Favorável para o avanço das tubulações e das estações de tratamento de água e esgoto em plástico reforçado, o mercado também justifica investimentos na área. Fabricante de tubos pelo sistema de centrifugação, a Amitech registrou aumento nas vendas da ordem de no mínimo 50% sobre o faturamento de 2003, por conta de novos negócios na área de transporte de água e efluentes, conforme divulgou a Ara Ashland.

Por tradição, o segmento da construção civil representa a maior parte das vendas do setor. Segundo dados da Abmaco, em 2003, movimentou cerca de 25 mil t de compósitos, o equivalente a 23% do consumo total. No entanto, em 2004, esse campo pouco apareceu, apesar da expectativa de avanços. Para se ter uma idéia, na Ara Ashland, as vendas de resinas para a construção civil, que chegaram a representar 70%, hoje equivalem a cerca de 30%. Oliveira tem uma idéia dos porquês dessa queda. "O mercado da construção civil está marginalizado; há produtos com pouca qualidade que denigrem a imagem do compósito", afirmou. O mesmo não ocorre com o segmento dos transportes, pois os profissionais da área estimam bons ventos para os próximos anos.  Cuca Jorge
Pazinatto aponta necessidade de fortalecer do mercado

Considerado um dos mais importantes fabricantes mundiais de ônibus, microônibus e vans, o País deve consolidar essa indústria como uma das mais promissoras para o compósito. A volta da Busscar ao cenário nacional também sinaliza esse potencial. "O segmento de transportes irá crescer, e com ele, o setor do compósito", apontou Moreira.

De acordo com Sandri, a recuperação do mercado nos últimos meses de 2004 compensou a queda de 10% registrada entre julho e agosto, comparados ao mesmo período do ano anterior, e por isso, dá sinais de perspectivas positivas para 2005. Corazza justifica essa aposta. Segundo ele, enquanto o consumo per capita dos Estados Unidos é da ordem de 3,5 quilos, no Brasil, esse índice representa cerca de 300 gramas. "Em função das ações recentes do setor, como a criação do Cetecom, em 2005, acredito que vamos crescer", diagnosticou.

Aposta do setor - As empresas têm dado provas de confiança na ascensão do uso do compósito. A Cromitec inaugurou, em maio, nova unidade industrial – a Cromitec Resinas do Nordeste, em Simões Filho, BA. A idéia é abastecer de resinas de poliéster insaturado as regiões Norte e Nordeste do País. A produção inicial da empresa, de 6 mil t/ano, deve ser elevada para 15 mil t/ano, a partir de 2005. Se depender da Ara Ashland a oferta também deve se ampliar. 

Esse tradicional fabricante de resinas termofixas aplicou R$ 1,2 milhão em sua planta. O investimento reverteu em mudanças na fábrica, traduzidas em aumento de 25% na capacidade produtiva - hoje por volta das 16 mil toneladas. "Creio que esse volume adicional será preenchido nos próximos doze meses", antecipou o seu presidente Ângelo Marsola Filho. Cuca Jorge
Vianna aposta no PET para reduzir custo das resinas

Ele também comemora a aquisição do negócio Derakane (resina epóxi éster-vinílica) da Dow Chemical, pela Ashland Composite Polymers, parceira da Ara Ashland. A transação movimentou US$ 92 milhões e engloba ainda a compra da linha de produtos Derakane Momentum. Esse valor será amortecido em pouco tempo, pois, de acordo com informações da Ara Ashland, as vendas anuais das resinas Derakane alcançam cerca de US$ 70 milhões. Para Filho, ao assumir a linha Derakane no mercado brasileiro de plástico reforçado, a empresa passa a liderar o fornecimento global de soluções para ambientes corrosivos. "Esse foi o grande negócio do ano para a empresa", comentou Oliveira. Reconhecida mundialmente pelo seu desempenho em aplicações submetidas a rigorosas exigências químicas, as resinas Derakane se somam à linha Hetron, já tradicional da marca Ara Ashland. "Agora temos as duas melhores resinas em corrosão", orgulhou-se Oliveira. A Owens Corning também investiu alto neste ano. A empresa aplicou cerca de US$ 100 milhões na aquisição de planta mexicana – a qual detinha 40% do negócio. Essa compra faz parte de proposta de passar a contar com estrutura regional e não mais global.

Feira – Além desse novo fôlego da indústria do compósito, o setor ainda se beneficiou, neste ano, da Feira e Congresso Internacionais do Plástico Reforçado (Feiplar). Realizado a cada dois anos, o evento, em sua terceira edição, reuniu entre os dias 9 e 11 de novembro, no ITM Expo, em São Paulo, mais de 10 mil pessoas. Além das novidades do mercado do compósito, o público foi atraído pela Feira e Congresso Internacionais do Poliuretano (Feipur), realizada, no mesmo local e simultaneamente à Feiplar. Uma área foi reservada para a Indústria do Compósito. No local, o público pôde conferir peças, casos históricos e informações técnicas do setor. Uma das aplicações destacadas foram as off-shore, ilustrados pela Edra, de Ipeúna – SP. A empresa levou peças para uso específico na condução de líquidos em aplicações da indústria petrolífera. A Stratus Compostos Estruturais, de São José dos Campos - SP apresentou perfis pultrudados, em um pedestal, com ênfase a grades utilizadas em áreas de corrosão/saneamento. A empresa entrou no ramo de produção de grade de piso, para ambientes corrosivos há cerca de um ano. "O crescimento do mercado de pultrudados para corrosão nos atraiu", explicou o gerente geral da empresa Sérgio Barbosa. 

