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FEIRA GERA NEGÓCIOS DA ORDEM DE R$ 115 MILHÕES
Congresso realizado em paralelo permetiu ao público
afeir os avanços conquistados na indústria
Texto e fotos de Rose de Moraes
Posicionada no circuito
das maiores feiras setoriais do País, a Interplast 2004 – Feira e
Congresso Nacional de Integração da Tecnologia do Plástico, de 24 a 28
de agosto, impulsionou negócios estimados em R$ 115 milhões no período
pósfeira, atraindo para o Expoville, em JoinvilleSC, cerca de 250
empresas e milhares de visitantes. Mas o destaque deste ano foi a
organização da Sociesc – Sociedade Educacional de Santa Catarina, de
um congresso rico em temáticas, com ênfase na produção de
manufaturados sob alta tecnologia.
Esse perfil do congresso ficou claro na explanação da
engenheira de materiais Alessandra Holmo, gerente de desenvolvimento de
mercado da Borealis Brasil, jointventure entre os grupos
petroquímicos Borealis e Braskem. Segundo ela, o Brasil pode inserirse
definitivamente no mercado global de manufaturados de alto desempenho,
não só produzindo peças e componentes com compostos de polipropileno em
injetoras convencionais, mas também auferindo resultados mais vantajosos
de custobenefício.
A perspectiva ventilada por Alessandra baseiase na
aplicação da nova família de polipropileno reforçado com fibras de
vidro de alto desempenho (HPGF), desenvolvida pela Borealis, disponível
na Europa desde 2002 e mais recentemente difundida entre os
transformadores brasileiros.
Segundo Alessandra, esses compostos não têm
desempenho mecânico superior aos reforçados com fibras longas, mas
representam alternativa intermediária entre o emprego das duas fibras.
Para ela, possuem grande potencial técnico e viabilidade econômica na
substituição de poliamida e de processos como moldagens por compressão
ou pultrusão.
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Comércio exterior
norteia palestra inaugural |
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O incremento das exportações brasileiras acena para
um futuro mais promissor para o setor plástico, mas nada comparável ao
desempenho da China. A partir do próximo ano, o déficit
histórico da balança comercial do setor poderá estar zerado,
iniciandose, então, um novo período de incremento das exportações
brasileiras. Foi com esse otimismo que Merheg Cachum, o presidente da
Abiplast, a Associação Brasileira da Indústria do Plástico, proferiu
palestra inaugural na Interplast 2004, conclamando empresários a transpor
desafios e exportar mais com base no plano de expandir em US$ 290 milhões
as exportações até 2007.
De acordo com os últimos dados, as exportações de
artefatos plásticos alcançaram US$ 638 milhões em 2003, apresentando
crescimento em relação a 2002, cujos resultados finais foram de US$ 495
milhões. Com as importações, ocorreu justamente o contrário, houve
declínio, passandose de US$ 871 milhões em 2002 para US$ 827 milhões
em 2003.
Disposto a provocar análises conjunturais mais
profundas, o presidente da entidade apresentou vários números e cifras
resultantes das exportações para os Estados Unidos. Em 2003, o Brasil
exportou o equivalente a US$ 17,8 bilhões, enquanto a China e o México,
respectivamente, US$ 152,3 bilhões e 71,2 bilhões. "A China comprou
35 mil injetoras em 2003, volume igual ao consumo de toda a Europa",
observou Cachum.
Outra presença de destaque na abertura da Interplast
2004 foi a do presidente do conselho diretor da Abiquim, a Associação
Brasileira da Indústria Química, Carlos Mariani Bittencourt. Ao analisar
o panorama relacionado com a indústria petroquímica mundial, ele
considerou que os preços do petróleo encontramse em patamar elevado,
mas não estão freando o crescimento da economia.
Segundo Mariani, a oferta mundial de eteno/polietilenos
deverá crescer em torno de 2 milhões t/a, enquanto a demanda poderá
ficar em torno de 3,5 milhões t/a. Já a demanda global de polipropileno
deverá crescer em torno de 8% ao ano em volume. Já o PVC, existem poucas
ampliações de capacidade previstas no mundo, o que leva a deduzir que a
oferta deverá ficar muito apertada
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Em sua análise sobre o contexto mundial, o executivo
também destacou a influência da China no cenário da oferta e demanda de
petroquímicos, considerando que as importações de polietileno daquele
país deverão dobrar até 2010. A China já responde por 15% da demanda
mundial de polímeros, sendo 50% dessa demanda atendida por importações. |
Divulgação |
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| Diversas autoridades do setor prestigiaram
a abetura da feira |
Dos polímeros comercializados mundialmente, a China importa 42% dos
polietilenos, 44% do polipropileno, 45% do PVC e 48% do poliestireno.
A demanda doméstica e as exportações da China, portanto, contribuem
para o forte crescimento da demanda de polietileno (14,4 milhões de
toneladas). Sua estratégia é comprar matériasprimas básicas e
transformálas em produtos de maior valor agregado para exportar. A
China também já produz cerca de 70% do total de brinquedos fabricados no
mundo e posicionase em quinto lugar na produção mundial de
automóveis, planejando iniciar exportações nesse segmento em 2007,
informou, Mariani. Ao analisar o panorama petroquímico latinoamericano,
Mariani destacou a Rio Polímeros, único grande projeto em execução,
que deverá estar concluído em 2005.
Além das presenças dos presidentes da Abiplast e
Abiquim, a cerimônia de abertura da Interplast foi prestigiada pelo
governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, que aproveitou a
oportunidade para anunciar investimentos no valor de US$ 1,5 milhão para
a ampliação do centro de exposições Expoville.
"Nossa meta é aumentar a área de 8 mil m² para
20 mil m² e assim teremos um centro de excelência para feiras e eventos
internacionais", antecipou o governador.
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"Em comparação com os processos de fabricação
de peças com fibras longas, fabricar com compostos HPGF não requer altos
investimentos, podendose utilizar máquinas convencionais de
injeção", afirmou Alessandra. Além disso, esses materiais
propiciam baixos níveis de fogging (embaçamento que ocorre na
parte interna dos veículos, causado pelo emprego de fibras de vidro nos
polímeros), não geram odores, promovem melhorias nas soldagens por
ultrasom e resultam em maior balanço das propriedades de
impacto/rigidez.
| Estudo comparativo com as poliamidas reforçadas com
fibras de vidro longas, segundo Alessandra, também revelou que os
componentes de HPGF apresentam alta estabilidade térmica sob condições
de temperatura de 150°C, tornandose 15% mais leves, o que reduz o peso
de peças automotivas e contribui para a autonomia dos veículos,
dispensando banhos de hidratação necessários ao se trabalhar com outros
materiais.
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Cuca Jorge |
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| Alessandra:compostos possuem alto potencial
técnico/econômico |
"Atualmente, muitas aplicações feitas em aço,
GMT ou outras tecnologias de moldagem por compressão estão sendo
avaliadas com o objetivo de se verificar a viabilidade técnica das
moldagens por injeção aliada à escolha de novos materiais",
informou Alessandra.
Com os novos compostos já estão sendo testadas
várias aplicações, como é o caso dos suportes frontais de veículos (frontend
carrier), cujas primeiras séries moldadas foram feitas em poliamida
combinada com metal. O HPG, nesse caso, seria uma melhor solução. Os
estudos em questão estenderiamse também a outros componentes, como os
reforços de painel, pedaleiras e coletores de admissão.
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