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Foco no TPU – Obtido a partir dos mesmos insumos básicos – poliol e isocianato –, porém de um processo diferenciado, com adição de ingredientes químicos especiais nos reatores, o poliuretano termoplástico (TPU) constitui outra especialidade no segmento. Aplicado nas autopeças, fios e cabos, calçados e outros, concorrem com o PP e o PVC. O TPU apresenta alta resistência à hidrólise, abrasão, temperaturas altas e baixas, e ainda boa resistência aos raios ultravioleta. Com fábrica em Mauá-SP, a Basf Poliuretanos produz poliuretano termoplástico, mas não divulga a capacidade instalada, nem volume de vendas. “Em casos de aplicações especiais que não possam ser supridas localmente, a Basf oferece ao mercado seu completo portfólio de produtos globais, que podem ser importados das diversas regiões de atuação do grupo”, diz o diretor geral Antonio M. J. Riera Costa. Na opinião dele, o produto é indicado para aplicações de alto desempenho e exigência de durabilidade. Entre os últimos desenvolvimentos, ele menciona uma variedade de TPU destinada à produção de bolhas para amortecimento de impacto em tênis e sapatos casuais. Na mesma unidade industrial, ainda produz polióis (poliéter e poliéster), isocianatos, sistemas e elastômero de poliuretano microcelular, este último de tecnologia patenteada da Basf. A Basf Poliuretanos ganhou vida própria em 1995, com a aquisição dos negócios da Cofade, pois, até 1995, a atividade era representada como unidade de negócios dentro da própria Basf. Outra gigante global no ramo, a Bayer também atua no segmento de TPU, porém com produto importado da Europa ou dos Estados Unidos. Gerente de negócios TPU e Coatings, Alberto Hassessian informa que a Bayer adotou por estratégia restringir sua atuação em produtos e segmentos de alto desempenho, como componentes automotivos, mangueiras, cabos especiais e identificadores de animais. “Embora o setor calçadista seja, em volume, o mercado mais importante, a participação da Bayer é pequena neste setor, por tratar-se de commodities e produtos menos sofisticados quanto à elaboração”, justifica. De qualquer modo, a empresa revela interesse em reforçar a atuação no mercado de TPU. “Estamos aprimorando o canal de distribuição e desenvolvendo produtos especiais para o mercado nacional”, declara. Segundo Rieira, a Basf Poliuretanos posiciona-se entre as três maiores empresas do ramo. “O poliuretano é um core-business do grupo, que está consolidado como fornecedor mundial desde o início dos anos setenta.” Na opinião dele, o PU é um dos plásticos mais versáteis da atualidade, pois permite a elaboração de produtos com um extenso espectro de propriedades físicas e químicas, adequando-se a inúmeras aplicações.
A indústria de calçados se beneficia da leveza, resistência e do conforto proporcionados pela resina. Além disso, os projetistas encontram no PU excelente alternativa em relação a formatos e texturas. No setor automotivo, tem diversas aplicações consolidadas: assentos, descansa-braços, painéis, pára-choques e tantos outros componentes internos e externos.
Os poliuretanos rígidos se tornaram indispensáveis como isolamento térmico na fabricação de refrigeradores e outras aplicações do gênero. “A demanda de PU em 2004 foi influenciada positivamente pelo aumento das vendas e das exportações de equipamentos de linha branca”, comenta Riera. Outro mercado com bom potencial para o poliuretano é o de construção civil, indicado em telhas, painéis e isolamento térmico de lajes.
Entre as principais novidades, o diretor destaca o desenvolvimento pela Basf de tecnologias de expansão que não agridem a camada de ozônio, destinadas às indústrias de refrigeração e construção. Também produz sistemas de PU com baixa densidade, indicados na produção de solados para calçados femininos de lazer, com vantagens de maior leveza e sem prejuízo na aderência e resistência ao desgaste. Ainda para a indústria calçadista, a empresa desenvolveu produtos líquidos em temperatura ambiente que economizam energia elétrica e otimizam o processo de injeção dos solados. O segmento de refrigeração ainda conta com avanços na formulação de novos sistemas, capazes de propiciar maior eficiência térmica, reduzindo o consumo de energia. O leque de novidades inclui também novos sistemas para produção de blocos de poliisocianurato (PIR) com alta retardância ao fogo.
