ROBÔS

 

Busca por qualidade incentiva as vendas

Transformadores de ponta investem na compra de braços mecânicos para elevar desempenho

José Paulo Sant`Anna

 
 Foto: Cuca Jorge

A  busca por maior produtividade e qualidade, a perspectiva de crescimento econômico e o aumento da exigência das empresas que utilizam peças plásticas despertaram nos transformadores a importância de equipar com robôs as injetoras, principalmente, acelerando o processo de extração das peças. Embora o uso desses braços mecânicos ainda seja incipiente no mercado brasileiro (seu uso é intenso nos Estados Unidos e em países da Europa e Ásia), muitas empresas de ponta já se aperceberam das vantagens que oferecem e intensificam seus investimentos na compra dos modelos disponíveis no mercado. O aumento nas vendas já entusiasma os fornecedores, confiantes na multiplicação, no curto prazo, do número de robôs vendidos.

As particularidades do processo de injeção e o crescente uso de peças plásticas pelos mais variados segmentos da economia são fatores que levaram ao surgimento, nos países desenvolvidos, a partir dos anos 60, de empresas especializadas na fabricação de robôs voltados para a extração de peças nas injetoras. Entre os principais usuários destes robôs encontram-se as indústrias de autopeças, os fornecedores de peças para as indústrias de aparelhos eletro eletrônicos e de eletrodomésticos da linha branca, além de produtores de embalagens para as indústrias alimentícias e de cosméticos.

Um dos fornecedores mundiais de robôs voltados para as máquinas de injeção, a empresa italiana Dal Maschio (também conhecida como DM), informa ser a única com fábrica no Brasil, localizada em Diadema-SP. Outras, como a japonesa/coreana Star Seiki e a austríaca Wittmann, têm escritórios de representação no País localizados em Campinas-SP e São Paulo, nessa ordem.

Características – Os robôs voltados para as máquinas têm “braços” que operam com três eixos, com total autonomia para extrair as peças do molde da máquina. 

Cada “braço” é movimentado de maneira independente, a partir da ação de servo-motores, nos modelos mais sofisticados, ou de mecanismos pneumáticos. De forma unânime, os fabricantes garantem que os robôs dotados com servo-motores nos três eixos custam mais, mas permitem retorno mais rápido do dinheiro aplicado para a sua compra. Cuca Jorge
Fabricantes de robôs garantem bom desempenho

“Um robô pode ser adaptado a uma injetora sempre que a operação não possa ser efetuada dentro de um regime automático, pelo qual as peças prontas caem em uma canaleta ou em uma esteira”, explica José Luiz Galvão Gomes, diretor da Dal Maschio do Brasil. Os equipamentos se adaptam a injetoras com as mais variadas forças de fechamento. Também podem ser conjugados às injetoras mais antigas – vale lembrar que as mais novas, dotadas com controles informatizados, têm a vantagem de “dialogar” com os robôs, o que permite a estes realizarem algumas operações extras, como conferir se a qualidade das peças produzidas encontra-se dentro dos parâmetros desejados e armazenar as peças aprovadas em locais diferentes das defeituosas.

“Um fator imprescindível para que o robô possa funcionar é o molde das peças”, adverte Leonardo Kang, diretor da Star Seiki Brasil. A ferramenta precisa ter design que permita ao robô retirar as peças injetadas a partir das possibilidades de movimento de seus “braços”. Esse é um empecilho que limita as vendas de robôs no Brasil, pois muitas empresas ainda operam com moldes antigos ou projetados fora das especificações desejadas. Outro aspecto fundamental é o design das garras extratoras. “Em cada caso é necessário projetar uma garra apropriada à peça”, explica Gomes.

Os preços dos robôs variam muito de acordo com o modelo selecionado. O investimento necessário pode ser comparado ao da compra de um automóvel zero kilômetro: oscila entre R$ 20 mil, no caso dos modelos mais simples, e algumas centenas de milhares de reais, no caso dos mais sofisticados. No entanto, o retorno do investimento é muito rápido, garantem os fornecedores das máquinas. “Com o uso de um robô, a máquina aumenta sua produtividade, em média, cerca de 20% a 30%”, afirma Reinaldo Carmo Milito, diretor geral da Wittmann. Para exemplificar, Kang cita o exemplo de um cliente, cujo nome prefere não revelar. “No turno da manhã, o número de peças produzidas na planta deste cliente ficava próximo de 700. No turno da tarde, esse número caia para cerca de 550. Já no turno da madrugada, ficava na casa dos 450. Com o uso de robôs, o número passou a ser uniforme, em torno de 750 peças por turno”, conta.

O bom resultado tem uma explicação bastante simples: é impossível, para o ser humano, manter a regularidade no tempo de extração das peças, principalmente no final do expediente, quando o cansaço toma conta dos trabalhadores”, justifica Kang. A manutenção precisa do tempo dos ciclos obtida com a automação também permite o melhor planejamento do uso das máquinas. 

De quebra, eleva a qualidade das peças produzidas. “As injetoras são reguladas para trabalharem em condições muito bem calculadas e quando ocorrem variações no tempo dos ciclos, as peças sofrem alterações em suas características”, emenda Gomes. Cuca Jorge
Peças com insertos exigem uso dos robôs

Principais aplicações – Em algumas aplicações o uso dos robôs é mais recomendado, às vezes imprescindível. Uma delas é a da injeção de peças de grande porte – caso de pára-choques ou gabinetes de televisão –, cujo peso dificulta a ação dos funcionários. A injeção de peças produzidas a partir de ciclos muito rápidos ou que exigem a colocação de insertos dentro dos moldes são outros exemplos. “Algumas máscaras de aparelho celular contam com insertos do tamanho de um milímetro”, exemplifica Kang.

“Também podem ser citadas as produções de peças cuja qualidade pode ser prejudicada pelo manuseio de operadores humanos”, informa Milito. São os casos das peças que exigem aparência impecável, as lentes dos faróis de automóveis, por exemplo, ou as embalagens de cosméticos, ou, ainda, produtos alimentícios, que necessitam ser isentas de impurezas. Na injeção feita a partir do processo in mold label, que produz peças com imagens gravadas a partir da colocação de etiquetas nos moldes, a presença de robôs é fundamental, uma vez que a operação requer uma forte descarga elétrica durante sua execução.

Em tempo: em outro aspecto todos os fabricantes de robôs têm opiniões unânimes. Eles contestam a idéia de que a compra das máquinas significa eliminar empregos. Para eles, os robôs são mais utilizados em funções onde o trabalho dos homens é desumano ou impossível. Em muitos outros casos, ressaltam os especialistas, a presença de um robô não dispensa a de um trabalhador. “Os robôs podem retirar as peças de uma injetora e entregá-las ao operador, que terá mais tempo para controlar a qualidade das peças ou efetuar tarefas complementares, como cortar as canaletas”, explica Milito.

 

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