INJETORAS

PROCESSOS ESPECIAIS ATRAEM NOVOS USUÁRIOS NO BRASIL

Dentre os processos especiais de injeção de peças plásticas, dois sistemas têm chamado a atenção nos últimos meses: a microinjeção e a injeção auxiliada por gás. O primeiro por tornar realidade o que antes era visto apenas nos filmes de ficção científica ou de espionagem. Micropeças plásticas, menores que um grão de arroz, armazenam chip subcutâneo, implantes auditivos ou substituem engrenagens metálicas nos precisos e tradicionais relógios suíços.

Um avanço difícil de se prever sem a parceria da indústria dos plásticos, e que no Brasil, por enquanto, ainda tem pouca ou nenhuma aplicação, ao contrário da injeção auxiliada por gás, cada vez mais presente no mercado nacional. A expansão do processo, em especial na Zona Franca de Manaus, um de seus principais redutos, também merece destaque. Os motivos diferem, porém as duas tecnologias demonstram a grande evolução da injeção de plásticos.

A vida moderna, cada vez mais miniaturizada, encontra na moldagem de resinas um excelente aliado. Em outubro, a grande imprensa anunciou a aprovação pelo governo americano do uso de chip subcutâneo, capaz de armazenar informações sobre o prontuário médico de pacientes. Batizado de VeriChip e fabricado pela americana Aplied Digital Solutions, tem o tamanho de um grão de arroz e acopla um número em código de barras. Implantado sob a pele do paciente, permite leitura por scanner. A tecnologia também se aplica a recursos e sistemas de segurança e enfrenta críticas dos que acreditam representar uma ameaça à privacidade.

Discussões à parte, tais evoluções colocam à prova tanto o avanço das resinas plásticas – que não podem ser rejeitadas pelo organismo, entre outras propriedades –, quanto de moldes e máquinas. “Sistemas especiais permitem a moldagem ou sobre-injeção de peças com peso na faixa de miligramas, praticamente invisíveis a olho nu, com resultados extremamente técnicos e precisos”, explica Marcos Cardenal, do departamento de vendas da Battenfeld, de Osasco-SP. 

O sistema para micro-injeção, desenvolvido pela Battelfeld e patenteado de Microsystem, compõe-se de uma célula de fabricação com automação total, incluindo inspeção de qualidade. 

Cuca Jorge
Cardenal: Zona Franca é reduto de injeção a gás

Por ser fechado, garante produção limpa, além de sistema para embalar as peças em blister, sem contato manual ou possibilidade de contaminação. Produz peças com peso inferior a um grama.

A tecnologia foi apresentada pela primeira vez em 1995 e hoje já atende aos segmentos de telecomunicações, relojoaria industrial, medicina, eletrônica etc. “Nichos mais técnicos e de maior valor agregado”, diz Cardenal. Rosca com 14 mm de diâmetro assegura precisão, além de expressiva capacidade de homogenização e reduzida degradação da resina plástica. “Permite o processamento de grão de tamanho normal”, afirma.

Outra característica importante refere-se ao controle de dosagem com precisão de 0,001 cm³. A velocidade máxima de injeção é de 760 mm por segundo. Totalmente elétrica, a máquina opera ainda com 5 toneladas de força de fechamento, molde giratório e movimentos simultâneos de dosagem e injeção.

Segundo Cardenal, a injeção ocorre em três fases. Na primeira, o material é plastificado em rosca de 14 mm, depois ocorre a dosagem controlada por pistão, e, por fim, a injeção. Como opcional, oferece módulo de monitoramento de qualidade que garante imagens da produção em tempo real. As peças defeituosas ou fora do padrão são separadas automaticamente por robô. As imagens podem ser armazenadas e enviadas para o cliente, documentando a produção e assegurando a qualidade.

Também a americana Milacron participa desse segmento. Os modelos para microinjeção da americana Milacron foram apresentados na K´2004 e na NPE, edição de 2003. “Possuem força de fechamento de 5 até 30 t e se destinam à produção de conectores, peças de alta tecnologia incorporada, entre outros”, diz o gerente de vendas Hercules Piazzo. Cuca Jorge
Piazzo: modelo da Milacron foi apresentado na NPE

Pequeno porte Para a injeção de peças pequenas, até 20 gramas, a Battenfled fabrica o sistema Micromelt. Mais uma vez, a tecnologia está na rosca de 14 mm de diâmetro e geometria especial. “A variação do peso da injeção fica abaixo de 0,1%”, explica. Para exemplificar, cita a moldagem de peça com peso médio de 3,468 g em policarbonato (PC). “Em 50 ciclos, a variação máxima do peso de injeção foi de 0,003 g.”

As injetoras da série Plus também se adequam à produção de peças de pequeno porte. “Trata-se de máquina compacta e precisa para injeção de 5 até 60 gramas.” Porém, segundo Cardenal, deve-se observar que os números se referem ao peso da massa injetada e não necessariamente da peça, pois o molde pode ter várias cavidades.

Por exemplo, um molde de 12 cavidades, cuja massa injetada alcança 24 g, o peso por peça será de 2 g. 

Divulgação
Injetora molda peças menores que um grão de arroz

A linha da Battenfeld compõe-se de injetoras desde 5 t de força de fechamento até 8.200 t, inclui máquinas de fechamento vertical, mesa rotativa, acionamento elétrico e multi-material.

Na avaliação de Cardenal, a fabricação de peças em equipamentos apropriados aumenta a produtividade, melhora a qualidade e reduz custos. A afirmação justifica o avanço dos processos especiais de moldagem por injeção, tais como os auxiliados por gás ou água e de múltiplos componentes, além da micro-injeção. Tais sistemas requerem máquinas e periféricos específicos, além de comandos adequados às funções adicionais.

O diretor geral da Arburg do Brasil Roberto M. Schaefer também vislumbra o grande potencial dos processos especiais no Brasil. A empresa oferece máquinas, acessórios e periféricos para diversas aplicações. 

“Dentre as nossas especialidades se destacam as máquinas para produção de micropeças com aplicação nos segmentos de informática e instrumentos de precisão, como câmeras fotográficas, equipamentos de laboratório, telefonia e outros”, afirma. Cuca Jorge
Schaefer destaca o grande potencial da micro-injeção

A precisão, segundo ele, é assegurada pela tecnologia do equipamento aliada ao processador Selogica que controla todos os parâmetros e elimina possíveis variações durante a produção. “As características não diferem muito em função do porte”, afirma. A Arburg produz séries hidráulicas, híbridas e elétricas, com força de fechamento desde 12,5 toneladas até 400 t. Todas, segundo Schaefer, com tecnologia closed loop, que compensa automaticamente os desvios entre o valor ajustado e o valor real. “Possibilita produção sem refugos.”

A linha da Demag Ergotech, de Barueri-SP, inclui máquinas com rosca de 14 mm de diâmetro. Dentre as aplicações, o gerente geral Udo Löhken cita pontas de esferográficas, microengrenagens, minilentes, pontas para cateteres cardiológicos, miniconectores, etc. A austríaca Engel, representada no Brasil pela HDB, de Cotia-SP, destina as injetoras 100% elétricas, com o sistema de X-Melt, para a injeção de pequeno porte. Cuca Jorge
Lönken: vendas aumentaram 35% e faturamento, 60%

O sistema opera com a tecnologia de injeção por expansão. “Permite a moldagem de peças com paredes de até 0,1 mm, e velocidade de injeção acima de 1.000 mm por segundo”, afirma o diretor da HDB, Herbert Buschle. Segundo ele, o maior potencial da tecnologia no Brasil está na indústria eletrônica e de telefonia celular.

 

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