 mil t/ano). Há quatro anos, o Rio de Janeiro era considerado o segundo maior consumidor de resinas do País. A pesquisa sinaliza esta queda na participação do estado no setor plástico nacional, mas apresenta a instalação da Rio Polímeros como o ponto de partida para a recuperação da petroquímica na região.

Prevista para entrar em operação em abril de 2005, a planta da Riopol sustenta expectativas animadoras. Se-gundo o presidente do Simperj José da Rocha, o faturamento de cerca de US$ 330 milhões que o Rio contabilizou com a indústria plástica, no ano passado, poderá saltar para cerca de US$ 1,5 bilhão, em 2009, sobretudo por conta do Projeto Riopol. As vendas do setor, em 1990, quando o Rio de Janeiro ocupava o segundo lugar no ranking da transformação, eram de US$ 620 milhões. De acordo com Rocha, o consumo de matéria-prima seguiu a mesma rota descendente: De 243 milhões t/ano de matéria-prima, em 1990, caiu para 132 mil t/ano, no ano passado.

Segundo o estudo, o Rio de Janeiro possui cerca de 240 indústrias de transformação de plástico, as quais empregam 12 mil pessoas. Em relação ao consumo total, 93,1% correspondem à matéria-prima virgem. Desse volume, 89,2% se distribuem entre as commodites (PE’s, PP, PS, PVC e PET). O destino das vendas recai, sobretudo ao mercado interno: 6,7% são para exportação, enquanto 93,3% abastecem a demanda nacional.

O Pólo – A Rio Polímeros irá produzir 520 mil t/ano de eteno, depois convertidos em 540 mil ton/ano de polietilenos, e mais 75 mil t de propeno. Trata-se do primeiro pólo do País a utilizar o gás natural como matéria-prima para a produção do polietileno. As petroquímicas da Bahia, Rio Grande do Sul e São Paulo fazem uso da nafta. “Por produzir matéria-prima mais barata, o estado do Rio acabará captando investimentos previstos para outros estados e países”, ressaltou Victer. Nos últimos dez anos, os projetos petroquímicos priorizaram o uso de gás natural (etano) como matéria-prima, sobretudo por conta dos baixos preços, em comparação à nafta. Neste caso, a fabricação das resinas se dará a partir das frações etano e propano do gás natural proveniente da Bacia de Campos, no interior do estado do Rio de Janeiro.

Foram oito anos de investimentos até este primeiro passo rumo à concretização do Projeto Riopol. Orçado em US$ 1,08 bilhão, o Complexo Integrado da Rio Polímeros ocupará área de 600 mil m², tornando-se o segundo principal produtor de polietilenos do Brasil. Maior empreendimento gás-químico em construção da América Latina, a Riopol está localiza ao lado da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no distrito de Campos Elíseos, Duque de Caxias.

O controle acionário da Riopol é dividido entre os grupos privados Unipar (33,3%) e Suzano Química (33,3%), além das estatais Petroquisa – braço petroquímico da Petrobrás (16,7%) - e BNDESPAR (16,7%). De acordo com seus diretores, em 2005, o empreendimento estará preparado para efetivar suas operações industriais e comerciais com o objetivo de escoar cerca de 70% da produção para o mercado interno, ficando 30% destinados às exportações.

Durante o evento, Victer também anunciou a aprovação da concessão de incentivos para a viabilização do projeto de ampliação da Polibrasil. “Será realizada a expansão de 50% de seu parque industrial e a implantação de um novo terminal”, disse. O investimento de US$ 70 milhões será destinado à ampliação da unidade industrial de Mauá-SP e Duque de Caxias-RJ. A primeira elevará a capacidade das atuais 300 mil t/ano para 450 mil ton/ano. Já a unidade fluminense aumentará a produção de 100 mil t/ano para 300 mil t/ano. A empresa também pretende construir um terminal marítimo na Baía da Guanabra (RJ), por onde irá receber matéria-prima para sustentar a ampliação da capacidade produtiva.

Renata Pachione

 

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