Em relação ao ano passado a empresa cresceu 50% e atribui esse fomento à atuação na área de materiais para aplicações em corrosão. A Protec, distribuidora da South, empresa norte-americana fabricante de máquinas para pultrusão, levou à feira modelo de máquina com capacidade de puxada de 13 toneladas e largura do perfil de 400 mm por 400 mm. Cuca Jorge
Edra levou para a Indústria do Compósito peças off -shore

Essas apresentações sinalizaram forte tendência para o avanço da pultrusão, processo para fabricação de perfis de secção contínua em plástico reforçado com fibra de vidro. Para o próximo ano, Gamero prevê novas aplicações em perfis pultrudados. Enquanto o Brasil consome cerca de 1 mil t do produto, os Estados Unidos compram 60 mil t, ano, e a Europa, 40 mil, compara. "Temos de encontrar um nicho de mercado e atacar, pois há potencial nessa área", determinou.

De acordo com dados divulgados no ano passado - a Abrapoli realiza nova radiografia do setor, a ser concluída no primeiro trimestre de 2005 - , a laminação por projeção, o tradicional spray-up representa o processo mais disseminado na indústria nacional, com pouco mais de 50% de atuação. A laminação manual corresponde por cerca de 15%, seguida pela laminação contínua e a vácuo, com índices em torno de 10%, cada. O RTM (Resin Transfer Moulding) possui 6% e a pultrusão 2%. Processos, como BMC (Bulk Moulding Compound) e SMC (Sheet Moulding Compound) representam 2% juntos. Os números do fabricante de resinas Cromitec confirmam estes índices. 

De acordo com Pazinatto, em média 70% das vendas ainda são de resinas para processos de molde aberto. Na opinião dele, pouco se evolui neste sentido, o que existem são processos novos, com aplicações específicas.

A partir dessa tendência, a Abcol apresentou variações para o sistema de molde aberto. Tecnologia da empresa MVP – Magnum Venus Products, o FIT (fluid impingement tecnology) refere-se a um sistema de formação do leque da resina, através de bicos, pelos quais saem dois jatos de resina, que se interseccionam e formam uma lâmina de resina em triângulo com o vértice na intersecção.  Cuca Jorge
Sandri prevê aumento nas vendas do compósito

De acordo com Gilmar Auter, da Abcol, o processo reduz a emissão de resíduos ao ambiente. Ele faz uma comparação: mecanismos como o spray e o air less – uma variação do spray convencional, muito utilizado hoje, apresentam perdas superiores de material, se relacionados ao FIT.

A partir da necessidade de inovar em processos, a Reichhold destaca o V.I.P. - Processo de Infusão a Vácuo (Vaccum Infusion Process). Trata-se de sistema com características de processo de molde fechado. De acordo com o representante do marketing da Reichhold Marcelo Delvaux, o processo apresenta como principais vantagens a redução nos custos e a reprodutividade superior à moldagem aberta.

Prova da criatividade do industrial se dá também na MVC Tecnologia em Plástico, de São José dos Pinhais. A empresa adotou o processo RTM Integrado na fabricação de portinholas, grades e pára-choques de ônibus. 

Essa tecnologia, formada por núcleo termoplástico e fibra de vidro, segundo o diretor-geral da MVC Gilmar Lima, reduz o peso da peça em até 30%, diminui etapas de processo e elimina estruturas metálicas, entre outras características. Em comparação à laminação à pistola, o RTM light reduz o tempo de produção de uma portinhola: de 355 minutos para 215 minutos. O peso também sofre queda de 19 quilos para 13 quilos. Cuca Jorge
Na Feiplar, a MVC apresentou peça pelo RTM light

Há sete anos, 80% dos processos utilizados pela MVC eram spray-up e hand-lay-up. Neste ano, por mês, a produção em laminação à pistola e em laminação manual soma 200 toneladas, enquanto, vacumm forming, 540 t. O RTM light e RTM integrado representam 300 t/mês. A produção total da MVC em toneladas saltou de 4 mil para 13 mil, entre 1997 e 2004. 

Lima atribui esse crescimento ao avanço da utilização do RTM e do vaccum-forming. A MVC, do grupo Marcopolo, tem cinco plantas no Brasil e uma no México, nas quais registrou receita líquida de R$ 120 milhões, em 2004. Sua estrutura opera com 6,5 mil t/ano de plástico reforçado e 6,5 mil t/ano de termoplásticos. Cuca Jorge
Para Moreira, venda  de resina para área química deve crescer

      

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