|
NOTÍCIAS SETOR DE AUTOPEÇAS EXPANDE A PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO MAIS As exportações da indústria automobilística assumiram ritmo acelerado no primeiro semestre de 2004. De janeiro a maio, as divisas brasileiras alcançaram, conforme divulgado em julho pela Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores –, total de US$ 4,8 bilhões em vendas para os Estados Unidos (US$ 1,04 bilhão), Argentina (US$ l,01 bilhão), México (US$ 688,3 milhões), União Européia (US$ 607,9 milhões), grupo de países andinos (US$ 370,08 milhões), Chile (US$ 212,4 milhões), entre outros destinos (US$ 888,6 milhões), superando as melhores projeções até então feitas para o período. A importância desses resultados surpreendentes até para especialistas do setor é aquilatada na comparação com os números do ano passado, quando, de janeiro a maio, as receitas com exportações alcançaram US$ 3,6 bilhões, somando entre todas as empresas associadas à Anfavea total de US$ 5,5 bilhões no balanço final de 2003. O desempenho excepcional das exportações da indústria automobilística, longe de ser comemorado pelos transformadores do setor plástico, motiva preocupação no meio empresarial, em razão dos baixos níveis de rentabilidade. A Plásticos Mueller, uma das maiores empresas de transformação do País, pioneira a instalar fábrica em São Paulo, em 1937, e há mais de quatro décadas focada na fabricação de componentes plásticos para o setor automotivo, exemplifica essa problemática. O aquecimento na demanda, puxado pelas exportações do setor automotivo, tirou do vermelho os resultados da área contábil alcançados em 2003, mas elevou em apenas 7% o patamar de rentabilidade acumulado no período.
Analisando outros cenários, o empresário, também vice-presidente da Abiplast – Associação Brasileira da Indústria do Plástico, considerou: “Se a produção automobilística ultrapassar 2 milhões de veículos neste ano, vamos enfrentar problemas relacionados com o fornecimento de peças e acessórios plásticos e teremos dificuldades a começar pela compra de matérias-primas, Isso se deve ao sucateamento da indústria da transformação brasileira dos últimos anos, fazendo desaparecer grande número de empresas fornecedoras do setor automotivo”, analisou Jacob. Fabricadas pela Mueller, várias inovações tecnológicas em componentes plásticos para o setor automotivo aportam todos os anos em vários mercados internacionais. Esse é o caso dos pára-sois (sun-wiser) externos para caminhões Volvo e Scania. Exportados para a Suécia, os componentes são fabricados por injetoras de 1,8 toneladas de força de fechamento, especialmente modificadas para realizar esse tipo de produção na unidade paulista da empresa. “Somos o primeiro fornecedor mundial desse tipo de acessório, fabricado em polimetilmetacrilato (PMMA), inclusive realizando exportações diretamente”, informou Jacob. No rol dos componentes que agregam alta tecnologia destacam-se também reservatórios de compensação produzidos com exclusividade. Confeccionados em PP, esses reservatórios de água atuam no sistema de refrigeração dos motores de automóveis de toda a linha de veículos Volkswagen, Volkswagen/Audi e Fiat.
Falta de crédito - Na visão do empresário, a moeda brasileira favorece o País nas exportações, mas a principal dificuldade está na falta de crédito, essencial para investimentos na produção e na modernização do parque industrial de manufaturados plásticos. “No Brasil todo mundo se preocupou em trazer o maior número possível de empresas, mas todos se esqueceram de que o dinheiro tem de voltar para os sócios na forma de lucro. Enquanto no Japão, um molde permanece meses, até anos numa máquina, o Brasil troca ferramental e matéria-prima a cada dois dias. Isso é brutal, faz com que os custos aumentem exorbitantemente”, considerou o empresário. Não obstante os acordos internacionais de comércio ofereçam reduções tarifárias e maior competitividade aos veículos e autopeças produzidos no País, o setor plástico, segundo acredita Jacob, necessita de crédito para poder investir em novas fábricas e tecnologias, e ter custos de produção mais competitivos e compatíveis com aqueles encontrados na Europa e Estados Unidos. “No Brasil, o custo de produção do manufaturado plástico é em torno de 10% a 15% mais elevado em comparação com os custos encontrados nos países mais desenvolvidos”, comparou. Produção nacional - O Brasil combina, hoje, grande número de montadoras, constituindo base de fabricação de autopeças capaz de produzir mais de 95% dos componentes automotivos. Em 2003, produziu l,8 milhão de autoveículos, repetindo patamares alcançados em 2001 e 2002, graças ao aumento das exportações que a cada ano oferecem maior sustentação à produção, respondendo pelo escoamento de mais de 400 mil unidades só no ano passado. Aferida no final de 2003, a capacidade instalada para produzir autoveículos alcançou 3,2 milhões de unidades. O melhor desempenho brasileiro no setor, no entanto, foi alcançado em 1997, quando a indústria produziu 2,1 milhões de unidades, destinando, naquela época, pouco mais de 200 mil unidades para o mercado externo. No ano passado, o mercado interno brasileiro absorveu 71% da produção de autoveículos. Mas, se continuar nessa trajetória, é provável que a participação das exportações sobre o desempenho da indústria automobilística supere os 29% alcançados no ano passado. Sobre os atuais destinos e possibilidades de abertura de novos mercados para as exportações automotivas brasileiras, Jacob considerou o aumento das vendas para a Argentina, como um episódio de aquecimento sazonal, acreditando que, no segundo semestre deste ano, os maiores volumes das exportações devam ser destinados aos Estados Unidos, Índia, África do Sul e China. No caso da Índia e África do Sul, os prognósticos levariam em conta recentes homologações de veículos providos de direção do lado direito, visando a participação brasileira nos mercados de ex-colônias da Inglaterra. Elevar os percentuais de exportação para 30%, enquanto o mercado interno não reage à altura, aproximando cada vez mais a produção da capacidade atual instalada, é meta da indústria automobilística, inclusive prevendo o retorno dos investimentos já escoados no País. De 1994 até 2002, a indústria automobilística brasileira contabilizou investimentos no valor de US$ 26,6 bilhões, dos quais US$ 16,6 bilhões correspondendo a modernizações realizadas no setor de autoveículos e US$ 10 bilhões aplicados no setor de autopeças.
|
|||||||||||
| <<< Anterior | |||||||||||