Segundo o vice-presidente da Abiquim, a Petrobrás está iniciando experiências com um novo processo no qual o eteno e o propeno são originados diretamente do refino de petróleo bruto por eletroeletrólise. A tecnologia vem sendo denominada craqueamento hidrocatalítico. Ele citou como exemplo de alternativas tecnológicas já existentes a planta 2 da Copesul, inaugurada em 1999 e capaz de processar petroquímicos a partir da nafta, de condensado e de gases. Duque Estrada conta ainda com o aumento da oferta do gasoduto Brasil-Bolívia e com o início da atividade em escala da jazida de gás natural da produção na baía de Santos, pela Petrobrás, como forma de diminuir o risco de desabastecimento.

O diretor comercial da Ipiranga Petroquí-mica, Eduardo Tergolina, avaliou o tema sobre o abastecimento de matérias-primas básicas da petroquímica de forma diferenciada. Segundo ele, o Oriente Médio não aproveita o gás de suas jazidas, mas nos próximos anos, diversas centrais de matérias-primas serão construídas na região. 

Com isso, haverá matéria-prima em quantidade razoável para dar conta do espetáculo de crescimento chinês e da demanda na Europa. “Essa questão de produzir eteno e propeno a partir de gás natural não é nova. Os Estados Unidos usam a tecnologia há muito tempo. A Europa é que processa a partir da nafta e o Brasil copiou o modelo europeu, mas já está revendo essa estratégia para não depender exclusivamente da nafta.”

 
Tergolina: Brasil copiou modelo europeu

Gabriel Lourenço Flores, gerente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresentou um quadro sobre os investimentos necessários para a cadeia petroquímica brasileira atender a demanda nos próximos oito anos. Num cenário conservador, o BNDES projeta para até 2008 a necessidade de três novas plantas de segunda geração – uma de poli-propileno, outra de PET e uma de cloro-soda-PVC, demandando investimentos na ordem de US$ 740 milhões. Outros US$ 632 milhões deverão ir para a primeira geração. De 2010 até 2013 a cadeia petro-química nas duas primeiras gerações necessitará mobilizar juntas US$ 3,8 bilhões com mais uma planta de polietileno de baixa densidade, uma para PE de alta e linear, mais uma de PET e outra de cloro-soda/PVC.

No parque de transformação, além da reposição das máquinas em operação, de 2009 até 2013, o mercado deverá absorver 686 novas extrusoras, outras 548 injetoras e 455 sopradoras, perfazendo mais de US$ 278 milhões em vendas. No cenário otimista, o crescimento ocorrerá 4% acima do conservador. Lourenço Flores destacou que o BNDES e as instituições financeiras do país têm como atuar como suporte financeiro para os investimentos e divulgou aos transformadores os sistemas da instituição para aquisição de bens de capital. Para isso, há a resolução 3.227, de 5 de agosto de 2004, do Banco Central, elaborada justamente para financiar a aquisição de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional, para a modernização do parque industrial. As operações serão realizadas exclusivamente por meio das instituições financeiras conveniadas.

O prazo total para pagamento é de 60 meses, incluída a carência de três ou seis meses. As amortizações serão mensais e sucessivas, calculadas pela tabela price, com juros capitalizados trimestralmente no período de carência. Durante a fase de amortização os juros serão pagos juntamente com o principal. Poderão ser atendidos os financiamentos contratados até 5 de agosto de 2005, observado o limite global de R$ 2,5 bilhões. Os projetos superiores a R$ 10 milhões estão na faixa dos grandes investimentos. As taxas de juros nas operações reembolsáveis ficam próximas de 14,95%, incluída a remuneração da instituição financeira credenciada de até 3,95%. O nível de participação do financiamento é de 90% do valor total do projeto. A contrapartida do investidor fica em 10%.

No debate sobre a conjuntura da cadeia petroquímica, o diretor do Sinplast, Alfredo Schimidt, revelou ter sido sondado em sua empresa por grupos norte-americanos interessados na cotação de embalagens industriais. No seu entendimento o Brasil pode concorrer com a China nos próximos anos se adequar o parque industrial para a produção em larga escala. A vantagem do Brasil, na visão de Alfredo Schmidt, é a mão-de-obra mais qualificada e igualmente barata capaz de entregar mercadorias com melhor qualidade a preços competitivos. “A China está exportando 80 milhões de dólares por ano somente em flores artificiais. É quase a exportação total do Brasil em termoplásticos”, assinalou Schmidt. “Nos Estados Unidos, não há mais margem para realizar preços competitivos internamente. Eles enxugaram tudo o que podiam”, reforçou o diretor do Sinplast.

 

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