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FERRAMENTARIAS SE UNEM E AUMENTAM EXPORTAÇÕES

Realizada em outubro pelo Consórcio de Exportação de Moldes (Moldexport), em Joinville-SC, a terceira edição do Projeto Comprador provou ser o caminho para as ferramentarias da região alcançarem o mercado externo. De acordo com prognóstico dos organizadores, os negócios prenunciados durante os três dias nos quais o programa se deu corresponderiam a cerca de quatro anos de atividades. “Não dá para ser preciso na avaliação, pois os resultados tendem a aparecer depois, mas, seguramente, levaríamos mais ou menos quatro anos para vender o volume aqui calculado”, observa o diretor da Moldexport Victor Albert Batista da Silva. Ele prevê a venda de cerca de 50 moldes.

Além do aspecto mercadológico, o consórcio, formado pelas ferramentarias Grupo Perfil, Vama Industrial, Setmaq, Winter Industrial, Ferramentaria JN e Tool Machine, embute outro mérito: a mudança de paradigma na região. Antes de integrarem o grupo, os fabricantes se voltavam com exclusividade ao mercado doméstico. 

Agora, após quatro anos de participação no consórcio, já exportam, em média, no mínimo 15% da produção. Os números do consórcio são animadores. Mesmo sem o saldo desta terceira edição do Projeto Comprador, o Moldexport já soma, neste ano, faturamento de US$ 1,4 milhão. Em 2003 as vendas registraram US$ 160 mil e no ano anterior, US$ 92 mil. Já no primeiro ano de atuação, o consórcio obteve resultados positivos, da ordem de US$ 21 mil.  R. Pachione
Silva: Projeto Comprador se soma a outras ações

Silva atribui o mérito do consórcio ao Projeto Comprador. Na opinião dele, das exportações concretizadas até o momento, 90% são resultado deste tipo de ação. “Se dependêssemos de outras atividades, como a participação em feiras internacionais e viagens ao exterior, não chegaríamos a esse índice tão rapidamente”, explica. No entanto, o programa só funciona porque se soma a outras atividades, como a certificação das ferramentarias pela ISO 9000, treinamento, cursos de idioma para os consorciados e intercâmbio com outros países.

Pautado na visita de compradores estrangeiros em potencial a ferramentarias integrantes do consórcio, o Projeto Comprador levou representantes das multinacionais Whirlpool (Multibras), Black & Decker (Applica), IPS, Metagal, Renault Argentina (Ilasa), Rubbermaid (Estra), Ariente, Mabe e Acisa às instalações das fábricas. Ao término das visitas, todos participaram de uma rodada de negócios, na qual foram feitas as cotações dos moldes solicitados. Nesta edição, o grupo convidou empresas da Argentina, da Colômbia e do México. Nas versões anteriores, as empresas participantes eram do México, Argentina, Colômbia e Uruguai, em 2002, e da Argentina, no início deste ano.  Previsto para o início de 2005, o 4° Projeto Comprador terá como foco o mercado norte-americano.  

Modelo europeu - Criado em 2000 pela Forvm, empresa de marketing internacional responsável pela sua coordenação, o consórcio se formou com o objetivo de unir as forças das ferramentarias locais, para enfrentar as dificuldades do mercado nacional, por meio das exportações.  Em 1999 a empresa realizou um estudo de mercado, para, no ano seguinte, apresentar um pré-projeto para 40 ferramentarias de Joinville. Desse total, cinco aceitaram a proposta e fundaram o grupo. No mesmo ano, o Moldexport participou como expositor da Feira de Hannover (Alemanha) e já em 2001, vendeu dois moldes de duas toneladas para os Estados Unidos e Porto Rico.

A Setmaq integrou o consórcio há cerca de dois anos, definindo o grupo atual. Desde abril de 2001, o Moldexport conta com o aporte do governo federal, cujo aval financeiro se dá por intermédio da Agência de Promoção de Exportação (Apex). Em vigência até meados de 2005, o acordo entre o grupo e a Apex prevê investimento de R$ 2,1 milhões. Desse total, as ferramentarias respondem por 52% e a Apex, pelo restante. Silva não descarta a possibilidade de renovação do contrato. A idéia é, dessa forma, vislumbrar países mais distantes e pouco convencionais, como a Turquia. O consórcio segue modelo administrativo desenvolvido na Itália há mais de 50 anos, enquanto as estratégias operacionais baseiam-se na experiência de Marinha Grande, em Portugal. 

