Fórum defende integração das três

Recuperação da economia mundial eleva projeções de consumo, exige investimentos em novas plantas e faz Brasil rever projetos

Texto e fotos de Fernando Cibelli de Castro

Representantes da cadeia produtiva do plástico estiveram reunidos em Gramado-RS entre 23 e 25 de setembro, na primeira edição do Fórum Latinoplast, promoção do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast), com apoio de diversas entidades, entre elas a Abiplast, Aliplast, o Instituto Nacional do Plástico e a Abiquim. Dividido em painéis dirigidos a uma assistência de quase 200 inscritos, entre empresários, estudantes da área de polímeros e técnicos, o evento traçou um panorama sobre o atual momento da indústria petroquímica, apontou problemas e discutiu soluções. A principal lição tirada é a necessidade de integração de todos os setores a partir da indústria petrolífera em conjunto com as três gerações da petroquímica.

Já no primeiro painel, intitulado “Integração na Cadeia Produtiva do Plástico – Direção, Extensão e Equilíbrio –”, David Kupfer, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez uma advertência confirmada pelo vice-presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química, Guilherme Duque Estrada de Moraes. 

De 2005 até os primeiros anos da próxima década poderá ocorrer uma escassez expressiva de matérias-primas. Kupfer justificou sua afirmação amparado em amplo material contendo projeções baseadas em estatísticas precisas levantadas pelo IBGE e pela própria Abiquim.  
Palestras reuniram mais de 200 inscritos no Fórum de gramado - RS

Esses estudos mostram a ocorrência de forte demanda de eteno/propeno em escala mundial, provocada pela recuperação combinada das economias norte-americana, japonesa e dos países emergentes. Outro aspecto relevante na cadeia de consumo é o crescimento descomunal da economia na China. O país está importando 42% dos polietilenos produzidos no mercado global, 44% do polipropileno, 45% do PVC e 48% do poliestireno. Ao mesmo tempo, ocorre o esgotamento das plantas petroquímicas atuais e expansão insuficiente na primeira e segunda geração, encerramento da atividade de crackers antigos, por obsolescência ou pelo preço das matérias-primas.

Há poucos projetos em execução no Oriente Médio e na China, mas apenas para eteno, faltando a definição de novas unidades de propeno. A maioria dessas novas plantas não produzirá o monômero do polipropileno. As refinarias existentes já maximizaram sua capacidade instalada. No Brasil, ainda há possibilidades de ampliação. “Primeira premissa: Não existem receitas prontas. O ciclo atual é de pressão da demanda e investimentos para cobrir os pedidos”, assinalou David Kupfer. “Por enquanto há capacidade para atender esses pedidos”, aliviou. “O que falta para o Brasil é construção de novas plantas industriais. A expansão das atuais não resolve o problema porque não encampam as novas tecnologias nem competitividade.” Outra projeção do economista refere-se ao crescimento de oferta dos metalocenos, embora num primeiro momento as tentativas de fazer essas resinas conquistar mercados tenham sido frustradas devido aos preços altos dessas resinas.

Além disso, a cadeia produtiva deverá se confrontar com problemas legais provenientes do recrudescimento das legislações de meio ambiente. O PVC pode ser banido de alguns países. Kupfer prevê ainda a continuidade de mudanças estruturais na petroquímica com absorção de empresas maiores por empresas menores, joint ventures para mobilizar capital e parcerias específicas. O cenário aponta ainda para a excelência produtiva que irá se constituir em valor. Aos transformadores brasileiros, Kupfer apontou espaço aberto para uma participação maior do plástico no PIB, pois enquanto países como Bélgica e EUA consomem respectivamente 172 kg e 155 kg por habitante, a média nacional continua estagnada em pífios 22 kg/habitante.

No entendimento de Kupfer, o plástico no Brasil deve ser melhor explorado na agricultura e há condições para desconcentrar a transformação das regiões tradicionais. “Não há tradição de integração para frente. A terceira geração petroquímica deve buscar integrar-se às indústrias de móveis, construção civil e de utilidades domésticas, assim como fez com a automotiva”, sugeriu o economista da UFRJ.   
Kupfer: ciclo atual é de pressão da demanda

Outro problema detectado diz respeito à definição das fontes das matérias-primas básicas para a produção petroquímica. Duque Estrada, da Abiquim, reforçou sua preocupação também com relação ao preço crescente da nafta, um quadro capaz de criar sérios problemas para o abastecimento do setor petroquímico no futuro em função da impossibilidade de repasse dos custos para o consumidor final pela terceira geração. Fez referências a algumas pesquisas para obtenção dos gases petroquímicos sem o emprego da nafta.

 

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