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EXTRUSORAS FABRICANTE INVESTE E RENOVA O MERCADO Renata B. Pachione Promessa de ser o ano da virada, 2004 foi cenário para o setor de máquinas extrusoras se renovar. Em função do panorama recessivo dos últimos anos, os fabricantes buscaram vias alternativas e, ao que parece, acertaram a rota. Mesmo com as vendas em baixa, abasteceram o mercado nacional com novos desenvolvimentos e investimentos nas fábricas. Mas a tarefa foi árdua. Se um dia o comércio de peças de reposição e assistência técnica ampararam as vendas, hoje só esse recurso se mostrou insuficiente. Muitos partiram para a terceirização da produção, com o claro objetivo de reduzir custos. E, mais uma vez, se valeram das exportações como tábua de salvação. Independente da área na qual atuam, os fabricantes de extrusoras são unânimes em considerar os dois últimos anos os piores momentos da história do setor e comemoraram a recuperação já no início de 2004. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o mercado de máquinas e equipamentos para a indústria do plástico apresesentou faturamento global da ordem de R$ 322 milhões no primeiro semestre do ano. O resultado aponta incremento de 55,5% em relação ao mesmo período de 2003, sob influência direta da participação do mercado externo. No período, as exportações passaram de US$ 16 milhões para US$ 27 milhões. Desse total, os Estados Unidos consumiram US$ 4,3 milhões, seguidos pela Argentina e México, cada um com US$ 3,7 milhões. O segmento de filmes, em particular, também se alimentou do aumento da demanda de películas técnicas. Esse avanço se traduziu na consolidação, por definitivo, de máquinas de maior valor agregado, no caso, as co-extrusoras.
Sete camadas - Por tradição, as máquinas multicamadas mais vendidas no País são para filmes de três e no máximo cinco camadas. Com cenário favorável, a Carnevalli apostou alto em inovações e lançou, em âmbito mundial, a co-extrusora de sete camadas Polaris 7 PA 1200. Apto para processar náilon e copolímero etileno-álcool vinílico (EVOH), o modelo vai ao encontro da tendência do avanço das máquinas para produção de filmes com barreiras especiais. “Esse ano todo nos concentramos nessa fantástica co-extrusora de sete camadas”, orgulha-se Eduardo. Tradicional no segmento, a Carnevalli apresentou sua primeira co-extrusora em 1993, mas, na época a reação do mercado foi pouco expressiva, e o modelo só deslanchou cinco anos depois de seu lançamento. Apesar dessa apatia inicial, a empresa manteve sua aposta e, em 2000, inovou mais uma vez, ao apresentar a co-extrusora da linha Coex, para produção de filmes de até cinco camadas. Desde então, cresce cada vez mais a aceitação das multicamadas no mercado nacional. “As co-extrusoras estão em alta”, conclui Eduardo. Para ele, a maior procura recai sobre as máquinas para poliolefínicos e filmes especiais com barreiras. Apesar dessa demanda, ainda há espaço para crescimento das monocamadas no mercado nacional, a ponto de a Carnevalli também apresentar como novidade a Polaris Magnum 75 Bi-Flex. Trata-se de uma mono-extrusora voltada à produção de filmes de alta resistência e elasticidade. O modelo se soma às outras máquinas da linha Polaris, com diâmetros de rosca de 50 mm a 160 mm, e às co-extrusoras Bi-Flex, estas para filmes de três, cinco e sete camadas. Esses desenvolvimentos traduzem, em parte, a importância da política de exportações adotada pela empresa. Com o objetivo de intensificar sua penetração nos países do Mercosul e aumentar sua presença nos mercados europeu e asiático, a Carnevalli investiu alto em tecnologia e mostrou condições de igualdade com as empresas estrangeiras. Só neste ano participou de várias feiras internacionais, como as de Argentina e México, além é claro, da principal vitrine do setor: a K, em Düsseldorf, na Alemanha, onde apresentou a Polaris 7 PA 1200. Em média, a Carnevalli tem produção mensal de mais de 180 extrusoras, das quais cerca de 30% destina-se à exportação. Além das fronteiras - Nem a tradição de mais de quatro décadas atenuou o impacto da crise de 2002 e 2003 no faturamento da fabricante de extrusoras para filmes e chapas Rulli Standard, de Guarulhos – SP. “Estes anos foram difíceis. Só sentimos melhorias a partir de abril de 2004”, comenta o gerente de exportações na área latino-americana Oscar Rocha Martinez. No entanto, ancorada pelas exportações, a empresa pôde respirar aliviada e, inclusive, transformar as dificuldades vividas no mercado nacional, durante esse período, na expansão de sua atuação no exterior. Para se ter uma idéia, hoje, mais da metade das máquinas produzidas é exportada. A título de ilustração, em 2000, as exportações absorviam 30% da produção. “Nossa máquina é muito competitiva lá fora”, justifica Martinez.
“Agora estamos no auge da recuperação”, diz Martinez. A Rulli reafirmou a confiança na reativação do setor com a mudança de endereço de sua fábrica. Há cerca de um ano e meio, a empresa se instalou em área maior, de 16 mil m² construídos, onde fabrica linhas completas para filmes de PEBD, PEBDL, PEAD e co-extrusoras de multicamadas, além de linhas para filmes planos e chapas mono-extrusadas e co-extrusadas. Forte na oferta de máquinas complexas e de alto valor agregado, a Rulli apresenta como novidade ao mercado a bobinadeira Model Evolution.
Fabricante de extrusoras e co-extrusoras para filmes e sistemas completos de ráfia (extrusão, tear, laminação e confecção), a Windmoeller & Hoelscher do Brasil, de Diadema-SP, deve encerrar 2004 com crescimento de cerca de 20% em relação ao ano passado. Esse índice superou as expectativas da empresa de registrar aumento de faturamento inferior a 5%. O incremento é creditado, sobretudo, à nacionalização das máquinas do segmento de ráfia, no caso a Starex. O modelo opera à velocidade de até 420 m/min e foi dotado de recursos de controle de espessura e variação, na tentativa de tornar a máquina mais precisa. A aceitação da Starex sustenta, inclusive, gradual substituição do modelo Tirex, máquina hoje produzida somente no Brasil.
Automação - Com vocação para fabricar máquinas com alto grau de automação, o fabricante alemão também possui em seu portfólio o modelo Filmex. Trata-se de uma cast film de sete camadas equipada com bobinador Filmatic, capaz de atingir velocidade de até 200 m/min. A co-extrusora também possui sistema de controle de regulação Profil-Booster, desenvolvido para reduzir o tempo para iniciação da máquina e, por conseqüência, a quantidade de aparas. Nesta edição da K, a empresa apresentou a Varex, co-extrusora para filmes de cinco camadas equipada com cabeçote Maxicone. A diferença deste cabeçote fica por conta de sua construção, no caso, compacta. Além disso, seu tamanho corresponde à metade dos modelos convencionais. Ainda possui sistema de distribuição cônica da massa e reduz o tempo de troca de formato na ordem de até 80%. A máquina, por sua vez, possui capacidade de processamento de 650 quilos/hora e de produção de filmes com variação de espessura de 1% a 2%. Todas as extrusoras da marca contam com sistema automático de troca de bobina. Bosse também adere à aposta nos modelos de co-extrusão, sobretudo de três camadas. De acordo com ele, a venda de máquinas monocamada na matriz alemã é quase nula, e em âmbito nacional, cerca de 25% da demanda se refere às monocamadas. “O mercado está interessante para produtos específicos, como os filmes com barreira”, comenta. Essa procura reflete, em particular, as atuais exigências da indústria de alimentos.
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