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NOTÍCIAS FERRAMENTARIAS
SE UNEM E AUMENTAM EXPORTAÇÕES Realizada
em outubro pelo Consórcio de Exportação de Moldes (Moldexport), em
Joinville-SC, a terceira edição do Projeto Comprador provou ser o
caminho para as ferramentarias da região alcançarem o mercado externo.
De acordo com prognóstico dos organizadores, os negócios prenunciados
durante os três dias nos quais o programa se deu corresponderiam a cerca
de quatro anos de atividades. “Não dá para ser preciso na avaliação,
pois os resultados tendem a aparecer depois, mas, seguramente, levaríamos
mais ou menos quatro anos para vender o volume aqui calculado”, observa
o diretor da Moldexport Victor Albert Batista da Silva. Ele prevê a venda
de cerca de 50 moldes. Além do aspecto mercadológico, o consórcio, formado pelas ferramentarias Grupo Perfil, Vama Industrial, Setmaq, Winter Industrial, Ferramentaria JN e Tool Machine, embute outro mérito: a mudança de paradigma na região. Antes de integrarem o grupo, os fabricantes se voltavam com exclusividade ao mercado doméstico.
Modelo europeu - Criado em 2000 pela Forvm, empresa de marketing internacional responsável pela sua coordenação, o consórcio se formou com o objetivo de unir as forças das ferramentarias locais, para enfrentar as dificuldades do mercado nacional, por meio das exportações. Em 1999 a empresa realizou um estudo de mercado, para, no ano seguinte, apresentar um pré-projeto para 40 ferramentarias de Joinville. Desse total, cinco aceitaram a proposta e fundaram o grupo. No mesmo ano, o Moldexport participou como expositor da Feira de Hannover (Alemanha) e já em 2001, vendeu dois moldes de duas toneladas para os Estados Unidos e Porto Rico. A Setmaq integrou o consórcio há cerca de dois anos,
definindo o grupo atual.
No entanto, a parceria entre as empresas está mais para soma do que para divisão. “No mercado doméstico cada um tem a sua clientela, mas quando falamos de exportação, formamos uma empresa só, o Moldexport”, explica o diretor da Vama Industrial Valério Winter. Segundo os ferramenteiros do grupo, de forma isolada, as empresas não teriam condições de vender para o mercado externo. “No grupo, unimos nossas forças e só assim conseguimos levar nossos moldes para o exterior”, resume o diretor da Winter Industrial Carlos Zanandréa. Winter vai além. Na opinião dele, as fábricas também se fortalecem no mercado interno, pois, na medida em que conquistam a credibilidade de clientes estrangeiros, enriquecem a imagem de empresa séria e de qualidade dentro do País. “O empresário brasileiro pensa: se essa fábrica atende às exigências internacionais, também pode me vender”, afirma Winter. A Vama só passou a exportar moldes após entrar no consórcio. Hoje, 15% da produção atende ao mercado externo. Mas deve avançar. Para 2005, prevê dobrar esse volume. Desde
1998, a Winter Industrial produz moldes, matrizes e atua no campo de
usinagens técnicas. Neste ano, 25% da produção serão destinados ao
mercado externo. Antes de ingressar no consórcio, esse índice era nulo.
Com capacidade para produzir moldes de até 8 toneladas e alcançar 8 mil
horas de fabricação/mês, a empresa se volta para a fabricação de
moldes para peças automotivas e eletrodomésticos. Última
empresa a integrar o consórcio, a Setmaq produz moldes de injeção de
termoplásticos para as linhas branca e automotiva, e moldes de injeção
de alumínio. Com o foco no segmento de peças aparentes dos automóveis,
a empresa planeja exportar 20% da sua produção, já no próximo ano.
Hoje o volume destinado ao mercado externo gira em torno de 5%. “A
exportação é a garantia de sobrevivência no futuro”, justifica o
diretor da Setmaq Eugenio Zonta. Para ele, apesar de imprescindível, essa
postura só se tornou possível a partir do consórcio. “Sozinho não
conseguia vender para fora do País”, completa.
Em geral, quem vem de fora não tem idéia do potencial da indústria brasileira”, comenta. Da produção total de moldes, 80% são para termoplásticos e 20%, alumínio.
Convidados de peso - A presença da Whirlpool, do México, no Projeto
Comprador confirma o forte potencial das empresas convidadas. Para o
responsável pelo abastecimento da Whirlpool Sérgio Tavera, a empresa
prevê investir em moldes US$ 200 milhões até 2005. “Estamos comprando
de todas as partes do mundo”, diz Tavera. Segundo ele, o Moldexport é
um forte candidato, sobretudo porque a empresa já participou do Projeto Pólo industrial - Concentrados em três pólos - São Paulo, Joinville e Caxias do Sul -, os fabricantes de moldes para o processamento de plástico chegam a 1200, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Considerado o segundo maior pólo da América Latina, com cerca de 300 ferramentarias, Joinville situa-se em ponto estratégico de acesso ao Mercosul. "A localização do Moldexport oferece uma ótima logística de distribuição, porque fica próximo dos portos de Itajaí e São Francisco do Sul, de dois aeroportos nacionais, e de muitas estradas", afirma Silva. Presente na inauguração desta terceira edição do programa, o secretário adjunto do Governo do Estado de Santa Catarina Norberto Sganzerla aproveitou para reforçar sua aposta no setor. “Nossa indústria tem avançado muito nos últimos anos. Aqui temos alto nível tecnológico”, diz. Por conta desse potencial, reiterou seu comprometimento com os investidores. “Estamos abertos para juntos podermos nos tornar mais competitivos no exterior”.
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