“O espaço físico já está saturado, estamos procurando novo espaço na mesma região para sede própria e que permita ampliar a capacidade”, revelou o diretor de pesquisa e desenvolvimento Gerson Silva. Entre os projetos, ele menciona a intenção de montar um laboratório maior e específico para desenvolvimento de aplicações. Os projetos têm fundamento. A produção neste ano deve fechar em 2.900 toneladas, contra 1.700 t em 2003. O faturamento acompanhou a escalada e deve bater nos R$ 30 milhões, mais de 60% superior ao ano passado, estima o diretor comercial Guiseppe Santanchè. Além de desenvolver soluções específicas para cada aplicação, a Purcom dispõe de 300 tipos de fórmulas para diversas aplicações: espumas flexíveis (produzidas em caixotes ou máquinas contínuas), flexíveis moldados, rígidos estruturais (poliuretanos com estrutura rígida e célula microcelular), rígidos de isolamento térmico, semi-rígidos, PU elastômeros, peles integrais, RIM (reação por injeção e moldagem que resulta em poliuretanos elastoméricos com alta dureza e estabilidade dimensional, usados em diversas aplicações técnicas), e sprays elastoméricos. Ainda dispõe de sistemas bi ou monocomponentes, destinados a diversos mercados, como tintas, adesivos, elastômeros especiais, aglutinantes e outros. A Purcom só não atua no mercado de solados. “São volumes muito altos e comoditizados”, justifica Santanchè. O sucesso da Purcom se sustenta na rica bagagem que seus sócios carregam. Francesco Santanchè, pai de Giuseppe, fez história no mercado brasileiro de poliuretano. Ele fundou a primeira casa de sistemas independente no País em 1971, que foi base da Sintenor. Seu filho herdou todo o acervo técnico. Há 18 anos no segmento de PU, Giuseppe Santanchè é especializado em processo. A experiência de Silva data desde 1985, quando trabalhou no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Dow, onde permaneceu até o final de 1991. Depois ainda passou pelos grupos Pronor e Sintenor. O outro sócio, Luis Henrique Lopes dos Santos, foi gerente geral da Sintenor. Já a especialização do quarto e último sócio, Moacir Palmeira, é a área de comunicação.
A Purcom mantém intercâmbio com consultorias e empresas no exterior e participa de feiras e eventos nacionais e internacionais de modo a manter-se atualizada nas tendências mundiais do mercado de poliuretano. Em breve, a Purcom deve anunciar o nome de uma empresa americana com a qual está fechando contrato para uso de um novo agente expansor com zero de ODP e GWP (índices usados para medir o potencial de agressão ao meio ambiente), para uso em máquinas de baixa ou alta pressão. Investimentos em tecnologias e inovação nos sistemas de poliuretano proporcionaram à empresa expandir sua participação na América do Sul e Central, alcançando posição entre os dez maiores exportadores de componentes do setor calçadista, avalia o gerente comercial e de marketing Cláudio Demar. A empresa exporta entre 15% e 20% da produção. Entre os últimos lançamentos, ele menciona novo sistema de poliuretano poliéster para solados de baixa densidade. O produto se caracteriza por uma alteração química que permite maior produtividade, leveza, economia e conforto, entre outras propriedades aperfeiçoadas. “Esse sistema pode proporcionar redução de consumo de matéria-prima de 5% a 10%”, calcula Demar.
Em razão da instabilidade política e econômica mundial, ele não prevê crescimento para a empresa neste ano. Acredita também que o setor ainda passará por dificuldades, tanto no abastecimento de matérias-primas como nos seus preços. “É um período de ajustes a uma nova realidade do mercado.”
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