Em linhas gerais, as ferramentarias distribuem tarefas entre si, formando especialistas em cada etapa de confecção dos moldes. Responsável pela divulgação e vendas, o Moldexport repassa o pedido aos consorciados seguindo critérios, como a especialidade da empresa, a capacitação técnica (porte da ferramenta) e a carga de horas de trabalho (prazo de entrega), além da indicação do cliente.   R. Pachione
Para Winter, consórcio fortalece credibilidade

No entanto, a parceria entre as empresas está mais para soma do que para divisão. “No mercado doméstico cada um tem a sua clientela, mas quando falamos de exportação, formamos uma empresa só, o Moldexport”, explica o diretor da Vama Industrial Valério Winter. Segundo os ferramenteiros do grupo, de forma isolada, as empresas não teriam condições de vender para o mercado externo. “No grupo, unimos nossas forças e só assim conseguimos levar nossos moldes para o exterior”, resume o diretor da Winter Industrial Carlos Zanandréa. Winter vai além. Na opinião dele, as fábricas também se fortalecem no mercado interno, pois, na medida em que conquistam a credibilidade de clientes estrangeiros, enriquecem a imagem de empresa séria e de qualidade dentro do País. “O empresário brasileiro pensa: se essa fábrica atende às exigências internacionais, também pode me vender”, afirma Winter. 

A Vama só passou a exportar moldes após entrar no consórcio. Hoje, 15% da produção atende ao mercado externo. Mas deve avançar. Para 2005, prevê dobrar esse volume. De acordo com Winter, um dos fatores responsáveis por essa irmandade no grupo se traduz do comprometimento das empresas. Todo o grupo responde pelos negócios realizados sob a marca Moldexport, independente de quem fabrica a ferramenta. “Mesmo que eu faça o molde, a responsabilidade pelo produto final é de todos”, exemplifica Winter.

Desde 1998, a Winter Industrial produz moldes, matrizes e atua no campo de usinagens técnicas. Neste ano, 25% da produção serão destinados ao mercado externo. Antes de ingressar no consórcio, esse índice era nulo. Com capacidade para produzir moldes de até 8 toneladas e alcançar 8 mil horas de fabricação/mês, a empresa se volta para a fabricação de moldes para peças automotivas e eletrodomésticos.

Última empresa a integrar o consórcio, a Setmaq produz moldes de injeção de termoplásticos para as linhas branca e automotiva, e moldes de injeção de alumínio. Com o foco no segmento de peças aparentes dos automóveis, a empresa planeja exportar 20% da sua produção, já no próximo ano. Hoje o volume destinado ao mercado externo gira em torno de 5%. “A exportação é a garantia de sobrevivência no futuro”, justifica o diretor da Setmaq Eugenio Zonta. Para ele, apesar de imprescindível, essa postura só se tornou possível a partir do consórcio. “Sozinho não conseguia vender para fora do País”, completa.

Especializado em moldes de 6 a 10 toneladas, o Grupo Perfil opera com moldes de alta complexidade, voltados, sobretudo para o mercado automotivo. 
Apto a atender às exigências do mercado externo, hoje exporta cerca de 15% da produção, porém tem a expectativa de exportar 40%, em no máximo três anos. Para seu diretor Márcio Poffo, além da credibilidade do grupo, essa perspectiva se sustenta na qualidade das ferramentas da marca. “Quando o estrangeiro chega na nossa fábrica, ele passa a conhecer, realmente, o que produzimos.  R. Pachione
Poffo: visitas revelam potencial da indústria

Em geral, quem vem de fora não tem idéia do potencial da indústria brasileira”, comenta. Da produção total de moldes, 80% são para termoplásticos e 20%, alumínio.  

Convidados de peso - A presença da Whirlpool, do México, no Projeto Comprador confirma o forte potencial das empresas convidadas. Para o responsável pelo abastecimento da Whirlpool Sérgio Tavera, a empresa prevê investir em moldes US$ 200 milhões até 2005. “Estamos comprando de todas as partes do mundo”, diz Tavera. Segundo ele, o Moldexport é um forte candidato, sobretudo porque a empresa já participou do Projeto 

Comprador e no ano passado efetuou a compra de nove moldes do grupo. “As ferramentarias daqui são muito competitivas e, além disso, confio no Moldexport”, comenta.  Essa opinião é compartilhada pelo gerente de moldes da Applica Armando Pasaye. “Gostei muito do que vi”, avalia. Acostumado a comprar moldes de Portugal, China, Estados Unidos e Canadá, Pasaye só passou a considerar o País, a partir de sua participação no projeto. “Percebi que o Brasil é uma boa opção para nós”, constata. A Applica compra média de 130 moldes por ano.  

Pólo industrial - Concentrados em três pólos - São Paulo, Joinville e Caxias do Sul -, os fabricantes de moldes para o processamento de plástico chegam a 1200, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Considerado o segundo maior pólo da América Latina, com cerca de 300 ferramentarias, Joinville situa-se em ponto estratégico de acesso ao Mercosul. "A localização do Moldexport oferece uma ótima logística de distribuição, porque fica próximo dos portos de Itajaí e São Francisco do Sul, de dois aeroportos nacionais, e de muitas estradas", afirma Silva. Presente na inauguração desta terceira edição do programa, o secretário adjunto do Governo do Estado de Santa Catarina Norberto Sganzerla aproveitou para reforçar sua aposta no setor. “Nossa indústria tem avançado muito nos últimos anos. Aqui temos alto nível tecnológico”, diz. Por conta desse potencial, reiterou seu comprometimento com os investidores. 

“Estamos abertos para juntos podermos nos tornar mais competitivos no exterior”.   

 

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