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INDÚSTRIA BUSCA REFORÇO PARA FOMENTAR AS VENDAS Criação da Abmaco sinaliza os novos rumos do material compósito e estimula planos de normalização do mercado Renato Pachione Entra ano, sai ano e o discurso se repete. A indústria do compósito, como foi batizado o plástico reforçado, há algum tempo tenta alavancar as vendas, mas ainda derrapa nos índices de pelo menos três anos atrás. Apesar desse passado pouco entusiástico, 2005 promete ser marcado por importantes mudanças. Indícios de que a história será reescrita existem de sobra; a começar pela criação da Abmaco - Associação Brasileira de Materiais Compósitos, em substituição à Asplar - Associação do Plástico Reforçado. O órgão soberano de representação do setor agregou à sua formação a Abrapoli – Associação Brasileira dos Produtores de Resinas de Poliéster, beneficiando-se da força da composição. Um novo capítulo também se iniciou com a abertura dos laboratórios do Centro Tecnológico de Compósitos (Cetecom), em dezembro. Considerada um marco para o setor, a inauguração representa um novo paradigma, pois surge com a promessa de, efetivamente, capacitar os industriais da área, o que serviria para desatar um dos principais nós desse mercado. Idealizado na gestão da extinta Asplar, o local já funciona há dois anos, no entanto, só agora abre suas portas para a realização de treinamentos e cursos – um dos pilares da proposta do centro. Formatadas para qualificar profissionais, as aulas surgem como uma oportunidade do aluno unir o conhecimento técnico à prática. Resultado do convênio de cooperação técnica entre o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e a Abmaco, o centro contou com o aporte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A instituição financeira injetou U$$ 100 mil nesta aposta e espera reverter o investimento na formação de mil profissionais. "Esse projeto com o BID está há três anos para ser aprovado", comentou o diretor-executivo da Abmaco Luiz Carlos Gioia. A Abmaco também investiu a mesma quantia. Por trás da inauguração, existe um projeto maior: a expectativa de transformar o local na Escola do Compósito, como anunciou Gioia. Para ele, o projeto pode se efetivar em breve. "Queremos ser um centro de excelência e de referência para o material", completou o diretor da Divisão de Química do IPT Efraim Cekinski. Com início previsto para janeiro, o primeiro curso promovido pelo Cetecom se destina à capacitação da mão-de-obra operacional. "Ofereceremos uma visão básica do que é o compósito", explicou Gioia. A turma será formada por 25 alunos. "O mercado é amador, falta profissionalismo", avaliou o gerente comercial da Ara Ashland Rodrigo Ramos de Oliveira. Por isso, passar informações e capacitar profissionais são algumas das prioridades do programa da nova diretoria da Abmaco, eleita há cerca de um ano.
Ele prevê a implantação do selo já para 2005, em função, sobretudo da parceria com o IPT. Para Neto, a estrutura do instituto irá viabilizar a idéia, no que tange à criação e à aplicação dos critérios normativos. Na opinião do gerente de desenvolvimento de produtos e mercado da Saint-Gobain Vetrotex Ismael Corazza, no entanto, antes dessa certificação, seria preciso criar a marca do compósito. "O selo é a última etapa do processo", reforçou. Por isso, para Neto, um foco da sua gestão será promover a imagem do compósito como um bem-durável e não um material descartável, como é visto hoje, por parte da indústria.
"Queremos levar tecnologia para o mercado", expressou o consultor do instituto Antonio Perez Gamero. Apesar de um aparente conflito entre Cetecom e Ibcom, a idéia, segundo Gamero, é somar. "Vamos complementar o centro", afirmou. Na opinião dele, existe demanda para os dois projetos. "Vejo um novo estado de espírito. O mercado percebeu que não há outro caminho senão investir em tecnologia, pois do jeito que está não dá para continuar", ressaltou.
Para eles, apesar do preço da resina ter subido, em alguns casos até 60%, como estima o consultor da Embrapol Luiz Alberto Vianna, seria uma falácia responsabilizar só esse aumento pelo fraco desempenho do mercado neste ano. Afinal, desde 2001 o setor não cresce.
Neste ano o enredo do compósito parece ter sofrido algumas modificações, em função de um crescimento pouco habitual. De 2003 para 2004, os profissionais estimam aumento nas vendas entre 4% e 8%, aproximando o setor aos patamares de 2002.
"A agricultura teve excelentes resultados, demandando a aquisição de máquinas, como tratores e caminhões", afirmou a gerente executiva da Divisão Resinas da Elekeiroz Maria da Conceição Pinto. Boas perspectivas também sinalizam para os tanques e tubos que requerem resistência química. Por conta do programa governamental do biodiesel, o consultor associado da Ibcom e da Elekeiroz Waldomiro Moreira prevê avanço nessa área, sobretudo na região Nordeste. "O agronegócio do biodiesel será importante para o setor, pois o óleo, quando extraído, é muito ácido e a resina poliéster cabe muito bem para esse sistema", explicou. Para ele, o segmento de resinas para a área química representava 8% (6,4 mil t/ano) das vendas do mercado, na década de 90. Hoje equivale a 3% - cerca de 2,5 mil t/ano. Apesar do mercado ter crescido, durante esse período, o índice ainda é baixo, mas Moreira estima retomar o patamar de 8%, em função do programa. Novidades no segmento de saneamento básico também mexeram com o mercado neste ano. Projeto conduzido pela Construtora Norberto Odebrecht, do Brasil, em parceria com a equatoriana Hidalgo e Hidalgo prevê a construção de 55 quilômetros de tubos em compósito, na província de Manabi, Equador. A operação conta ainda com a Tecniplas, de Cabreúva – SP; a empresa montou uma fábrica para a produção da tubulação, no próprio canteiro de obras, em Manabi.
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