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POLIURETANO CELEBRA DESEMPENHO RECORDE Projeções de demanda apontam paa mais de 285 mil toneladas neste ano,marcado também por forte recuperação nos preços e aperto na produção dos principais insumos Maria Aparecida de Sino Com previsão de superar 285 mil toneladas neste ano, o consumo aparente brasileiro promete ser o melhor da história do poliuretano (PU) no País. A forte demanda local e o bom desempenho nas exportações de produtos acabados que embutem a resina elevam acima de 90% a taxa de ocupação da capacidade atual instalada, estimada ao redor de 280 mil toneladas anuais. Reação em cadeia, o mercado já começa a sentir falta pontual dos dois insumos básicos: poliol e isocianato.
O problema, contudo, é de ordem mundial. Os preços aviltados e a conseqüente baixa rentabilidade do setor nos últimos anos ceifou a capacidade dos principais produtores globais de reinvestir em expansão e, muito menos, em novas unidades produtoras. Situação, aliás, vivenciada pela indústria do plástico em geral. O crescimento expressivo do mercado asiático, pressionando a demanda mundial, associado às altas sucessivas nos preços do petróleo e seus derivados, contribui para a recomposição dos preços do polímero e prometem desencadear nova etapa de investimentos no setor.
Líder mundial na produção dos isocianatos mais usados na indústria de PU convencional termofixo (o diisocianato de difenilmetano, ou MDI, e o diisocianato de tolueno, TDI) e ainda de diferentes tipos de poliol (os poliéteres e poliésteres são os mais comuns), a Bayer já anuncia projeto de novas plantas dos dois tipos de isocianato. O aporte segue para a China e, sem revelar números, o gerente da unidade de negócios poliuretanos no Brasil Ulrich Ostertag assegura tratar-se de produção expressiva, de escala mundial, com previsão de partida para o final de 2006 ou início de 2007. Única na América Latina (excluído o México), a fábrica de MDI da Bayer, em Belford Roxo-RJ, já passou por várias ampliações até chegar à capacidade atual de 48 mil toneladas anuais. A empresa promete contemplar o setor com novo desgargalamento, para acréscimo da ordem de 10% na oferta, ao longo do próximo ano. A Bayer também produz polióis na mesma unidade industrial. A capacidade instalada, em torno de 16 mil toneladas anuais, destina-se à produção de sistemas, denominação para formulações prontas, desenvolvidas sob medida. Parte fica em casa, para consumo próprio (a empresa não revela quanto) e a diferença abastece o mercado. A empresa ainda lança mão das importações (poliol e também TDI) para atender às necessidades do mercado. Para Ostertag, os clientes tradicionais não devem ter problemas com falta de matérias-primas. “A parceria é muito valorizada na Bayer e nossa prioridade é atender clientes com vínculos históricos”, declara o gerente. De qualquer modo, ele ainda ressalta que toda a produção local tem por objetivo atender o mercado sul-americano. “É nossa responsabilidade.”
Na opinião do gerente, o desempenho brasileiro foi muito bom para os poliuretanos neste ano. Em relação ao ano passado, as vendas da Bayer subiram 10% em volume e faturamento, nas contas dele. “Basicamente todos os segmentos cresceram, com destaque para setores, como o automotivo e o de refrigeração, que tiveram desempenho mais expressivo graças à maior presença nas exportações”, comemora. Suas expectativas para 2005 são de manter o ritmo.
Além de um laboratório equipado para os clientes desenvolverem novos produtos e aperfeiçoar fórmulas de sistemas, a Bayer dispõe de uma planta piloto para testar os novos sistemas. “É como se fosse uma microplanta dos clientes dentro da Bayer”, conclui
Ostertag.
Na opinião de Giro, o aperto no abastecimento é mundial e previsto para até a metade de 2006, caso a economia mantenha o atual ritmo de crescimento. “O mercado brasileiro tende a acompanhar a tendência mundial”, diz. Contudo, a falta de produto no País é pontual, segundo ele. “O mercado está sendo abastecido”, assegura.
Do mesmo modo que a Bayer importa TDI para oferecer aos clientes cesta completa, a Dow faz o mesmo com seu MDI fabricado nos Estados Unidos. No Brasil, além de TDI e poliol, a Dow também opera uma unidade produtora de sistemas, em Jundiaí-SP.
Também coordenador da Comissão Setorial de Poliuretanos, criada na Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Giro endossa a opinião de Ostertag quanto ao desempenho do mercado. O diretor da Dow observa crescimento geral, com forte demanda no mercado doméstico e ainda bom desempenho das exportações de maior valor agregado, tais como automóveis, eletrodomésticos, entre outros. Estimativas da comissão indicam que o segmento deve fechar o ano com expansão da ordem de 12%, com faturamento entre US$ 520 milhões e US$ 550 milhões. O consumo aparente nacional de poliuretano alcançou 255 mil toneladas no ano passado, liderado pelas espumas flexíveis, equivalentes a 54% do total (as rígidas ficaram com 19% do bolo).
O bom desempenho do mercado promete melhorar o consumo brasileiro per capita da resina, elevando-o de 1,44 kg, registrado no ano passado, para 1,54 kg neste ano. Ainda assim o índice é baixo em comparação aos países do Nafta (5,4 kg) e da Europa (4,5 kg). A boa notícia é que o índice supera a marca estabelecida nos países da América Latina (1,1 kg). “Tudo está ligado ao poder aquisitivo, ao nosso nível de desenvolvimento”, pondera Giro.
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